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Era uma vez um PSDB

A quadro da campanha eleitoral do Piauí nas eleições deste ano está prometendo mais um fracasso para o PSDB estadual que, desde sua criação há 30 anos, disputou cinco eleições e seu melhor desempenho foi na primeira com o ex-prefeito Wall Ferraz em 1990 e em 2010 quando o também ex-prefeito Sílvio Mendes, ambos levando a disputa para o segundo turno. Com o deputado Luciano Nunes em 2018, o PSDB vai repetir os desempenhos pífios de 1998 e 2006 quando sequer houve segundo turno.

É preciso destacar, porém, que em 2006, quando o candidato era o hoje prefeito de Teresina Firmino Filho e agora em 2018, não houve uma polarização na campanha, diferente das eleições de 1990, quando o PSDB polarizou com o PFL, e em 2010, entre PSDB e PSB. Em 2006, o governador à época Wellington Dias venceu a disputa contra o então senador Mão Santa (PMDB) e Firmino Filho (PSDB) no primeiro turno. Em 2018, a probabilidade do mesmo Wellington Dias vencer no primeiro turno é grande.

Sem a polarização que protagonizou nas campanhas de 1990 e 2010, o PSDB vive uma situação difícil em vista de o próprio partido em nível nacional está colocando em jogo nesta eleição a sua sobrevivência. Embora o PSDB tenha um candidato na disputa pelo governo de São Paulo numa campanha polarizada, a derrota jogará o partido ladeira abaixo, ou seja, vai encolher. Em Minas, o senador Antonio Anastasia aparece como o nome que pode salvar a honra tucana mas sem dissipar a perspectiva sombria.

O estranho é que o PSDB do Piauí nunca deixou de ter em seus quadros líderes de certo modo populares e conhecidos, e poderia numa dessas disputas realmente chegar ao poder. Por alguma razão que só a política pode explicar, o PSDB nunca venceu uma eleição para o governo e pelo visto, na perspectiva de vislumbrar o seu ocaso, a legenda mais uma vez pode vir a ser extinta e entrar para a história perdendo mais uma eleição por absoluta ausência de competitividade e de estrutura partidária.

Sempre se disse que o PSDB era um partido de Teresina, pecha criada na era Wall Ferraz porque o prefeito sempre se recusou a usar politicamente a prefeitura para atrair lideranças do interior distribuindo cargos. De fato, essa atitude era real mas afugentava os grupos políticos que queriam se aproximar do partido. Com isso, o PSDB teve dificuldades para se expandir como uma legenda estadual, já que o “modus operandi” político do PSDB passou para os herdeiros de Ferraz.

Mas não foi só esse modelo de conduta político-administrativa que criou uma barreira para a chegada do PSDB. A ascensão do PT ao poder no estado foi fator determinante para que a sigla tucana sempre se posicionasse como a terceira força, Hoje, porém, essa posição está ocupada pelo PP ficando o PSDB até mesmo atrás do PSB. Embora o candidato Luciano Nunes carregue a chama de vida é pouco provável que o PSDB do Piauí sobreviva ao caminho que o nacional optou. Nessa perspectiva e com os índices de intenção de votos baixos, Luciano corre o risco de ter menos votos que Chico Gerardo.

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