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Enxugar máquina é o óbvio

Não importa que o próximo presidente da República seja um ou outro candidato entre os dois que disputam o segundo turno das eleições presidenciais. A conjuntura será outra, ou seja, de recuperar o país do desastre que o governo golpista impôs após o impeachment. Medidas amargas serão necessárias para reduzir o déficit fiscal e tirar o país da recessão. Para isso, serão necessários cortes nas despesas e fazer investimentos e com eles o Brasil retomar o crescimento.

Isso vale para os governos nos próximos quatro anos, os que foram eleitos agora e os que foram reeleitos. É o caso, por exemplo, do Piauí, onde o governador Wellington Dias foi reeleito e está prometendo fazer cortes. Na entrevista que deu no dia seguinte à eleição, o governador falou em cortes mas disse que a redução de cargos representa só 1,5% da despesa. Pode ser mas os gastos da máquina não se resumem só a pagamento de comissionados e funções gratificadas.

Qualquer órgão pertencente à estrutura administrativa gera despesa para funcionar, água, luz, limpeza, papeis, materiais para equipamentos como computador, fornecedores, prestação de serviços, enfim são gastos que somam no orçamento geral do estado. Extingüir pastas e órgãos de auxílio ajuda sim no controle de gastos e se de fato o governador quer operar nesta direção com certeza o custo da máquina vai diminuir e muito para que possa sobrar dinheiro para investimentos e serviços.

Wellington Dias chegou a afirmar que a convocação de deputados para assumirem pastas no governo será em número bem menor que nesta gestão, traçando um perfil técnico para seu governo. Todo governo deveria ter um perfil técnico, principalmente com técnicos de nível bem elevado, em cargos estratégicos como é o caso da saúde, da educação e segurança pública. Colocar políticos nesses órgãos é contraproducente na medida em que os ocupantes trabalham de olho na própria eleição.

O governador lembrou bem que há técnicos que são políticos e vice-versa mas quando eles estão no exercício do cargo vislumbram um retorno político e eleitoral, quando o certo é o governador ter auxiliares que façam a política do chefe e esta esteja de acordo com as metas de seu governo. Não foi esse o caso do atual governo, quando mais da metade dos órgãos era ocupada por políticos com mandato, todas realizando obras eleitoreiras distantes do eixo de metas que o governo traçou.

Se quiser fazer o enxugamento da máquina, o governador deve começar pela extinção das coordenadorias criadas no ano passado para abrigar aliados que estavam entrando na base do governo. Em seguida, realizar um estudo (antes da posse) para saber que secretarias são desnecessárias e que podem ser extintas ou fundidas. Com certeza, fazendo isso, ele estará sendo coerente com o discurso pós-eleição. Enxugar a máquina não é um compromisso mas o óbvio, para tornar o governo mais ágil e capaz de melhorar os serviços que o estado presta a seu povo.

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