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Sistema partidário foi o derrotado

A decisão dos principais partidos de se manterem neutro no segundo das eleições presidenciais no Brasil comprova a falência do sistema partidário, principal pilar de sustentação do regime democrático. Partidos como o PSDB, PP e porque não dizer o MDB estão se omitindo de participar do processo sob a alegação de que os candidatos representam extremos ideológicos e não haveria espaços para uma conciliação em torno de um projeto de recuperação do país econômica, social e politicamente.

Se o país chegou a essa situação, os partidos que agora se omitem são responsáveis por ela quando deflagraram um golpe de estado em 2016 depondo a presidente eleita Dilma Rousseff interrompendo o curso do processo democrático. A deposição de Dilma Rousseff e a posse de Michel Temer, um político comprovadamente corrupto, abriram um vácuo no sistema político permitindo que aventureiros e radicais como o deputado Jair Bolsonaro aparecessem como alternativa para ocupar os espaços.

Dos eventos que se sucederam às eleições de 2014, a condenação e prisão do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva – cassando-lhes seu direito de disputar as eleições – favoreceu o surgimento de alternativas inesperadas como uma candidatura de extrema-direita para abrir uma cortina de incertezas sobre o futuro do país. Ora, na medida em que os partidos foram se enfraquecendo, partir da pulverização de siglas nanicas, era natural que o conjunto do sistema cedesse lugar ao oportunismo.

Embora seja um avanço, ainda que muito pequeno, a cláusula de barreira, que vai ser aplicada de maneira lenta e gradual, não vai conter pelo menos na próxima década a coexistência de partidos com donos já que a exigência de percentuais de votos só vai atingi-lo nas eleições de 2030. Enquanto isso, o país será obrigado a conviver com a realidade do toma lá dá cá que os partidos pequenos exigem para apoiar qualquer projeto seja ele no período eleitoral ou no curso dos governos eleitos.

Nenhum governo consegue fazer uma gestão voltadas para os interesses do país se não ceder à barganha das bancadas no Congresso Nacional. Desde o restabelecimento das eleições para presidente que os sucessivos governos tiveram que fazer trocas com partidos de sua base para ver seus projetos aprovados. E não será diferente se tanto Jair Bolsonaro quanto Fernando Haddad vencerem a disputa, já que os partidos a que eles pertecem elegeram bancadas pequenas e terão de negociar para ter maioria.

Não foi uma boa saída dos partidos que optaram pela neutralidade liberar seus diretórios para escolherem quem apoiar. O certo é eles começarem a refletir sobre a própria existência, principalmente PSDB, MDB, PP, que tiveram suas bancadas reduzidas tanto na câmara quanto no senado, saindo enfraquecidos das urnas. Deveriam tirar do resultado da eleições, lições segundo as quais não foram seus candidatos que perderam mas seus partidos e que só uma reforma política e partidária devolverá ao país um sistema partidário forte que garanta uma vida longa à nossa democracia.

 

 

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