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Peso do voto é o que conta

A vitória de Jair Bolsonaro para presidente da República foi bastante comemorada no Piauí por seus apoiadores mas o candidato teve, em termos percentuais, a menor votação, 23%, contra 77% dados ao concorrente do PT Fernando Haddad, em relação aos demais estados. Isso caracteriza uma vitória do governador Wellington Dias que, depois de vencer a disputa pela reeleição no primeiro turno, ainda conseguiu que o Piauí desse essa expressiva maioria para Haddad no segundo turno.

Piauí registra maior índice de votação a favor de Fernando Haddad (Foto: reprodução Facebook PT)

O que significa em peso ou tamanho político essa ínfima votação que Jair Bolsonaro obteve no Piauí no segundo turno da eleição? Logo após a divulgação do resultado do primeiro turno, vários parlamentares e líderes políticos, alguns integrante da coligaçãocom o PT no Piauí, outros de oposição, procuraram o candidato no Rio de Janeiro – de público ou de forma silenciosa, para não criar atritos com o governador – para declarar apoio. Claro, Bolsonaro aceitou na perspectiva de melhorar a votação no estado.

Como isso não aconteceu é difícil prevê neste momento como o candidato eleito irá avaliar a baixa votação no Piauí. Se vier a olhar o Piauí como um dos estados onde sua votação foi abaixo da expectativa, mesmo com um grande número de adesistas, Jair Bolsonaro o fará com desdém. É provável que terão prestígio no governo apenas os que podem lhe render votos no Congresso Nacional. Dos 10 deputados eleitos, talvez só os 2 do PT não devem compor uma futura base do novo governo.

Os senadores Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, e Elmano Ferrer, do Podemos, já se ofereceram ao presidente. Ambos logo após o primeiro turno mas só o segundo (Ferrer) declarou apóio público. O outro senador eleito Marcelo Castro ainda não se manifestou sobre que posição adotará no senado, se vai seguir ou não com o partido que contará a partir de fevereiro de 2019 com 11 senadores. Se isso acontecer, tudo indica que os apoiadores de primeira hora não serão chamados a participar.

Na política a frase “o exército de combate não é o mesmo de ocupação” é bem lógica quando se trata da participação em governos daqueles apoiadores que não dispõem do critério mais usado nestes tempos de excessos de partidos que é a densidade eleitoral. O fato de estarem desde o início não conta e quem participa da divisão do bolo são aqueles que primeiro investem em seus mandatos para depois negociarem o apoio parlamentar em troca de participação no governo.

Por estarem com o diploma de eleitos, os parlamentares são os primeiros a serem chamados. Não por acaso, todo presidente eleito precisa, antes de formar o governo, montar sua base parlamentar para não ser surpreendido na hora em que encaminhar seus projetos para aprovação. Não fazendo isso, o presidente empossado enfrentará dificuldades mesmo com um congresso de certo modo renovado. Em razão disso, o peso que conta é aquele do voto parlamentar não o de quem não o tem.

PELA IMPRENSA

O senador Ciro Nogueira (PP) tem repetido que o governo Wellington Dias (PT) deve promover um enxugamento da máquina administrativa do estado.

Ciro Nogueira (Foto: Lucas Sousa / Portal AZ)

Só que em vez de defender sua idéia junto ao governador – pois afinal os dois são aliados – Ciro busca é a imprensa para fazê-la chegar aos olhos e ouvidos de Dias.

MAIS PARTICIPAÇÃO

Por falar em Ciro Nogueira, tem se comentado muito na rodas políticas que o senador quer ampliar a participação do PP no governo Wellington Dias.

Além de o PP já contar com o Detran, a Secretaria de Transporte e boa parte da pasta da Saúde, ele estaria de olho também na Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

SUCESSÃO

Os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado elegeram na manhã desta segunda-feira (29) em sessão extraordinária Abelardo Vilanova para suceder Olavo Rebelo no cargo de presidente daquela corte de contas.

É segunda vez que Abelardo assume a presidência do TCE, sendo a primeira vez para o biênio 2009/2011.

O futuro do PSB no Piauí A vez da direita

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