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Oposição ficará de molho

O resultado da eleição no Piauí, com a chapa governista vencendo em todos os níveis de disputa, estraçalhou a oposição no estado. Partidos como o PSB, PSDB e DEM, que se uniram numa coligação, saíram da eleição muito menor do que entraram e diante desse quadro as perspectivas de recuperação são as mais sombrias. Para que possa se reerguer, a oposição precisará torcer para uma divisão do bloco governista tendo como ponto de partida as eleições municipais de 2020, com desta para Teresina.

A possibilidade de divisão do bloco governista é real, uma vez que em 2020 a sucessão na capital colocará alguns partidos da base no rumo de um enfrentamento e em 2022 o PT dificilmente protagonizará o processo sucessório de Wellington Dias a não ser que no plano nacional o petismo retorne com perspectiva de se colocar como alternativa. A conjuntura de 2020 e 2022 será construída a partir das mudanças que ocorreram nas eleições de 2018 e a tendência é o quadro partidário ganhar um novo desenho.

PP e MDB, que elegeram os senadores para as duas vagas nesta eleição – Ciro Nogueira e Marcelo Castro – já deram a senha de como será a queda de braço de ambos na disputa pelo cargo de presidente da Assembleia Legislativa. O PT, embora já tenha entrado como coadjuvante ao lado do PP tenta se firmar como protagonista de um processo, mas sabe que pode ficar dividido. O governador Wellington Dias, por seu lado, busca evitar o embate para não perder a posição de líder da coligação vencedora.

Ninguém desconhece que o senador Ciro Nogueira possui um projeto de se candidatar a governador do Piauí e chegar a pensar em levá-lo adiante já na eleição estadual de 2014, mas retrocedeu para não ter de enfrentar Wellington Dias. Quatro anos depois, em 2018, adiou novamente para garantir a continuidade como senador. Com o sucesso da renovação do mandato, Ciro já deixou claro não ter mais como adiar seu projeto e já começa a traçar o caminho que pavimentará sua candidatura ao governo.

Desta forma, não importa que a aliança vencedora das eleições de 2018 não se repita daqui a 4 anos. A estratégia será a mesma deste ano que teve início em 2016, quando o partido saiu fortalecido das eleições e ampliou seus quadros com a filiação de cerca de 30 novos prefeitos. Nesta perspectiva, o senador não se constrangerá se partidos da oposição o procurarem para uma aproximação e aceitá-los a se integrarem em seu projeto, como fez Wellington Dias em 2017 atraindo adversários de 2014 como o MDB.

Talvez por isso, partidos como o PSB, PSDB e DEM, tendem a se manter ativos para aguardar que a conjuntura daqui a 4 anos possa fazê-los ressurgirem numa aliança com uma das candidaturas que podem ajudá-los. O difícil será imaginar que os líderes derrotados de hoje consigam renascer. Por essa razão é que as eleições municipais definirão como ficarão as forças para a disputa de 2022. Uma coisa é certa, a oposição terá de ficar de 'molho' a espera de um racha na base governista para dar a volta por cima.

 

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