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O buraco é mais em baixo

Antes mesmo de o governador Wellington Dias (PT) iniciar seu quarto mandato como chefe do governo estadual e os deputados tomarem posse em suas cadeiras, esperava-se que os partidos da base governista ainda estivessem em lua-de-mel com a vitória retumbante nas urnas um mês atrás. Mas não parece ser isso o que está acontecendo. A disputa pelo cargo de presidente da Assembléia, que será só em fevereiro de 2019, está provocando escaramuças entre PP e MDB, liderados no estado por 2 senadores.

Wellington Dias (Foto: reprodução internet)

O que dias depois do resultado das urnas era apenas embate interno entre deputados com assento na Assembléia, ultrapassou os limites internos daquele poder e alcançou os principais integrantes da cúpula dos dois partidos. O senador e presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, fez críticas pesadas à gestão de Themístocles Filho, que se defendeu dizendo que ele devia cuidar de seu mandato no senado em resposta à idéia do líder do PP de tirar do deputado emedebista o direito de pleitear o cargo.

Com a entrada de Ciro Nogueira nesta prebenda, o senador eleito e presidente do MDB no estado Marcelo Castro ofereceu um boi para entrar na briga em defesa de seu colega emedebista, deixando duas opções aos que querem tomar o comando da Assembléia de seu partido; “se não aceitarem o consenso então vai ter disputa”. Enquanto os dois partidos trocam sutilezas, o governador Wellington Dias assiste de longe, embora seu discurso seja o de a eleição da Mesa ser precedida de um acordo.

Por trás dessas contradições envolvendo dois partidos da base do governo há muito mais em jogo do que propriamente uma simples queda de braços pela presidência da Assembléia a partir da entrada em cena dos dois futuros senadores. Ciro Nogueira, como se sabe, tem um projeto político de disputar o governo do estado em 2022 e aquela é uma eleição onde haverá disputa por reeleição. Nesta perspectiva, o que se observa é que essa é uma disputa aberta a quem dispor de estrutura para brigar.

Não por acaso, Ciro Nogueira vem há mais de 6 anos criando as condições para se viabilizar como candidato. Para isso, desde sua primeira eleição para o senado em 2010, já enfrentou duas eleições municipais (2012 e 1016), saindo delas com uma base municipal extensa que foi seu principal trunfo para conquistar a reeleição. A ambição de Nogueira em viabilizar passa, evidentemente, por outros desafios a vencer, um deles a eleição de presidente da Assembléia e da prefeito e vereador em 2020.

De seu lado, Marcelo Castro chegou a dizer após a proclamação do resultado em que ele era um dos senadores eleitos que não disputaria mais nenhuma eleição. Talvez no calor da emoção de um resultado cheio de dúvida em relação à sua vitória, ele tenha feito a declaração. Castro já tentou sair candidato ao governo em mais de duas oportunidades e foi barrado. Como um mandato de senador basta pavimentar o caminho para um vôo mais alto. Fora Ciro, em 2022 os candidatos prováveis são só os coadjuvantes. Essa disputa entre PP e MDB agora é só um ensaio e nos leva a um velha e conhecida frase: o buraco é mais em baixo.

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