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Caindo na própria armadilha

Quando a convenção do PT homologar a chapa majoritária para a disputa das eleições ao governo e senado apontará um caminho sem volta para o projeto de reeleição do governador Wellington Dias. A decisão de optar pela senadora Regina Sousa como sua companheira de chapa no cargo de vice-governadora foi tomada num momento em que nada foi levado em conta, muito menos o que pode acontecer se a disputa pelo governo do estado tiver que ser decidida em um novo turno.

Pesquisa Data AZ mostra que eleitor  reprova  a chapa pura com a senadora Regina Sousa como sua candidata a vice-governadora.

A escolha de Regina Sousa pôs a nu aquilo que numa campanha é de capital importância para o seu sucesso: articulação, organização e comando. É exatamente isso o que está ocorrendo na coligação governista. Os partidos aliados conversam com partidos de oposição ao governo, traçam estratégia como se o governo não existisse e não fizessem parte dele. Até mesmo o próprio PT se comporta como se não tivesse comando e prega abertamente em quem vai votar e em quem não votar na eleição.

O grande problema do governador é que ele pensa que sabe tudo de política e o modo como a faz, fazendo-se de humilde, não respondendo às críticas e ataques, e em alguns casos vai procurar quem o atacou demonstrando que não guarda mágoas. Com esse poder de movimentação, o governador está convencido de que não precisa de um articulador político e campanha, porque isso ele o faz com perícia. Mas às vezes, virtudes de autoconfiança podem falhar quando não se enxerga as conseqüências de certos atos.

Por exemplo: ao fazer a opção por Regina Sousa o governador precisa perceber que pagará um preço alto por ela. Ou seja, terá de se desdobrar para vencer as eleições no primeiro turno; aproveitar as pesquisas de intenção de votos que lhe apontam vitória sem a necessidade de um novo turno e administrar essa vantagem. Por enquanto, os ventos da disputa eleitoral estão soprando a seu favor, porque até o momento os seus adversários não apresentaram potencial de competitividade para preocupá-lo.

No entanto, se o quadro sucessório mudar e apresentar uma tendência de necessidade de um segundo turno, o chefe do governo deve se preparar para o pior. A razão é simples: num eventual segundo turno, a chapa majoritária do governo vai sozinha para o novo turno. Nesta segunda etapa, as eleições para a Assembléia, Câmara Federal e Senado, estarão encerradas e os partidos aliados podem não sentir mais apetite para entrar numa campanha onde vão eleger uma chapa PT/PT.

Se o governador lançou mão do nome de Regina Sousa para vice, a fim de não causar mágoas no presidente da Assembléia Themístocles Filho (MDB), que moveu céus e terra para se habilitar como o nome da preferência de Wellington Dias, se optasse por Marcelo Castro, o fez sem perceber e criou uma armadilha para ele próprio na qual vai cair se a eleição tiver segundo turno. Com efeito, foi uma decisão mal calculada que no futuro vai se votar contra ele.

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