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O uso do cachimbo...

O governo Jair Bolsonaro (PSL) tem um início confuso e marcado por situações que o colocam em cheque. Em lugar de ser destacado na mídia e redes sociais por decisões que marquem ações voltadas para questões cruciais econômicas e sociais, o governo se vê às voltas com trapalhadas que o fazem recuar em algumas medidas que toma. A última situação constrangedora que envolveu o governo foi o caso do pedido de Flávio Bolsonaro ao ministro Luiz Fux para que suspendesse as investigações do caso Queiroz.

É uma amostra de que a família Bolsonaro se complica no cenário político nacional a partir de atos praticados como se ela estivesse acima da lei depois que Jair Bolsonaro se elegeu presidente. Ao mesmo tempo em que tomou uma decisão ilícita, suspendendo uma investigação em andamento, o ministro deu a ele um fórum privilegiado que ainda não tem. Flávio Bolsonaro foi eleito e diplomado mas ainda não tomou posse, o que vai acontecer somente no dia 1º de fevereiro.

Para piorar as coisas, o filho não se deu conta de que seu pedido e o atendimento por parte do ministro pode envolver o próprio pai na investigação já que a Procuradoria Geral da República pode investigar o presidente. O caso Queiroz, assessor de gabinete de Bolsonaro na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, envolve inclusive a primeira dama do país que aparece na história por um depósito de R$ 24 mil que o assessor depositou em sua conta. Ele tentou fazer um giro e acabou fazendo um girau.

Bolsonaro e Flávio(Foto: Pleno News)

O que é estranho em toda essa história é que tanto Flávio Bolsonaro quando o pai Jair eram a favor do fim do fórum privilegiado tendo demonstrado isso através de entrevista ou gravações que correram as redes sociais. Se era a favor por que agora ele próprio recorreu a essa prerrogativa para impedir que uma investigação contra si e que pode atingir sua família tivesse prosseguimento? Isso por si só já demonstra que o gesto implica numa confissão de culpa do crime ao qual está sendo investigado.

Na investigação do caso Queiroz, de acordo com o inquérito, Flávio Bolsonaro é apenas arrolado como testemunha não como suspeito, o que levanta dúvidas de seu envolvimento no caso. A sorte dele é que o recurso está nas mãos do ministro Marco Aurélio Mello que já deu sinais de que vai derrubar a liminar concedida pelo ministro Luiz Fux e com isso a investigação vai continuar no fórum do Rio de Janeiro, livrando assim o presidente e o Palácio do Planalto do risco desconfortável de ser investigado.

Causa perplexidade, por outro lado, a própria decisão do ministro de atender a um pedido desses sabendo do seu grau de ilicitude e da repercussão negativa que causa à imagem da suprema corte de justiça do país. Este tipo de decisão já é tão comum entre ministros do Supremo Tribunal Federal e magistrados outras instâncias superiores da justiça federal que, pela forma como é tomada, nos leva a ter a recorrer a um antigo ditado segundo o qual “o uso do cachimbo faz a boca torta”.

O governo Jair Bolsonaro (PSL) tem um início confuso e marcado por situações que o colocam em cheque. Em lugar de ser destacado na mídia e redes sociais por decisões que marquem ações voltadas para questões cruciais econômicas e sociais, o governo se vê às voltas com trapalhadas que o fazem recuar em algumas medidas que toma. A última situação constrangedora que envolveu o governo foi o caso do pedido de Flávio Bolsonaro ao ministro Luiz Fux para que suspendesse as investigações do caso Queiroz.

É uma amostra de que a família Bolsonaro se complica no cenário político nacional a partir de atos praticados como se ela estivesse acima da lei depois que Jair Bolsonaro se elegeu presidente. Ao mesmo tempo em que tomou uma decisão ilícita, suspendendo uma investigação em andamento, o ministro deu a ele um fórum privilegiado que ainda não tem. Flávio Bolsonaro foi eleito e diplomado mas ainda não tomou posse, o que vai acontecer somente no dia 1º de fevereiro.

Para piorar as coisas, o filho não se deu conta de que seu pedido e o atendimento por parte do ministro pode envolver o próprio pai na investigação já que a Procuradoria Geral da República pode investigar o presidente. O caso Queiroz, assessor de gabinete de Bolsonaro na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, envolve inclusive a primeira dama do país que aparece na história por um depósito de R$ 24 mil que o assessor depositou em sua conta. Ele tentou fazer um giro e acabou fazendo um girau.

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Bolsonaro e Flávio(Foto: Pleno News)

O que é estranho em toda essa história é que tanto Flávio Bolsonaro quando o pai Jair eram a favor do fim do fórum privilegiado tendo demonstrado isso através de entrevista ou gravações que correram as redes sociais. Se era a favor por que agora ele próprio recorreu a essa prerrogativa para impedir que uma investigação contra si e que pode atingir sua família tivesse prosseguimento? Isso por si só já demonstra que o gesto implica numa confissão de culpa do crime ao qual está sendo investigado.

Na investigação do caso Queiroz, de acordo com o inquérito, Flávio Bolsonaro é apenas arrolado como testemunha não como suspeito, o que levanta dúvidas de seu envolvimento no caso. A sorte dele é que o recurso está nas mãos do ministro Marco Aurélio Mello que já deu sinais de que vai derrubar a liminar concedida pelo ministro Luiz Fux e com isso a investigação vai continuar no fórum do Rio de Janeiro, livrando assim o presidente e o Palácio do Planalto do risco desconfortável de ser investigado.

Causa perplexidade, por outro lado, a própria decisão do ministro de atender a um pedido desses sabendo do seu grau de ilicitude e da repercussão negativa que causa à imagem da suprema corte de justiça do país. Este tipo de decisão já é tão comum entre ministros do Supremo Tribunal Federal e magistrados outras instâncias superiores da justiça federal que, pela forma como é tomada, nos leva a ter a recorrer a um antigo ditado segundo o qual “o uso do cachimbo faz a boca torta”.

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