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José Dirceu diz que operação Lava Jato é um dos maiores erros do país

Em passagem por Teresina, onde lança sua autobiografia, o ex-ministro chefe da casa Civil do governo Lula, Zé Dirceu, concedeu entrevista ao jornalista Arimatéia Azevedo no programa Café com Informação. Na oportunidade, além de comentar um pouco sobre o que escreveu na obra “Memórias” (volume 1), o petista tratou sobre a conjuntura política atual do país e aproveitou para criticar a operação Lava Jato.

Arimatéia Azevedo entrevista o ex-minstro José Dirceu (Foto: Wilson Nanaia / Portal AZ)

Alvo da Lava Jato este ano, Dirceu desaprovou a ação, que também abarcou Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele, a operação se transformou em um dos maiores erros do país. 

“A Lava Jato se transformou em um dos maiores erros do país. Todos os empresários fizeram delação e ficaram com os seus bens. O Brasil estava se transformando no maior construtor de siderúrgicas, de estaleiros, rodovias, ferrovias, metrôs e aeroportos na América Latina; hoje não se constrói mais nada”, pontuou. 

Em decorrência das investigações realizadas pela Lava Jato, o ex-ministro foi preso em maio deste ano e levado para o presídio da Papuda, em Brasília, depois de condenado pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF-4) a 30 anos e 9 meses de prisão. Ele é acusado dos crimes de corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

José Dirceu em entrevista ao Café com Informação (Foto: Wilson Nanaia / Portal AZ)

Sobre o livro 

Zé Dirceu diz que em sua autobiografia não conta, especificamente, sobre sua história, mas sobre “a história do Brasil nos últimos 60 anos”. A obra, acrescenta o petista, é uma “biografia verdadeira”, “chapa branca”. “Quem ler verá que eu coloco as divergências, os erros que nós cometemos. Mas o meu balanço geral é que nós precisamos de uma transformação social, política e cultural”, afirma ainda.

Na autobiografia o ex-ministro conta bastidores de sua militância estudantil nos anos 1960; o exílio e o treinamento para ser guerrilheiro em Cuba; a cirurgia plástica que mudou seu rosto; a vida clandestina no Brasil nos anos 1970; a volta à legalidade com a anistia, em 1979, e sua ascensão no Partido dos Trabalhadores, onde se tornou presidente e maior responsável pela eleição de Lula à presidência da República.

Foto: Wilson Nanaia / Portal AZ

No primeiro volume, Dirceu se eximiu de avaliar o primeiro mandato de Dilma Rousseff à frente da presidência, além dos últimos quatro anos de Lula como presidente: “Eu não vou dar esse prazer para os meus adversários”. Se pronunciar sobre os dois momentos somente em uma nova edição, com lançamento marcado para o ano de 2020, revela o ex-ministro. 

“Parei em 2015, quando fui cassado, porque a avaliação do governo da presidenta Dilma – do primeiro governo, e do segundo do presidente Lula, seria, obviamente, pauta das eleições atuais. E eu não vou dar esse prazer para os meus adversários. Eu vou fazê-lo, já estou escrevendo, reunindo material, pesquisando, entrevistando. Pretendo lançar [o outro volume] no começo de 2020”, explicou Zé Dirceu. 

Sobre os fatos envolvendo figuras ainda vivas que combateram a ditadura, Dirceu também preferiu não relatar no livro. 

“Eu não relataria porque muitos estão vivos. Você não pode achar que o Brasil não vai mudar amanhã. Eu prefiro não relatar esses fatos. Não que eu tenha algo a esconder; simplesmente porque eu tomei essa decisão”, destacou ele.

Assista abaixo ao programa na íntegra:

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