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A eugenia de Bolsonaro

Pelos registros acadêmicos, durante toda a história da humanidade diversos povos eliminavam pessoas que nasciam com deficiência, com má-formação e também pessoas doentes.

Em 1883, nasceu, então, o termo “eugenia” (ou eugenismo, como queiram), que significa “bem nascido”, criado pelo inglês Francis Galton, primo de Charles Darwin, antropólogo, meteorologista, matemático e estatístico que o definiu como sendo o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações, seja física ou mental.

Em 1865, Galton publicou um livro intitulado “Hereditary Talent and Genius” (Hereditariedade Talento e Gênio) onde disse: “(...) as forças cegas da seleção natural, como agente propulsor do progresso, devem ser substituídas por uma seleção consciente e os homens devem usar todos os conhecimentos adquiridos pelo estudo e o processo da evolução nos tempos passados, a fim de promover o progresso físico e moral no futuro”. Ele quis dizer, em outras palavras, que deveria ser aplicado o melhoramento genético na população humana.

Um exemplo extremo de “eugenismo” ocorreu na Alemanha Nazista, comandada por Adolf Hitler, onde se almejou extinguir as “raças humanas” ditas inferiores, deixando apenas as “raças nórdicas” (os arianos) que eram consideradas como “raças superiores”, resultando na monstruosidade do Holocausto, a matança de inaptos geneticamente para continuar no convívio social.

No Brasil, a primeira entidade com essa concepção de “raça pura” foi a Sociedade Paulista de Eugenia, fundada em 1918. No 1° Congresso de Eugenismo, realizado na cidade do Rio de Janeiro em 1929, abordou-se abertamente o assunto com o tema “O Problema Eugênico da Migração”. No boletim foi proposta a exclusão das imigrações de pessoas não-brancas. No ano de 1931, criou-se a Comissão Central de Eugenismo com os seguintes objetivos:

• Manter o interesse dos estudos relacionados à questões eugênicas;

• Disseminar o ideal de regeneração física, psíquica e moral do homem;

• Prestigiar e ajudar as iniciativas científicas ou humanitárias relacionadas à eugenia.

Incentivados por incautos, os Bolsonaros começaram a admirar e a seguir a teoria da “eugenia” americana e nazista por ser definida como a ciência que trata daquelas agências sociais que influenciam, mental ou fisicamente, as qualidades raciais das futuras gerações. Carlos Bolsonaro, filho do presidente da República, é da opinião de que o Programa Bolsa-Família seja condicionado “às cirurgias de laqueadura e vasectomia para estancar a ferida econômica e ainda combater a miséria e a violência no Brasil”.

Carlos quer, com o apoio institucional do pai presidente, criar uma “raça” ao modo da família. Os Bolsonaros entendem que a “eugenia” no Brasil diminuiria o número de pobres, porque são estes a causa da violência. Para eles, com a “eugenia” implantada oficialmente haveria uma laqueadura de pobres e, também, uma laqueadura de negros para o "branqueamento" da população brasileira.

Adepto de teses nazistas, do matar para melhorar, quando deputado federal Jair Bolsonaro proferiu diversos discursos defendendo a adoção de um rígido programa de controle de natalidade, com foco especificamente nos pobres. Pelo pensamento do atual presidente da República, seria o caminho para a redução da criminalidade e da miséria.

Veja o que ele produziu em discurso proferido em 2013 na Câmara dos Deputados: “Só tem uma utilidade o pobre no nosso país: votar. Título de eleitor na mão e diploma de burro no bolso, para votar no governo que está aí. Só para isso e mais nada serve, então, essa nefasta política de bolsas do governo”. Em 1992, seu terceiro ano como deputado, ele já falava sobre o tema. “Devemos adotar uma rígida política de controle da natalidade. Não podemos mais fazer discursos demagógicos, apenas cobrando recursos e meios do governo para atender a esses miseráveis que proliferam cada vez mais por toda esta nação”.

Quem conhece o pensamento explícito de Bolsonaro não tem dúvidas de tratar-se de uma figura afeita a monstruosidades culturais e sociais. - “Defendo a pena de morte e o rígido controle de natalidade, porque vejo a violência e a miséria cada vez mais se espalhando neste país. Quem não tem condições de ter filhos não deve tê-los. É o que defendo, e não estou preocupado com votos para o futuro” – disse ele em outro discurso na Câmara dos Deputados. E foi além noutro, em julho de 2008: “Não adianta nem falar em educação porque a maioria do povo não está preparada para receber educação e não vai se educar. Só o controle da natalidade pode nos salvar do caos”.

Em algumas das vezes que abordou o assunto, Bolsonaro opinou no sentido de que os pobres, por ignorância ou na expectativa de receber ajuda do governo, não controlam o número de filhos como os mais ricos. “Tem que dar meios para quem, lamentavelmente, é ignorante e não tem meios controlar a sua prole. Porque nós aqui controlamos a nossa. O pessoal pobre não controla (a dele)” - afirmou em 2013.

Em verdade, o discurso da “eugenia” é uma prática no mundo inteiro. Sobretudo por pessoas racistas e preconceituosas. Era assim com Mussolini na Itália. E não foi diferente com Hitler na Alemanha. É, na verdade, um populismo de direita-fascista que ainda perdura e perdurará por muito tempo entre nós. Infelizmente, um “vírus” que sempre vai existir!

A “eugenia” - cita a doutrina - é o pesadelo do novo século. A idéia dos Bolsonaros é de que no Brasil possa-se chegar à melhoria da raça através da união de pessoas consideradas geneticamente superiores, enfrentando, pois, o que a Natureza fez ao modo da “criação”.

Cegos de ódio e de preconceitos, querem levar o racismo para a esfera da hereditariedade no Brasil. Acreditam piamente no “tipo criminoso” pobre e negro, identificados pelos “olhos da aparência”. 

A noção de “criminoso natural” dos Bolsonaros se tornou popular quando pesquisaram sobre as teorias sociológicas das famílias pobres que se degeneraram no seio social. Daí a ideia para pavimentar o caminho para o preconceito e o racismo tão latente na família brasileira, que se espelhou na elite norte-americana com o enaltecimento do idealismo científico do “germe plasma defeituoso”, termo criado pelo zoólogo Charles Davenport, considerado figura da maior importância no movimento eugenista e o maior especialista em eugenia dos Estados Unidos.

Por que isso? Porque para os Bolsonaros é Deus no céu e os norte-americanos na terra!

A “eugenia”, como um movimento para criar seres humanos 'melhores', teve sua raiz mais fortalecida nos Estados Unidos. E que acabou influenciando Hitler. "Muita gente associa a palavra 'eugenia' aos nazistas e ao Holocausto. Mas, isso está errado. Na verdade, Hitler aprendeu com o que os EUA haviam feito", afirma Daniel Kevles, historiador da ciência da Universidade de Yale, a terceira mais antiga instituição de ensino superior dos Estados Unidos. “A eugenia não interessou somente a cientistas maus, mas também àqueles que queriam saber como herdávamos certas características. Todo mundo era eugenista porque não sabiam dos crimes que seriam cometidos por causa dessa palavra” – avalia o historiador.

Pelos estudos de Marcus Brancaglione, em "Digressões Libertárias sobre Renda Básica, Democracia Direta, Panarquia e Ativismo Social", “os Estados Unidos têm um histórico de esterilizações forçadas entre os mais pobres, doentes mentais e minorias. (...) As vítimas da eugenia eram moradores pobres de áreas urbanas e o “lixo branco” da zona rural, da Nova Inglaterra à Califórnia, imigrantes que chegavam da Europa, negros, judeus, mexicanos, indígenas, epiléticos, alcoólatras, batedores de carteira e doentes mentais ou qualquer um que não se enquadrasse no ideal Nórdico dos loiros de olhos azuis que o movimento da eugenia glorificava. A eugenia contaminou muitas outras causas sociais, médicas e educacionais nobres, do movimento pelo controle da natalidade ao desenvolvimento da psicologia ao movimento pelo saneamento urbano. Psicólogos perseguiram seus pacientes. Professores estigmatizaram seus alunos. Associações de caridade pediram para mandar aqueles que pediam ajuda para câmaras da morte que esperavam ver construídas. (...) Tudo isso aconteceu nos Estados Unidos anos antes da ascensão do Terceiro Reich na Alemanha” (a matança de Hitler).

Como ideia de preconceituosos malvados e sanguinários, que têm na mente apenas o sentimento para matar, a “eugenia” contaminou muitas cabeças pelo mundo. Inclusive as dos Bolsonaros no Brasil. Na época, o movimento dos Estados Unidos se espalhou e causou fascínio em Adolf Hitler. Como causa também em Bolsonaro quando ele fala de estupro, sendo possível associá-lo à loucura da “eugenia alemã” que levou ao Holocausto e ao estupro da Polônia protagonizado pela infâmia russa.

Por muito tempo a elite intelectual brasileira teve na “eugenia” uma forma de ‘higiene social’ a ser implantada. E tudo isso impressiona os Bolsonaros! Como ainda continua impressionando muitos inadvertidos médicos e biólogos sobre a hipótese de “humanos inferiores” que devem ser considerados como sendo um mal a ser combatido para que uma “raça superior” prevaleça no Brasil. Coisa de louco!

Pelos registros acadêmicos, durante toda a história da humanidade diversos povos eliminavam pessoas que nasciam com deficiência, com má-formação e também pessoas doentes.

Em 1883, nasceu, então, o termo “eugenia” (ou eugenismo, como queiram), que significa “bem nascido”, criado pelo inglês Francis Galton, primo de Charles Darwin, antropólogo, meteorologista, matemático e estatístico que o definiu como sendo o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações, seja física ou mental.

Em 1865, Galton publicou um livro intitulado “Hereditary Talent and Genius” (Hereditariedade Talento e Gênio) onde disse: “(...) as forças cegas da seleção natural, como agente propulsor do progresso, devem ser substituídas por uma seleção consciente e os homens devem usar todos os conhecimentos adquiridos pelo estudo e o processo da evolução nos tempos passados, a fim de promover o progresso físico e moral no futuro”. Ele quis dizer, em outras palavras, que deveria ser aplicado o melhoramento genético na população humana.

Um exemplo extremo de “eugenismo” ocorreu na Alemanha Nazista, comandada por Adolf Hitler, onde se almejou extinguir as “raças humanas” ditas inferiores, deixando apenas as “raças nórdicas” (os arianos) que eram consideradas como “raças superiores”, resultando na monstruosidade do Holocausto, a matança de inaptos geneticamente para continuar no convívio social.

No Brasil, a primeira entidade com essa concepção de “raça pura” foi a Sociedade Paulista de Eugenia, fundada em 1918. No 1° Congresso de Eugenismo, realizado na cidade do Rio de Janeiro em 1929, abordou-se abertamente o assunto com o tema “O Problema Eugênico da Migração”. No boletim foi proposta a exclusão das imigrações de pessoas não-brancas. No ano de 1931, criou-se a Comissão Central de Eugenismo com os seguintes objetivos:

• Manter o interesse dos estudos relacionados à questões eugênicas;

• Disseminar o ideal de regeneração física, psíquica e moral do homem;

• Prestigiar e ajudar as iniciativas científicas ou humanitárias relacionadas à eugenia.

Incentivados por incautos, os Bolsonaros começaram a admirar e a seguir a teoria da “eugenia” americana e nazista por ser definida como a ciência que trata daquelas agências sociais que influenciam, mental ou fisicamente, as qualidades raciais das futuras gerações. Carlos Bolsonaro, filho do presidente da República, é da opinião de que o Programa Bolsa-Família seja condicionado “às cirurgias de laqueadura e vasectomia para estancar a ferida econômica e ainda combater a miséria e a violência no Brasil”.

Carlos quer, com o apoio institucional do pai presidente, criar uma “raça” ao modo da família. Os Bolsonaros entendem que a “eugenia” no Brasil diminuiria o número de pobres, porque são estes a causa da violência. Para eles, com a “eugenia” implantada oficialmente haveria uma laqueadura de pobres e, também, uma laqueadura de negros para o "branqueamento" da população brasileira.

Adepto de teses nazistas, do matar para melhorar, quando deputado federal Jair Bolsonaro proferiu diversos discursos defendendo a adoção de um rígido programa de controle de natalidade, com foco especificamente nos pobres. Pelo pensamento do atual presidente da República, seria o caminho para a redução da criminalidade e da miséria.

Veja o que ele produziu em discurso proferido em 2013 na Câmara dos Deputados: “Só tem uma utilidade o pobre no nosso país: votar. Título de eleitor na mão e diploma de burro no bolso, para votar no governo que está aí. Só para isso e mais nada serve, então, essa nefasta política de bolsas do governo”. Em 1992, seu terceiro ano como deputado, ele já falava sobre o tema. “Devemos adotar uma rígida política de controle da natalidade. Não podemos mais fazer discursos demagógicos, apenas cobrando recursos e meios do governo para atender a esses miseráveis que proliferam cada vez mais por toda esta nação”.

Quem conhece o pensamento explícito de Bolsonaro não tem dúvidas de tratar-se de uma figura afeita a monstruosidades culturais e sociais. - “Defendo a pena de morte e o rígido controle de natalidade, porque vejo a violência e a miséria cada vez mais se espalhando neste país. Quem não tem condições de ter filhos não deve tê-los. É o que defendo, e não estou preocupado com votos para o futuro” – disse ele em outro discurso na Câmara dos Deputados. E foi além noutro, em julho de 2008: “Não adianta nem falar em educação porque a maioria do povo não está preparada para receber educação e não vai se educar. Só o controle da natalidade pode nos salvar do caos”.

Em algumas das vezes que abordou o assunto, Bolsonaro opinou no sentido de que os pobres, por ignorância ou na expectativa de receber ajuda do governo, não controlam o número de filhos como os mais ricos. “Tem que dar meios para quem, lamentavelmente, é ignorante e não tem meios controlar a sua prole. Porque nós aqui controlamos a nossa. O pessoal pobre não controla (a dele)” - afirmou em 2013.

Em verdade, o discurso da “eugenia” é uma prática no mundo inteiro. Sobretudo por pessoas racistas e preconceituosas. Era assim com Mussolini na Itália. E não foi diferente com Hitler na Alemanha. É, na verdade, um populismo de direita-fascista que ainda perdura e perdurará por muito tempo entre nós. Infelizmente, um “vírus” que sempre vai existir!

A “eugenia” - cita a doutrina - é o pesadelo do novo século. A idéia dos Bolsonaros é de que no Brasil possa-se chegar à melhoria da raça através da união de pessoas consideradas geneticamente superiores, enfrentando, pois, o que a Natureza fez ao modo da “criação”.

Cegos de ódio e de preconceitos, querem levar o racismo para a esfera da hereditariedade no Brasil. Acreditam piamente no “tipo criminoso” pobre e negro, identificados pelos “olhos da aparência”. 

A noção de “criminoso natural” dos Bolsonaros se tornou popular quando pesquisaram sobre as teorias sociológicas das famílias pobres que se degeneraram no seio social. Daí a ideia para pavimentar o caminho para o preconceito e o racismo tão latente na família brasileira, que se espelhou na elite norte-americana com o enaltecimento do idealismo científico do “germe plasma defeituoso”, termo criado pelo zoólogo Charles Davenport, considerado figura da maior importância no movimento eugenista e o maior especialista em eugenia dos Estados Unidos.

Por que isso? Porque para os Bolsonaros é Deus no céu e os norte-americanos na terra!

A “eugenia”, como um movimento para criar seres humanos 'melhores', teve sua raiz mais fortalecida nos Estados Unidos. E que acabou influenciando Hitler. "Muita gente associa a palavra 'eugenia' aos nazistas e ao Holocausto. Mas, isso está errado. Na verdade, Hitler aprendeu com o que os EUA haviam feito", afirma Daniel Kevles, historiador da ciência da Universidade de Yale, a terceira mais antiga instituição de ensino superior dos Estados Unidos. “A eugenia não interessou somente a cientistas maus, mas também àqueles que queriam saber como herdávamos certas características. Todo mundo era eugenista porque não sabiam dos crimes que seriam cometidos por causa dessa palavra” – avalia o historiador.

Pelos estudos de Marcus Brancaglione, em "Digressões Libertárias sobre Renda Básica, Democracia Direta, Panarquia e Ativismo Social", “os Estados Unidos têm um histórico de esterilizações forçadas entre os mais pobres, doentes mentais e minorias. (...) As vítimas da eugenia eram moradores pobres de áreas urbanas e o “lixo branco” da zona rural, da Nova Inglaterra à Califórnia, imigrantes que chegavam da Europa, negros, judeus, mexicanos, indígenas, epiléticos, alcoólatras, batedores de carteira e doentes mentais ou qualquer um que não se enquadrasse no ideal Nórdico dos loiros de olhos azuis que o movimento da eugenia glorificava. A eugenia contaminou muitas outras causas sociais, médicas e educacionais nobres, do movimento pelo controle da natalidade ao desenvolvimento da psicologia ao movimento pelo saneamento urbano. Psicólogos perseguiram seus pacientes. Professores estigmatizaram seus alunos. Associações de caridade pediram para mandar aqueles que pediam ajuda para câmaras da morte que esperavam ver construídas. (...) Tudo isso aconteceu nos Estados Unidos anos antes da ascensão do Terceiro Reich na Alemanha” (a matança de Hitler).

Como ideia de preconceituosos malvados e sanguinários, que têm na mente apenas o sentimento para matar, a “eugenia” contaminou muitas cabeças pelo mundo. Inclusive as dos Bolsonaros no Brasil. Na época, o movimento dos Estados Unidos se espalhou e causou fascínio em Adolf Hitler. Como causa também em Bolsonaro quando ele fala de estupro, sendo possível associá-lo à loucura da “eugenia alemã” que levou ao Holocausto e ao estupro da Polônia protagonizado pela infâmia russa.

Por muito tempo a elite intelectual brasileira teve na “eugenia” uma forma de ‘higiene social’ a ser implantada. E tudo isso impressiona os Bolsonaros! Como ainda continua impressionando muitos inadvertidos médicos e biólogos sobre a hipótese de “humanos inferiores” que devem ser considerados como sendo um mal a ser combatido para que uma “raça superior” prevaleça no Brasil. Coisa de louco!

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