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Brasil e as armas de Hitler

Somente o preconceito e o racismo podem justificar como uma sociedade desenvolvida e com tantos intelectuais como a alemã foi capaz de suportar e apoiar as atrocidades e as loucuras de Adolf Hitler. Hoje, a história comprova que é uma falácia afirmar que aquela sociedade não sabia de nada ou que foi ludibriada pelo Nazismo.

Hitler propôs abertamente exterminar judeus, negros e pobres com o apoio declarado da burguesia alemã. Uma atrocidade daquela magnitude não existira sem a conivência de uma sociedade elitista. Hitler acreditou e a sociedade apoiou que uma permanente luta por uma raça superior levaria a manter a “pureza” alemã, como verificamos no registro histórico do cientista político americano Daniel Goldhagen, autor do livro “Os Carrascos Voluntários de Hitler”.

A burguesia alemã nunca suportou a democracia. Um sistema de governo representativo, com o olhar voltado para a proteção social dos menos favorecidos, que buscava incentivar uma ascensão dos desafortunados. Somente por isso, todas as forças políticas burguesas eram favoráveis a um Estado autoritário. Foi ai que Hitler se aproveitou da situação - com apoio da elite - prometendo elevar cada vez mais o padrão de vida alemão. Um regime republicano que negociou a paz após a Primeira Guerra Mundial, acabou sendo marginalizado e a vitória eleitoral dos ricos com Hitler atiçou o saudosismo para a implantação de uma nova nação ainda mais poderosa. Agora com força pela força, com a arma pela arma.

Poucos sabem, e pouco há de registro histórico, mas, durante a ascensão de Adolf Hitler ao poder alemão os judeus chegaram a apoiá-lo através de um grupo chamado Associação de Judeus Nacionais Alemães. Inclusive, votaram em Hitler. Quando os judeus começaram a compreender que os discursos inflamados do ditador serviam apenas para "agitar as massas", romperam. Foi ai que entrou em ação a elite preconceituosa alemã, que incentivou Hitler a uma perseguição implacável: “Essa raça não presta!”.

A história mostra, demonstra e comprova que o ditador alemão não desarmou a população para se tornar um líder pacificador. Não! Pelo contrário! O extermínio humano começou com a “Lei da Arma” nazista de 1938, assinada por Hitler. Lei que revisou e desregrou a aquisição e a transferência de armas e a aquisição de munições. Muito mais categorias de pessoas, incluindo membros do partido nazista e privilegiados da sociedade, a burguesia, foram isentos de regulamentação da compra, da posse e do porte de armas por completo. Hitler, inclusive, baixou a idade para compra: de 20 para 18 anos; e as licenças ampliadas de um para três anos.

Preparando a nação para matar, para enfrentar adversários, muito astucioso Hitler sabia como ninguém que a arma gera violência e mais violência. Sabia também que a arma encoraja até o homem covarde,... Que passam a valentões! O nazista compreendia perfeitamente que uma população armada se sentiria valorizada, prestigiada pelo governo que elegeu empunhando a bandeira “todos por um, Deus por todos”. Ainda que tudo fosse falsidade, Adolf Hitler acabou contagiando uma sociedade para a vingança.

Oferecendo armas, exaltava: “Nossas ruas e praças estarão mais seguras; Nossas casas mais protegidas; Nossas famílias defendidas; Nossa polícia mais eficiente; E o mundo inteiro seguirá nossa liderança rumo ao futuro”. Deu no que deu!

É a mesma coisa que se dizer por aqui para nossos patrícios incautos, desinformados e imbecis: “O eleitor pediu nas ruas mais armas”; “Apenas cumpro promessa de campanha eleitoral”; “Temos que respeitar a vontade popular”;... Ou não?

Se você pretender fazer alguma comparação ou atribuir alguma semelhança com o momento tenebroso nazista com o momento brasileiro fascista apavorante, fique plenamente à vontade. O desejo é seu, a decisão é sua para usar arma. Mas, por favor, não atire! - Pais armados, filhos violentados!

O brasileiro, para justificar o desatino armamentista americano, sempre apreciou aquilo que tem nos Estados Unidos, sobretudo o que não presta.

De acordo com a “Deutsche Welle”, emissora internacional da Alemanha que produz jornalismo independente em 30 idiomas, os Estados Unidos têm o maior número de mortes por arma de fogo do mundo. Atrás apenas do Brasil. Nenhuma outra nação desenvolvida (observe o vocábulo “desenvolvida” para compreender) tem proporções tão altas como entre os americanos.

Ainda segundo aquele meio de comunicação, mais da metade (59%) das mortes por arma de fogo nos EUA em 2016, por exemplo, consistiu em suicídios. Impressionante! A taxa de suicídios por 100 mil habitantes é a trigésima do mundo. Em relação à preferência por armas como “meio para se matar”, os EUA aparecem em 2° lugar, atrás apenas da Groenlândia.

Em levantamentos científicos sérios, armas de fogo são instrumentos preferenciais de homicidas nos EUA. Elas foram usadas em 72% dos crimes registrados no país em 2017. No Brasil, a proporção foi de 71,7% em 2016. Outro dado: as ocorrências regulares de chacinas por armas de fogo nos EUA são alarmantes e incomparáveis.

A conclusão universal é de que o mundo já demonstrou - e continuam demonstrando - que posse e porte de armas de fogo não reduzem crimes. E nem induzem segurança pessoal e familiar. Pelo contrário! Elevam os homicídios e encorajam os suicídios, aumentando substancialmente o índice para matar e tirar a própria vida.

Uma pesquisa do instituto Gallup de outubro de 2018, que avaliou a opinião dos americanos sobre a venda, posse e porte de armas de fogo, mostrou que 61% deles desejam leis mais rígidas para a venda de armas. Outros 30% afirmam que as atuais são suficientes e 8% desejam legislação mais liberal. Quase 60% dos americanos também afirmaram que estão insatisfeitos com a atual legislação sobre armas. E 51% querem mais leis sobre o polêmico tema.

Mesmo diante de dados científicos que se espraiam pelo universo, em 2019, no alvorecer de um outro governo, em pleno século XXI, o Brasil - um incorrigível apreciador do que não presta nos EUA - parece pretender entrar pela contramão da história quando o assunto é arma para matar na sociedade.

Empiricamente, desde os primórdios, armas em grande circulação em qualquer sociedade por mais organizada que seja tendem a aumentar o nível de criminalidade e de violência. E o que é pior: estimula para o crime do jovem ao adulto, tudo demonstrado cientificamente de forma incontestável e inapelável, cristalinamente!

O grau de violência doméstica com assassinatos constantes de mulheres por armas de fogo no Brasil, por exemplo, tem uma significância fortíssima para qualquer reflexão séria sobre o assunto. Não se trata de demagogia, mas de ciência social, de diagnósticos periciais criminais às claras, provados e comprovados, honrados. Somente por isso é possível avaliarmos que não devemos subestimar e/ou ignorar o que será o “caos futuro” pelo relaxamento da posse e do porte de armas entre nós, ainda que com controle institucional. Uma loucura!
 

Somente o preconceito e o racismo podem justificar como uma sociedade desenvolvida e com tantos intelectuais como a alemã foi capaz de suportar e apoiar as atrocidades e as loucuras de Adolf Hitler. Hoje, a história comprova que é uma falácia afirmar que aquela sociedade não sabia de nada ou que foi ludibriada pelo Nazismo.

Hitler propôs abertamente exterminar judeus, negros e pobres com o apoio declarado da burguesia alemã. Uma atrocidade daquela magnitude não existira sem a conivência de uma sociedade elitista. Hitler acreditou e a sociedade apoiou que uma permanente luta por uma raça superior levaria a manter a “pureza” alemã, como verificamos no registro histórico do cientista político americano Daniel Goldhagen, autor do livro “Os Carrascos Voluntários de Hitler”.

A burguesia alemã nunca suportou a democracia. Um sistema de governo representativo, com o olhar voltado para a proteção social dos menos favorecidos, que buscava incentivar uma ascensão dos desafortunados. Somente por isso, todas as forças políticas burguesas eram favoráveis a um Estado autoritário. Foi ai que Hitler se aproveitou da situação - com apoio da elite - prometendo elevar cada vez mais o padrão de vida alemão. Um regime republicano que negociou a paz após a Primeira Guerra Mundial, acabou sendo marginalizado e a vitória eleitoral dos ricos com Hitler atiçou o saudosismo para a implantação de uma nova nação ainda mais poderosa. Agora com força pela força, com a arma pela arma.

Poucos sabem, e pouco há de registro histórico, mas, durante a ascensão de Adolf Hitler ao poder alemão os judeus chegaram a apoiá-lo através de um grupo chamado Associação de Judeus Nacionais Alemães. Inclusive, votaram em Hitler. Quando os judeus começaram a compreender que os discursos inflamados do ditador serviam apenas para "agitar as massas", romperam. Foi ai que entrou em ação a elite preconceituosa alemã, que incentivou Hitler a uma perseguição implacável: “Essa raça não presta!”.

A história mostra, demonstra e comprova que o ditador alemão não desarmou a população para se tornar um líder pacificador. Não! Pelo contrário! O extermínio humano começou com a “Lei da Arma” nazista de 1938, assinada por Hitler. Lei que revisou e desregrou a aquisição e a transferência de armas e a aquisição de munições. Muito mais categorias de pessoas, incluindo membros do partido nazista e privilegiados da sociedade, a burguesia, foram isentos de regulamentação da compra, da posse e do porte de armas por completo. Hitler, inclusive, baixou a idade para compra: de 20 para 18 anos; e as licenças ampliadas de um para três anos.

Preparando a nação para matar, para enfrentar adversários, muito astucioso Hitler sabia como ninguém que a arma gera violência e mais violência. Sabia também que a arma encoraja até o homem covarde,... Que passam a valentões! O nazista compreendia perfeitamente que uma população armada se sentiria valorizada, prestigiada pelo governo que elegeu empunhando a bandeira “todos por um, Deus por todos”. Ainda que tudo fosse falsidade, Adolf Hitler acabou contagiando uma sociedade para a vingança.

Oferecendo armas, exaltava: “Nossas ruas e praças estarão mais seguras; Nossas casas mais protegidas; Nossas famílias defendidas; Nossa polícia mais eficiente; E o mundo inteiro seguirá nossa liderança rumo ao futuro”. Deu no que deu!

É a mesma coisa que se dizer por aqui para nossos patrícios incautos, desinformados e imbecis: “O eleitor pediu nas ruas mais armas”; “Apenas cumpro promessa de campanha eleitoral”; “Temos que respeitar a vontade popular”;... Ou não?

Se você pretender fazer alguma comparação ou atribuir alguma semelhança com o momento tenebroso nazista com o momento brasileiro fascista apavorante, fique plenamente à vontade. O desejo é seu, a decisão é sua para usar arma. Mas, por favor, não atire! - Pais armados, filhos violentados!

O brasileiro, para justificar o desatino armamentista americano, sempre apreciou aquilo que tem nos Estados Unidos, sobretudo o que não presta.

De acordo com a “Deutsche Welle”, emissora internacional da Alemanha que produz jornalismo independente em 30 idiomas, os Estados Unidos têm o maior número de mortes por arma de fogo do mundo. Atrás apenas do Brasil. Nenhuma outra nação desenvolvida (observe o vocábulo “desenvolvida” para compreender) tem proporções tão altas como entre os americanos.

Ainda segundo aquele meio de comunicação, mais da metade (59%) das mortes por arma de fogo nos EUA em 2016, por exemplo, consistiu em suicídios. Impressionante! A taxa de suicídios por 100 mil habitantes é a trigésima do mundo. Em relação à preferência por armas como “meio para se matar”, os EUA aparecem em 2° lugar, atrás apenas da Groenlândia.

Em levantamentos científicos sérios, armas de fogo são instrumentos preferenciais de homicidas nos EUA. Elas foram usadas em 72% dos crimes registrados no país em 2017. No Brasil, a proporção foi de 71,7% em 2016. Outro dado: as ocorrências regulares de chacinas por armas de fogo nos EUA são alarmantes e incomparáveis.

A conclusão universal é de que o mundo já demonstrou - e continuam demonstrando - que posse e porte de armas de fogo não reduzem crimes. E nem induzem segurança pessoal e familiar. Pelo contrário! Elevam os homicídios e encorajam os suicídios, aumentando substancialmente o índice para matar e tirar a própria vida.

Uma pesquisa do instituto Gallup de outubro de 2018, que avaliou a opinião dos americanos sobre a venda, posse e porte de armas de fogo, mostrou que 61% deles desejam leis mais rígidas para a venda de armas. Outros 30% afirmam que as atuais são suficientes e 8% desejam legislação mais liberal. Quase 60% dos americanos também afirmaram que estão insatisfeitos com a atual legislação sobre armas. E 51% querem mais leis sobre o polêmico tema.

Mesmo diante de dados científicos que se espraiam pelo universo, em 2019, no alvorecer de um outro governo, em pleno século XXI, o Brasil - um incorrigível apreciador do que não presta nos EUA - parece pretender entrar pela contramão da história quando o assunto é arma para matar na sociedade.

Empiricamente, desde os primórdios, armas em grande circulação em qualquer sociedade por mais organizada que seja tendem a aumentar o nível de criminalidade e de violência. E o que é pior: estimula para o crime do jovem ao adulto, tudo demonstrado cientificamente de forma incontestável e inapelável, cristalinamente!

O grau de violência doméstica com assassinatos constantes de mulheres por armas de fogo no Brasil, por exemplo, tem uma significância fortíssima para qualquer reflexão séria sobre o assunto. Não se trata de demagogia, mas de ciência social, de diagnósticos periciais criminais às claras, provados e comprovados, honrados. Somente por isso é possível avaliarmos que não devemos subestimar e/ou ignorar o que será o “caos futuro” pelo relaxamento da posse e do porte de armas entre nós, ainda que com controle institucional. Uma loucura!
 

Governo tosco, rude e indigente Deputados – Prisão e Condenação

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