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Pobreza absoluta aumenta em todo o Brasil; no Piauí dobra, diz jornal

Reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal Valor informa que o Piauí está entre os nove estados brasileiros em que a extrema pobreza teve um grande aumento. No Piauí, segundo o jornal, dobrou o número de famílias vivendo na miséria entre 2014 e 2017 – período que cobre os mandatos de Dilma Roussef (PT) e Michel Temer (MDB). 

Com base em dados da consultoria Tendências, o Valor informa que, além do Piauí, estão nessa condição de um brutal aumento da miséria os estados da Bahia e Sergipe. Também no Acre houve um aumento substancial da miséria em quatro anos.

O aumento da pobreza extrema em todo o país decorre da recessão, que eliminou empregos formais. No caso do Nordeste, agravada também pela redução de investimentos públicos em face de programa de ajuste fiscal da União, conforme informa o economista Adriano Pitoli, diretor da consultoria Tendência, citada pelo Valor.

(Foto: Reprodução)

Em somente duas das 27 unidades da Federação a miséria não avançou: Paraíba, que teve um recuo de 6,4% para 5,7% e Tocantins (de 5,4% para 4,3%). Mas o jornal adverte que esse movimento pode estar mais ligado a fatores de amostragem.

Entre os dez Estados com maior proporção de famílias vivendo em situação de miséria no país, oito ficam no Nordeste.

Uma família em situação de extrema pobreza tem renda domiciliar per capita abaixo de R$ 85 (valor de 2017) – critério adotado pela Tendências com baseado no Plano Brasil Sem Miséria, definido por decreto em 2016 - referência do Bolsa Família.

O Estado que lidera esse ranking de extrema pobreza do país é o Maranhão – uma situação incômoda que persiste nos últimos sete anos, início da série histórica levantada pela consultoria. Do total de famílias maranhenses, 12,2% viviam com menos do que R$ 85 por pessoa no ano passado. Quatro anos antes, o indicador era de 8,7%.

Contudo, foi na Bahia que a miséria cresceu mais rapidamente. A proporção de famílias nessa situação dobrou em quatro anos, saindo de 4,8% em 2014 para 9,8% no ano passado. Isso empurrou a Bahia da 12ª posição para a terceira entre os Estados com maior índice de pessoas vivendo em extrema pobreza.

Além do Maranhão e da Bahia, Sergipe chamou atenção por ter também mais do que dobrado o percentual de famílias vivendo na pobreza extrema –  de 4,1% em 2014 para 8,9% no ano passado, saltando da 13ª para a sexta posição do ranking.

Adriano Pitoli, diretor da consultoria Tendência, explica que a piora da pobreza no Nordeste reflete tanto as particularidades da região quanto a crise do país, que afetou o emprego especialmente de setores que ocupavam mão de obra de menor qualificação, como comércio e serviços.

Segundo a explicação de Pitoli, de 2004 a 2013, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 4% em média ao ano. Nesse período, a renda das famílias cresceu 5,8%, e as vendas do varejo, ainda mais, em 8,1% ano. Esse boom de consumo gerou empregos no comércio e nos serviços.

Ele diz que foi o aumento da massa salarial, pelo aumento do emprego formal, que mais ajudou a reduzir a pobreza. "O Bolsa Família e o reajuste do salário mínimo podem ter ajudado, mas a redução da pobreza se deu pelo emprego nesses setores. Esses empregos foram, inclusive, os que mais sofreram durante a crise e que agora começaram a se recuperar", disse.

A piora acentuada no Nordeste também se explica pelo fim de um ciclo de investimentos e direcionamento de recursos públicos para a região. Com a crise fiscal do país, o Nordeste passou a receber menos estímulos estatais, como as grandes obras de infraestrutura, de refinarias a estaleiro. Existiria, portanto, uma "ressaca" econômica local.

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