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Daria uma crônica

Em 1952, morávamos em Matões. Foi um ano de terrível seca. Sobrevivemos. 

Nossa mãe era agente dos Correios e Telégrafos na cidade. Adoeceu , talvez até mesmo pela escassez de alimentos na cidade. Queria vir à Teresina, como se diz no popular, se tratar. O chefe político e homem mais rico da cidade, o senhor Antenor Pereira de Brito, “seu Dozim”, a aconselhou : “Vá não, dona Adelina, aqui em Matões, pés de manga é o que não falta, mas não se morre de fome não”. 

Há quem diga que a história não se repete, não acreditamos em tal assertiva. 

Pois não é que após 67 anos, uma ministra de Estado do governo Bolsonaro, a senhora Tereza Cristina da Agricultura, declarou à imprensa na semana passada, que o sustento do povo brasileiro está garantido porque “nossas cidades abundam de pés de manga, dessas que provavelmente dão o ano inteiro, e que estão ao alcance de qualquer braço e podem ser chupadas ao pé da árvore, usando-se o chafariz mais próximo para lavar a deliciosa lambança que produzem”.

Esse é ou não é um governo de insanos?

Em 1952, morávamos em Matões. Foi um ano de terrível seca. Sobrevivemos. 

Nossa mãe era agente dos Correios e Telégrafos na cidade. Adoeceu , talvez até mesmo pela escassez de alimentos na cidade. Queria vir à Teresina, como se diz no popular, se tratar. O chefe político e homem mais rico da cidade, o senhor Antenor Pereira de Brito, “seu Dozim”, a aconselhou : “Vá não, dona Adelina, aqui em Matões, pés de manga é o que não falta, mas não se morre de fome não”. 

Há quem diga que a história não se repete, não acreditamos em tal assertiva. 

Pois não é que após 67 anos, uma ministra de Estado do governo Bolsonaro, a senhora Tereza Cristina da Agricultura, declarou à imprensa na semana passada, que o sustento do povo brasileiro está garantido porque “nossas cidades abundam de pés de manga, dessas que provavelmente dão o ano inteiro, e que estão ao alcance de qualquer braço e podem ser chupadas ao pé da árvore, usando-se o chafariz mais próximo para lavar a deliciosa lambança que produzem”.

Esse é ou não é um governo de insanos?

Extrema pobreza, extrema Sem rumo

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