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Um país que disse não

Os mais de 57 milhões de votos que a nação brasileira deu no dia de ontem ao candidato Jair Bolsonaro reveste-se de um simbolismo extraordinário, simbolismo este, que está  a expressar um repúdio total e absoluto a tudo o que tem sido feito pela classe dirigente desse país, em desfavor da gente brasileira.

Na verdade, a população cansou de ser ludibriada, escorchada, humilhada,  vilipendiada, escarnecida, esbulhada etc etc etc em seus mais comezinhos direitos, e  resolveu de forma deliberada e consciente  por fim a esse verdadeiro Estado Cartorial. 

O cientista político e pensador recentemente falecido, Hélio Jaguaribe, em um dos seus escritos, cunhou a expressão Estado Cartorial, em artigo publicado no Jornal do Comércio de 14/05/1950, com o título  "Política ideológica e política de clientela" , 

Diz Helio Jaguaribe, "entende-se por Estado Cartorial basicamente, um Estado caracterizado pelo fato de que as funções públicas, embora se apresentando como atividades orientadas para a prestação de determinados serviços, ou seja, determinados  serviços públicos são  na verdade, utilizadas, senão concebidas para assegurar empregos e vantagens  específicas a determinadas pessoas e grupos.  O Estado Cartorial é o resultado típico da 'política de clientela'  quando está atinge amplas proporções e permeia o Estado em seu conjunto".

Ao Estado Cartorial, continua Hélio Jaguaribe, se opõe o Estado funcional, cujas atividades se acham efetivamente orientadas para o exercício de funções públicas,  buscando, segundo princípios racionais e critérios de eficiência, assegurar da melhor forma e de acordo com o regime social vigente, o atendimento das necessidades coletivas e a manutenção do próprio Estado.

Nada mais atual.

É isso.

Bolsonaro e o Nordeste A utopia das utopias

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