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Day after

Nos anos 80, um filme de enorme impacto chamado “O dia seguinte” (“Day after”, na grafia em inglês) contava como seria o mundo após um ataque nuclear recíproco entre as duas superpotências – Estados Unidos e União Soviética. Não que tal impacto ocorrerá no Brasil amanhã, o dia seguinte a uma eleição surpreendente, em que dois candidatos de espectros ideológicos extremados devem se enfrentar no segundo turno, mas o impacto será grande o bastante para alterar muitas das percepções políticas que temos até aqui. Tragam-se os efeitos para nosso quintal: até agora, somente houve campanha formal para o candidato que as pesquisas apontam como o segundo colocado, Fernando Haddad. O primeiro colocado nas pesquisas, Jair Bolsonaro, se move por uma inércia como nunca se viu na história eleitoral do país: a sua campanha tem motor próprio, mas certamente os políticos tradicionais ou convencionais devem se incorporar à campanha em segundo turno. Mais que isso: uma vitória provável demais do candidato antissistema o obriga a buscar a ter apoio no Congresso, onde já costura alianças com as bancadas postas acima dos partidos (ruralistas, evangélicos, “bancada da bala”). Só que o apoio deve seguir o padrão de sempre, com a ocupação de espaços administrativos. Ou seja, esse segundo turno pode obrigar os congressistas eleitos a atuar mais para não ferir seus interesses que para defender os interesses dos dois candidatos que buscam votos.


Ciro Nogueira e Wilson Martins devem ser eleitos hoje para o Senado (Imagens: Portal AZ)

Pá de cal 1

A pesquisa do Ibope, ontem, que mostra Ciro Nogueira isolado em 1º lugar e Wilson Martins (PSB) a oito pontos de distância do terceiro colocado, Marcelo Castro, do MDB, praticamente sela o destino das duas vagas de senador para os dois primeiro colocados na disputa.

Pá de cal 2

No Maranhão, a reeleição de Edison Lobão (MDB) é praticamente uma vã esperança, de acordo com a última pesquisa do Ibope. Os candidatos a senador apoiados por Flávio Dino (PCdoB) lideram as intenções de voto: Weverton Rocha (PDT) tem 35% e Eliziane Gama (PPS), 34%. Lobão (25%) e Sarney Filho (24%), do PV, estão dez pontos atrás.

Novato novinho

Se confirmadas as pesquisas, Alagoas deve mandar para o Senado o mais jovem dos integrantes da Casa: Rodrigo Cunha (PSDB). Ele tem 37 anos. Vinte anos atrás, quando era um adolescente de 17 anos, sua mãe, a deputada federal eleita Ceci Cunha foi assassinada a mando do primeiro suplente, Talvane Albuquerque.

Mais do mesmo

O movimento espontâneo do eleitor em direção a Jair Bolsonaro se move pelo antipetismo e pela rejeição à política convencional. Assim, se o líder das pesquisas vier a ser eleito, precisará se desdobrar para convencer seus eleitores que não é mais do mesmo – sendo que o é.

Muita fé

Tanto tucanos quanto partidários de Dr. Pessoa estavam ontem bem animados. Eles desacreditam nos números de pesquisas eleitorais e apostam em um segundo turno. Os tucanos imaginam que a estrutura no interior pode garantir o lugar para Luciano Nunes.

Time unido?

O slogan da campanha de Wellington é o time unido. Mas veja so, deve ser aquele time de união litigiosa. 
Basta ver que ontem, no salão social, do sempre gentil Amadeu, estavam no mesmo espaço Themístocles Filho e o botafoguense Assis Carvalho. 
Nem se cumprimentaram.

“Ajuste”

Sobre os números da pesquisa Ibope em que Luciano saiu de 7% para15% dos votos válidos, entre 28 de agosto e 6 de setembro, um tucano de alta plumagem disse que esses números sempre estiveram lá. Teria havido um “ajuste”.

Listas 1

O fundo eleitoral, usado pelos partidos para destinar recursos a candidatos nos Estados, mostrou que, na prática, este ano se teve uma espécie de “voto de lista”, sistema pelo qual as hierarquias partidárias definem quem aparece em primeiro ligar numa relação de candidatos, sendo estes os eleitos.

Listas 2

Os partidos usaram o critério da densidade eleitoral dos candidatos para distribuir os recursos, além da posição de cada num no comando partidário. Assim, no Piauí os recursos do fundo foram parar nas campanhas de quem comanda os partidos e tem ou teve mais votos em eleições anteriores.

Só um

Tem partido que nem precisa esforço para organizar a lista porque os candidatos a deputado federal fazem parte do bloco do eu sozinho: DEM (Heráclito Fortes), PCB (José Rodrigues), PSTU (Douglas Moraes), PCdoB (Isadora), PR (Fabio Abreu), PDT (Flávio Nogueira), PSD (Júlio César), PPL (Rony Dalila).

Multidão

Neste cenário de partidos com um só candidato a deputado, partidos nanicos lançam uma multidão na chapa para a Câmara. O PRP lançou 10 postulantes, o PV, nove, o PRTB e a DC, oito, o PSOL, sete, mesmo número de concorrente do PSDB e do PT.

Ping-Pong 

De jeito nenhum

Francisco Figueiredo de Mesquita, que fazia oposição nos anos 60, mas nunca foi comunista (muito pelo contrário), era sempre chamado a comparecer à 26ª Circunscrição do Serviço Militar quando havia mudança de comando. Numa dessas visitas, comparece envergando um paletó quadriculado e é recebido por um major com cara de poucos amigos.

O major: “Senhor Figueiredo, eu não gosto de homens que vestem paletó quadriculado...”
Figueiredo: “Major, pois eu não gosto de homem é de jeito nenhum”.

Expressas 

O partido de Jair Bolsonaro, o PSL, deve sair a eleição proporcional com uma votação pífia.

No Piauí, nenhum nome do partido tem uma chance que seja de ocupar vagas na Câmara ou Assembleia.

O PTC poderá, como na eleição passada, fazer dois deputados estaduais. O PR peleja para ter igual número de vagas.

Jair se acostumando Um retrato de domingo

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