Editorias
  1. AZ Esporte
  2. Sem apoio, equipe piauiense de basquete quer se manter na primeira divisão do Brasileiro
Publicidade

Sem apoio, equipe piauiense de basquete quer se manter na primeira divisão do Brasileiro

Equipe piauiense precisa de volume de jogos para chegar bem ao campeonato nacional

Fotos: Wilson Nanaia
 

Em 2017 a equipe do CBA 40 graus vivenciou uma felicidade única. Após um jogo duro contra o time do Distrito Federal, os piauienses ficaram com a segunda colocação e conquistaram o acesso para a primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Em 2018 a mesma alegria acabou voltando a um ponto comum do esporte piauiense: a falta de apoio. 

Com o acesso, o CBA 40 graus voltou a ter a mesma gloria que teve em 2013 quando disputou a primeira divisão. Estando entre as doze melhores equipes do país, era de se esperar uma estrutura. O time conta com local fixo de treinos, mas a estrutura relacionada a equipamentos e intercambio com outras equipes é hoje uma realidade muito distante. Sem apoio, o time não consegue trazer os reforços necessários além de ficar atrás das outras equipes em relação ao numero de jogos preparatórios. 

Carlinhos

- A dificuldade ela está agora maior, por que somos primeira divisão novamente. Estamos na elite do basquete brasileiro. E as nossas condições no momento não condizem com o a equipe que supostamente esta entre as doze melhores do Brasil. Estamos com dificuldades nos equipamentos, dificuldades com recursos financeiros para custear despesas com relação ao campeonato e com relação a trazer reforços para ajudar a nossa equipe. Jogamos em 2013 e vimos que é muito difícil, o nível é muito alto, muito elevado. As equipes de São Paulo jogam cerca de cinquenta jogos por ano e a gente quando vai para o Brasileiro é que realiza os jogos oficiais. Realizamos por ano, no máximo, de sete a oito jogos. Então essa questão do intercambio é uma coisa muito importante e que nós não estamos realizando por essas dificuldades, afirmou o treinador, Carlinhos Cavalcante.

Sem apoio, ter reconhecimento parece algo distante demais. Não foi o caso de Marciel Borges. O paratleta foi convocado para um período de treinamentos junto a seleção brasileira em fevereiro deste ano. Marciel foi um dos atletas a disputar a primeira divisão em 2013. Com experiência no basquete em cadeira de rodas, Marciel destacou seu aprendizado com a seleção e pontos a parte que vem dificultando a participação dos atletas no Brasileiro de 2018.

- Lá na seleção eles sempre trabalham a mentalidade do atleta. Eles dizem que muitas vezes é melhor você usar a mente, a cabeça, do que os braços. Então isso foi o que eu guardei e eu venho aqui mesmo no treinamento mostrando um pouco do meu aprendizado. Nessa competição do brasileiro acho que eu vou conseguir mostrar um pouco. Financeiramente esta atingindo a equipe. Por que os atletas estão desmotivados. Nós temos que manter um ritmo, mas muitos estão desmotivando por falta desse patrocínio, pois os times lá fora jogam o ano todo, avaliou. 

Marciel Borges

Sem ter como disputar competições durante o ano, o time ainda não conseguiu avaliar seu desempenho para disputar a competição nacional. Estar na elite pode ser para eles algo motivador e desmotivador ao mesmo tempo. Natural de Belém do Pará, Elielson Sousa fez do basquete em cadeira de rodas seu lugar. Ele foi um dos atletas que disputaram a final da segunda divisão em 2017. Mesmo com todas as dificuldades, estar entre os atletas da equipe é um dos principais incentivos e motivo de agradecimento pelo atleta. 

- Para mim é um felicidade estar aqui treinando pela equipe do Piauí. Gosto muito dessa galera, para mim é felicidade. Meu sonho é conquistar a primeira divisão. Não vai ser fácil não. Vamos treinar sem férias. Se esforçar para levar essa medalha. Agora vamos botar quente, afirmou. 

 

Elieslon

A primeira divisão do Campeonato Brasileiro em Cadeira de Roda vai acontecer em janeiro de 2019. Na primeira vez que os piauienses disputaram a competição, fizeram quatro jogos sem somar nenhuma vitória. Ao longo dos anos, o time se manteve nas outras divisões e no ano passado conseguiu o retorno a elite. Mantendo atletas e buscando motivação, o treinador Carlinhos sabe muito bem qual a característica do time que nunca deixou de existir. 

- Mudou muita coisa, principalmente a consciência da nossa equipe de que a gente é superação, a equipe é superação desde que foi fundada. E essa superação só aumenta, como agora. Ano passado nós fizemos um final de segunda divisão contra a equipe do Distrito Federal que era à base da seleção brasileira Sub23, onde eles tinham acabado de chegar do Canadá. Então isso ai mostra o nível que nossa equipe tem com essa questão da superação. De estarmos entre os melhores, mesmo não tendo a estrutura que os melhores tem, destacou. 

Atualmente, para manter bom desempenho, o time se divide em preparação tática na quadra do SESC e ao final de semana, os atletas realizam a pratica da canoagem para fortalecimento. Se o CB 40 graus demostra superação, vontade e principalmente luta contra o a desmotivação, falta a eles apenas o incentivo necessário para nunca deixar de lado a felicidade de estar entre os doze melhores do país. 
 

Publicidade