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Ridículo tirano

A postagem de um vídeo pornográfico pelo presidente Jair Bolsonaro no Twitter na terça-feira (05) de carnaval coloca-o numa situação difícil perante a Constituição pelo fato de sua atitude configurar quebra de decoro. Um presidente da República, quando toma posse presta juramento à Constituição prometendo respeitá-la assim como honrar o cargo que vai exercer. O gesto causou grande repercussão e reações de quem teve acesso, até mesmo de eleitores do próprio presidente da República.

Jair Bolsonaro (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Um presidente da República até tem o direito de utilizar as redes sociais para buscar um canal de comunicação com a sociedade através de seguidores pelo twiter ou os grupos de WhatsApp, mas isso num plano de discussão sobre os problemas do país e suas soluções. Nunca baixar o nível ao ponto de agir de maneira incompatível com o cargo para o qual foi eleito. O exercício de um cargo como o de presidente obriga o ocupante a  exercê-lo seguindo uma liturgia sem se desviar dela.

O artigo 85 da Constituição, que trata dos crimes de responsabilidade do presidente da República, prevê no inciso VII punição quando ele atentar contra o cumprimento das leis e das decisões judiciais. A Lei 1.079 define como crime proceder o presidente de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo. A atitude de Jair Bolsonaro, com a postagem do vídeo pornográfico, o coloca ao alcance da norma que ele deveria seguir quando prestou o juramento constitucional no dia de sua posse.

Nas eleições presidenciais do ano passado, o eleitorado brasileiro deu a Bolsonaro cerca de 58 milhões de votos e só agora, depois de empossado e no exercício do mandato, o país começa a conhecê-lo, quando isso deveria ter acontecido no período da campanha eleitoral. Como se recusou a participar dos debates, mesmo depois de se recuperar do atentado sofrido no início da campanha, especialmente no segundo turno, o país se obrigou a votar num candidato que tem a bravata como discurso.

Ausente dos debates na campanha em que os temas estão associados às grandes questões nacionais, Bolsonaro está mostrando agora o quanto é vazio de conteúdo intelectual e de conhecimento sobre metas e políticas de estado e de governo. Sem o perfil de um governante voltado para a elaboração de programas de metas, só resta a ele se voltar para assuntos pueris e vulgares que não são compatíveis com a postura do ocupante de um cargo relevante como o de presidente da República.

O problema de Jair Bolsonaro é que ele não reconhece ter um perfil bem abaixo do exigido para o exercício do cargo. Se tivesse humildade para admitir ser despreparado para a função, poderia escolher uma assessoria onde tudo o que fosse dizer escrever ou adotar uma postura se aconselhasse com ela, como fazem os presidentes dos EUA. No entanto, destituído de qualquer sentimento de humildade, Jair Bolsonaro prefere manter arrogância e as atitudes autoritárias adquiridas na formação militar para mostrar aos que o idolatram que a bravata é a maior virtude de um governante. Porem, ele não passa de um ridículo tirano.
 

A postagem de um vídeo pornográfico pelo presidente Jair Bolsonaro no Twitter na terça-feira (05) de carnaval coloca-o numa situação difícil perante a Constituição pelo fato de sua atitude configurar quebra de decoro. Um presidente da República, quando toma posse presta juramento à Constituição prometendo respeitá-la assim como honrar o cargo que vai exercer. O gesto causou grande repercussão e reações de quem teve acesso, até mesmo de eleitores do próprio presidente da República.

Jair Bolsonaro (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Um presidente da República até tem o direito de utilizar as redes sociais para buscar um canal de comunicação com a sociedade através de seguidores pelo twiter ou os grupos de WhatsApp, mas isso num plano de discussão sobre os problemas do país e suas soluções. Nunca baixar o nível ao ponto de agir de maneira incompatível com o cargo para o qual foi eleito. O exercício de um cargo como o de presidente obriga o ocupante a  exercê-lo seguindo uma liturgia sem se desviar dela.

O artigo 85 da Constituição, que trata dos crimes de responsabilidade do presidente da República, prevê no inciso VII punição quando ele atentar contra o cumprimento das leis e das decisões judiciais. A Lei 1.079 define como crime proceder o presidente de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo. A atitude de Jair Bolsonaro, com a postagem do vídeo pornográfico, o coloca ao alcance da norma que ele deveria seguir quando prestou o juramento constitucional no dia de sua posse.

Nas eleições presidenciais do ano passado, o eleitorado brasileiro deu a Bolsonaro cerca de 58 milhões de votos e só agora, depois de empossado e no exercício do mandato, o país começa a conhecê-lo, quando isso deveria ter acontecido no período da campanha eleitoral. Como se recusou a participar dos debates, mesmo depois de se recuperar do atentado sofrido no início da campanha, especialmente no segundo turno, o país se obrigou a votar num candidato que tem a bravata como discurso.

Ausente dos debates na campanha em que os temas estão associados às grandes questões nacionais, Bolsonaro está mostrando agora o quanto é vazio de conteúdo intelectual e de conhecimento sobre metas e políticas de estado e de governo. Sem o perfil de um governante voltado para a elaboração de programas de metas, só resta a ele se voltar para assuntos pueris e vulgares que não são compatíveis com a postura do ocupante de um cargo relevante como o de presidente da República.

O problema de Jair Bolsonaro é que ele não reconhece ter um perfil bem abaixo do exigido para o exercício do cargo. Se tivesse humildade para admitir ser despreparado para a função, poderia escolher uma assessoria onde tudo o que fosse dizer escrever ou adotar uma postura se aconselhasse com ela, como fazem os presidentes dos EUA. No entanto, destituído de qualquer sentimento de humildade, Jair Bolsonaro prefere manter arrogância e as atitudes autoritárias adquiridas na formação militar para mostrar aos que o idolatram que a bravata é a maior virtude de um governante. Porem, ele não passa de um ridículo tirano.
 

O risco das velhas caras no governo Uma eleição que promete