1. Blogs
  2. Opinião
  3. Razões e ações para salvar o centro histórico de Teresina
Publicidade

Razões e ações para salvar o centro histórico de Teresina

Quem já viajou na região onde vivem os bérberes sabe exatamente que só um povo com uma cultura muito sedimentada consegue viver naquela terra e daquela forma.

Cine Rex em Teresina (Foto: reprodução internet)

As pessoas que vivem em situação de rua têm “vontade própria” e adquirem costumes que, ao longo dos anos, vão se sedimentando e que os fazem ser livres. Muitos têm oportunidades de saírem daquele mundo, mas muitos retornam.

Já escrevi sobre Medelin na Colômbia, na época de glória de Pablo Escobar. O Centro Histórico de Medelín era ocupado pelos moradores em situação de rua e provocava medo nas pessoas e, portanto, não era frequentado pela comunidade.

Hoje, podemos observar (estive lá em 2018) que, aos domingos e feriados, as famílias vão para o centro comer, beber, fazer compras ou apenas passear.

Loisima Barbosa Bacelar Miranda Schiess é juíza do Trabalho aposentada (Foto: arquivo pessoal)

Já estive em vários países nos cinco continentes e percebi que todas as cidades civilizadas mantêm seu Centro Histórico, pois ali está sua cultura, sua riqueza arquitetônica, sua culinária, em suma, sua história.

Quando cheguei em Teresina, há 40 anos, a zona leste era apenas uma área residencial e no centro estavam estabelecidos os órgãos públicos, comércio e alguns restaurantes.

O que tem acontecido nos últimos anos?

Nossas autoridades federais, estaduais e municipais passaram (uma grande maioria) a morar na Zona Leste e, por questões de absoluta ordem pessoal (com raríssimas exceções), começaram a transferir os serviços antes realizados no centro, para a zona leste. Muitos, como por exemplo a Procuradoria da República e Tribunal Regional do Trabalho, chegaram ao cúmulo de construir prédios em local de difícil acesso aos verdadeiros usuários de seus serviços, “data vênia”.

Grande parte dos serviços públicos deixou seus prédios próprios e alugam prédios privados na zona leste.

Enfim, todos os poderes, municipais, estaduais e federais, são culpados pelo abandono de nosso Centro Histórico. So falta mesmo tirar o Palácio de Karnak, a Prefeitura Municipal e a Igreja de São Benedito do centro.

Ao longo dos anos, o terreno para os “mendigos”, atuais “moradores em situação de rua”, foi sendo firme e continuamente preparado 

A intenção do nosso prefeito municipal é muitíssimo boa (pois ele sabe que essa população não aceitará ser transferida para a periferia), mas, ao fim e ao cabo, não ajudará nem aos “mendigos” nem ao Centro Histórico e trará um grande prejuízo para a única coisa que funciona ainda no centro, nosso pequeníssimo parque cultural.

Senhor prefeito, meus parabéns pela preocupação com o Centro! Já é um sinal muito claro que o senhor quer fazer algo benéfico para nossa cidade. Mas criando um gueto oficializado no nosso Centro Histórico não vai resolver absolutamente nada.

O Centro precisa ser revitalizado e isso ocorrerá se trouxermos os serviços públicos para lá e fizermos um trabalho de gigante para conservarmos casas, como, por exemplo, a de Dona Genu Moraes (que ainda está em pé)e outras que estão sendo destruídas diariamente com a irresponsável indiferença de nossos gestores.

Abraço grande e muita sorte aos nossos novos gestores.

(*) Loisima Barbosa Bacelar Miranda Schiess é juíza do Trabalho aposentada.

Quem já viajou na região onde vivem os bérberes sabe exatamente que só um povo com uma cultura muito sedimentada consegue viver naquela terra e daquela forma.

Cine Rex em Teresina (Foto: reprodução internet)

As pessoas que vivem em situação de rua têm “vontade própria” e adquirem costumes que, ao longo dos anos, vão se sedimentando e que os fazem ser livres. Muitos têm oportunidades de saírem daquele mundo, mas muitos retornam.

Já escrevi sobre Medelin na Colômbia, na época de glória de Pablo Escobar. O Centro Histórico de Medelín era ocupado pelos moradores em situação de rua e provocava medo nas pessoas e, portanto, não era frequentado pela comunidade.

Hoje, podemos observar (estive lá em 2018) que, aos domingos e feriados, as famílias vão para o centro comer, beber, fazer compras ou apenas passear.

Loisima Barbosa Bacelar Miranda Schiess é juíza do Trabalho aposentada (Foto: arquivo pessoal)

Já estive em vários países nos cinco continentes e percebi que todas as cidades civilizadas mantêm seu Centro Histórico, pois ali está sua cultura, sua riqueza arquitetônica, sua culinária, em suma, sua história.

Quando cheguei em Teresina, há 40 anos, a zona leste era apenas uma área residencial e no centro estavam estabelecidos os órgãos públicos, comércio e alguns restaurantes.

O que tem acontecido nos últimos anos?

Nossas autoridades federais, estaduais e municipais passaram (uma grande maioria) a morar na Zona Leste e, por questões de absoluta ordem pessoal (com raríssimas exceções), começaram a transferir os serviços antes realizados no centro, para a zona leste. Muitos, como por exemplo a Procuradoria da República e Tribunal Regional do Trabalho, chegaram ao cúmulo de construir prédios em local de difícil acesso aos verdadeiros usuários de seus serviços, “data vênia”.

Grande parte dos serviços públicos deixou seus prédios próprios e alugam prédios privados na zona leste.

Enfim, todos os poderes, municipais, estaduais e federais, são culpados pelo abandono de nosso Centro Histórico. So falta mesmo tirar o Palácio de Karnak, a Prefeitura Municipal e a Igreja de São Benedito do centro.

Ao longo dos anos, o terreno para os “mendigos”, atuais “moradores em situação de rua”, foi sendo firme e continuamente preparado 

A intenção do nosso prefeito municipal é muitíssimo boa (pois ele sabe que essa população não aceitará ser transferida para a periferia), mas, ao fim e ao cabo, não ajudará nem aos “mendigos” nem ao Centro Histórico e trará um grande prejuízo para a única coisa que funciona ainda no centro, nosso pequeníssimo parque cultural.

Senhor prefeito, meus parabéns pela preocupação com o Centro! Já é um sinal muito claro que o senhor quer fazer algo benéfico para nossa cidade. Mas criando um gueto oficializado no nosso Centro Histórico não vai resolver absolutamente nada.

O Centro precisa ser revitalizado e isso ocorrerá se trouxermos os serviços públicos para lá e fizermos um trabalho de gigante para conservarmos casas, como, por exemplo, a de Dona Genu Moraes (que ainda está em pé)e outras que estão sendo destruídas diariamente com a irresponsável indiferença de nossos gestores.

Abraço grande e muita sorte aos nossos novos gestores.

(*) Loisima Barbosa Bacelar Miranda Schiess é juíza do Trabalho aposentada.

Cartas para Vitória Caso Alberto Silva - A Convalidação