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O coronavírus nos fez ver que o Brasil é uma grande quitanda

Desde que eu tenho um pouco mais que uma dezena de anos ouço o ufanismo de sucessivos governos brasileiros sobre o tamanho e a robustez de nossa economia. De fato, faz bastante tempo que o Brasil frequenta o clube dos dez maiores PIBs globais – embora essa medida macroeconômica e sua derivação mais usual, o PIB per capita, não sejam exatamente um sinal de riqueza e, sobretudo, de equidade de renda.

O Brasil, orgulharam-se os acólitos de todos os governos dos quais tenho lembrança (de Geisel até agora), é uma grande economia. A primeira da América Latina, entre décima e quinta maior economia do mundo – a depender do tempo e de algumas variáveis macroeconômicas.

O coronavírus nos fez ver que o Brasil é uma grande quitanda

São números contra os quais não poderemos nos defrontar, principalmente porque a medida do PIB brasileiro é segura e confiável, posta que feita com seriedade pelo IBGE.

Podemos até dizer com segurança que, até 1982, quando Deng Xiaoping inventou a China tal qual a conhecemos agora, o Brasil era uma economia maior que o Império do Meio. Nem vou me dar o luxo de oferecer números comprobatórios disso porque se alguém der um Google vai saber que estou falando sobre algo que é real.

Ocorre é que, enquanto a China, a partir de 1982, pegou um caminho firme de desenvolvimento econômico, o Brasil entrou em um labirinto de perdas econômicas que fez dos anos 80 do século passado a década perdida e os anos que se seguiram como um período em que nossa economia foi vitimada por uma condição que o ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso muito apropriadamente chamou de “síndrome do baixo crescimento”.

Liberais nativos e outros tipos propugnam como remédio para o baixo crescimento uma série de reformas. Pode ser que dê certo, mas até onde a vista enxerga, os reformistas não entregaram se não um fôlego fiscal para que o estado mantenha o pagamento dos juros à banca.

Seguimos à cata de uma saída, sob a batuta de um ministro ultraliberal, que deseja reduzir o tamanho do estado. Uma pandemia enterra o desejo do ministro e, mais do que isso, joga luz forte sobre algo que já se sabia, mas não na medida gigantesca vislumbrada: o Brasil é uma grande quitanda.

Como uma bodega sortida, o Brasil tem muita coisa, mas o homem que comanda o balcão não sabe exatamente onde todas essas coisas estão. Se resolve organizar-se, descobre, assustado, que pode ter mais problemas que mercadorias.

Deu-se assim na pandemia: ao propor uma ajuda emergencial que variou de R$ 600 a R$ 1.200, o Brasil viu-se aparvalhado diante de um contingente de 55 milhões de brasileiros adultos que vivem na informalidade, estão desempregados, não são bancarizados… Gente que, com certeza, produz um bocado de coisa, que somadas, podem representar o PIB de uma Argentina, quem sabe, mas que estão à margem do processo econômico formal.

A informalidade na qual vivem 55 milhões ou mais de brasileiros é que parece ser a mais urgente das reformas do Brasil. É fazer essa gente trabalhar com segurança jurídica, recolhendo, é verdade, a parte do leão, mas fortalecendo a economia e as próprias estruturas do estado, que quando chamado a socorrer a todos, disponha de, pelo menos, um cadastro seguro para saber realmente quem mais precisa de ajuda. 

Desde que eu tenho um pouco mais que uma dezena de anos ouço o ufanismo de sucessivos governos brasileiros sobre o tamanho e a robustez de nossa economia. De fato, faz bastante tempo que o Brasil frequenta o clube dos dez maiores PIBs globais – embora essa medida macroeconômica e sua derivação mais usual, o PIB per capita, não sejam exatamente um sinal de riqueza e, sobretudo, de equidade de renda.

O Brasil, orgulharam-se os acólitos de todos os governos dos quais tenho lembrança (de Geisel até agora), é uma grande economia. A primeira da América Latina, entre décima e quinta maior economia do mundo – a depender do tempo e de algumas variáveis macroeconômicas.

O coronavírus nos fez ver que o Brasil é uma grande quitanda

São números contra os quais não poderemos nos defrontar, principalmente porque a medida do PIB brasileiro é segura e confiável, posta que feita com seriedade pelo IBGE.

Podemos até dizer com segurança que, até 1982, quando Deng Xiaoping inventou a China tal qual a conhecemos agora, o Brasil era uma economia maior que o Império do Meio. Nem vou me dar o luxo de oferecer números comprobatórios disso porque se alguém der um Google vai saber que estou falando sobre algo que é real.

Ocorre é que, enquanto a China, a partir de 1982, pegou um caminho firme de desenvolvimento econômico, o Brasil entrou em um labirinto de perdas econômicas que fez dos anos 80 do século passado a década perdida e os anos que se seguiram como um período em que nossa economia foi vitimada por uma condição que o ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso muito apropriadamente chamou de “síndrome do baixo crescimento”.

Liberais nativos e outros tipos propugnam como remédio para o baixo crescimento uma série de reformas. Pode ser que dê certo, mas até onde a vista enxerga, os reformistas não entregaram se não um fôlego fiscal para que o estado mantenha o pagamento dos juros à banca.

Seguimos à cata de uma saída, sob a batuta de um ministro ultraliberal, que deseja reduzir o tamanho do estado. Uma pandemia enterra o desejo do ministro e, mais do que isso, joga luz forte sobre algo que já se sabia, mas não na medida gigantesca vislumbrada: o Brasil é uma grande quitanda.

Como uma bodega sortida, o Brasil tem muita coisa, mas o homem que comanda o balcão não sabe exatamente onde todas essas coisas estão. Se resolve organizar-se, descobre, assustado, que pode ter mais problemas que mercadorias.

Deu-se assim na pandemia: ao propor uma ajuda emergencial que variou de R$ 600 a R$ 1.200, o Brasil viu-se aparvalhado diante de um contingente de 55 milhões de brasileiros adultos que vivem na informalidade, estão desempregados, não são bancarizados… Gente que, com certeza, produz um bocado de coisa, que somadas, podem representar o PIB de uma Argentina, quem sabe, mas que estão à margem do processo econômico formal.

A informalidade na qual vivem 55 milhões ou mais de brasileiros é que parece ser a mais urgente das reformas do Brasil. É fazer essa gente trabalhar com segurança jurídica, recolhendo, é verdade, a parte do leão, mas fortalecendo a economia e as próprias estruturas do estado, que quando chamado a socorrer a todos, disponha de, pelo menos, um cadastro seguro para saber realmente quem mais precisa de ajuda. 

Lidar mal com estatística é quebrar a bússola para o sucesso das ações de governos O Brasil avança a passos largos rumo a um passado nada glorioso