1. Blogs
  2. Claudio Barros
  3. Não há categorias de pessoas. Só há cidadãos livres e iguais em direitos
Publicidade

Não há categorias de pessoas. Só há cidadãos livres e iguais em direitos

Sou professor de adolescentes e pré-adolescentes e, nesta condição, sempre os oriento a buscar significados de palavras no dicionário, o pais dos mais inteligentes, conforme já informei a eles.

Fui hoje ao dicionário para buscar expressamente o que significa a palavra “escória”:

Substantivo feminino.

Matéria expelida pelo vulcão.

[Pejorativo] Camada desfavorecida de uma sociedade; pessoas desprezíveis ou irrelevantes: escória da sociedade.

[Figurado] O que é irrelevante; insignificante: escória da literatura.[Figurado] Algo ou alguém indigno, reles ou vil: escória de pessoa.

Produto da fusão de certas matérias (hulha ou de outros metais).[Metalurgia] Subproduto constituído por silicatos. 

Assim, escória pode ser definido como o resto, o que sobra, o que não se pode aproveitar.

O termo foi usado pelo presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo para se referir ao movimento negro. Camargo presidente uma entidade cuja missão é promover ações afirmativas que reduzam o fosso a separar brasileiros negros de brasileiros brancos. Ao que parece, ele nunca teve espelho em casa. É um homem negro que postula a manutenção da ideia de que os negros devem procurar o seu lugar e o seu lugar é como escória, como resto, como uma parte desprezível que pode ser deixada de lado.

O presidente da Fundação Palmares encarna um negócio estranho, que é uma extrema direita que prega o racismo pela boca de uma pessoa cuja cor é o alvo mais recorrente dessa doença social.

Jacques Chirac (Foto: reprodução/Yotube)

Talvez o Doutor Sérgio devesse ser apresentado a monsieur Jacques Chirac, que presidiu a França entre 1995 e 2007, morto em setembro do ano passado. Chirac faz parte da direita liberal francesa, que não pode jamais ser confundida com nacionalistas e outros tipos, tampouco com a jequice em que se converteu boa parte da direita brasileira – se é que ela existe ou assim se deseja identificada.

Há lições para serem apreendidas com o senhor Chirac. 

Em dezembro de 2005, em resposta a leitores jornal "Le Parisien-Aujourd'hui en France", acerca da onda de violência urbana nas principais cidades francesas, cujas periferias foram incendiadas por jovens pobres filhos de imigrantes, o então presidente Jacques Chirac, instado a se posicionar sobre o uso da expressão ‘escória’ por seu ministro Nicholas Sarcozy (depois, seu sucessor), para qualificar os envolvidos nos protestos, assim se expressou:

"Não há categorias de franceses. Só há cidadãos livres e iguais em direitos, e quando uma pessoa comete um delito ou um crime, é um delinqüente ou um criminoso. É o que diz a lei. Esses são os termos que é preciso empregar. Isso é a República”.

Sob o aspecto da civilidade e da democracia, não pode haver postura mais acertada do que a de Chirac: não há brasileiros piores ou melhores, nem escória por defenderem direitos e posições legítimos contra os quais qualquer um poderá insubordinar-se, mas com respeito, dentro de uma ordem legal, conforme está ensinado nas palavras do líder francês.

Nós, brasileiros, temos muito o que aprender sobre tolerância e relações políticas minimamente civilizadas. Para começar esse aprendizado, não ter pessoas como o Dr. Sérgio na Fundação Palmares já seria um grande começo.

Sou professor de adolescentes e pré-adolescentes e, nesta condição, sempre os oriento a buscar significados de palavras no dicionário, o pais dos mais inteligentes, conforme já informei a eles.

Fui hoje ao dicionário para buscar expressamente o que significa a palavra “escória”:

Substantivo feminino.

Matéria expelida pelo vulcão.

[Pejorativo] Camada desfavorecida de uma sociedade; pessoas desprezíveis ou irrelevantes: escória da sociedade.

[Figurado] O que é irrelevante; insignificante: escória da literatura.[Figurado] Algo ou alguém indigno, reles ou vil: escória de pessoa.

Produto da fusão de certas matérias (hulha ou de outros metais).[Metalurgia] Subproduto constituído por silicatos. 

Assim, escória pode ser definido como o resto, o que sobra, o que não se pode aproveitar.

O termo foi usado pelo presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo para se referir ao movimento negro. Camargo presidente uma entidade cuja missão é promover ações afirmativas que reduzam o fosso a separar brasileiros negros de brasileiros brancos. Ao que parece, ele nunca teve espelho em casa. É um homem negro que postula a manutenção da ideia de que os negros devem procurar o seu lugar e o seu lugar é como escória, como resto, como uma parte desprezível que pode ser deixada de lado.

O presidente da Fundação Palmares encarna um negócio estranho, que é uma extrema direita que prega o racismo pela boca de uma pessoa cuja cor é o alvo mais recorrente dessa doença social.

Jacques Chirac (Foto: reprodução/Yotube)

Talvez o Doutor Sérgio devesse ser apresentado a monsieur Jacques Chirac, que presidiu a França entre 1995 e 2007, morto em setembro do ano passado. Chirac faz parte da direita liberal francesa, que não pode jamais ser confundida com nacionalistas e outros tipos, tampouco com a jequice em que se converteu boa parte da direita brasileira – se é que ela existe ou assim se deseja identificada.

Há lições para serem apreendidas com o senhor Chirac. 

Em dezembro de 2005, em resposta a leitores jornal "Le Parisien-Aujourd'hui en France", acerca da onda de violência urbana nas principais cidades francesas, cujas periferias foram incendiadas por jovens pobres filhos de imigrantes, o então presidente Jacques Chirac, instado a se posicionar sobre o uso da expressão ‘escória’ por seu ministro Nicholas Sarcozy (depois, seu sucessor), para qualificar os envolvidos nos protestos, assim se expressou:

"Não há categorias de franceses. Só há cidadãos livres e iguais em direitos, e quando uma pessoa comete um delito ou um crime, é um delinqüente ou um criminoso. É o que diz a lei. Esses são os termos que é preciso empregar. Isso é a República”.

Sob o aspecto da civilidade e da democracia, não pode haver postura mais acertada do que a de Chirac: não há brasileiros piores ou melhores, nem escória por defenderem direitos e posições legítimos contra os quais qualquer um poderá insubordinar-se, mas com respeito, dentro de uma ordem legal, conforme está ensinado nas palavras do líder francês.

Nós, brasileiros, temos muito o que aprender sobre tolerância e relações políticas minimamente civilizadas. Para começar esse aprendizado, não ter pessoas como o Dr. Sérgio na Fundação Palmares já seria um grande começo.

Lidar mal com estatística é quebrar a bússola para o sucesso das ações de governos A cor de Deus pode ser vista no espelho. Mire-se e verá!