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“Só não lavei as mãos e é por isso que eu me sinto cada vez mais limpo”

Lavar as mãos, sob o ponto de vista físico, nunca foi uma necessidade tão fundamental para garantia saúde pessoal e coletiva. Neste sentido, com efeito, lavar as mãos, é um ato de respeito ao próximo, de preservação da saúde, de cuidado.

Cristo diante de Pilatos, quadro de Nicolas Maes

Mas existe o lavar as mãos no sentido figurado, fundado na tradição da literatura bíblica. No evangelho de Mateus, fica-se sabendo que “percebendo Pilatos que não conseguia demover o povo, mas, ao contrário, um princípio de tumulto já era visível, ordenou que lhe trouxessem água, lavou as mãos diante da multidão e exclamou: “Estou inocente do sangue deste homem justo. Esta é uma questão vossa!”E todo o povo respondeu: “Caia sobre nossas cabeças o seu sangue, e sobre nossos filhos!”” … 

Lavar as mãos, então, se lê também como ato de omissão consciente – como fez Pilatos. Ele sabia que sua omissão causaria dor e sofrimento, mas nada fez além de pedir uma bacia na qual a água em que lavou suas mãos as deixou sujas de sangue.

Sobre isso, aliás, me lembram os versos de Ivan Lins, em “Daquilo que eu sei”:

“Não fechei os olhos
Não tapei os ouvidos
Cheirei, toquei, provei
Ah! Eu usei todos os sentidos

Só não lavei as mãos
É por isso que eu me sinto
Cada vez mais limpo!”

Não fechar os olhos, não tapar os ouvidos, cheirar, tocar, prova, usar todos os sentidos na contramão da injustiça, da antidemocracia, dos abusos dos mais fortes contra os mais fracos é nunca lavar as mãos, é se sentir cada vez mais limpo.

Bem, e manter-se limpo é também trilhar um caminho de amor às pessoas, pelo qual podemos nos guiar através de outro texto da sabedoria cristã, o Sermão da Montanha, no qual Cristo, aquele em nome de quem tantos falam, propugna:

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados! Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra! Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados! Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia! Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus! Bem-aventurados os Defensores da Paz, porque serão chamados filhos de Deus! 

Por isso mesmo, entre Cristo, que lavou pés e não as mãos, e Pilatos, que lavando suas mãos as sujou de sangue, sempre parece mais adequado ficar com o primeiro.
 

Lavar as mãos, sob o ponto de vista físico, nunca foi uma necessidade tão fundamental para garantia saúde pessoal e coletiva. Neste sentido, com efeito, lavar as mãos, é um ato de respeito ao próximo, de preservação da saúde, de cuidado.

Cristo diante de Pilatos, quadro de Nicolas Maes

Mas existe o lavar as mãos no sentido figurado, fundado na tradição da literatura bíblica. No evangelho de Mateus, fica-se sabendo que “percebendo Pilatos que não conseguia demover o povo, mas, ao contrário, um princípio de tumulto já era visível, ordenou que lhe trouxessem água, lavou as mãos diante da multidão e exclamou: “Estou inocente do sangue deste homem justo. Esta é uma questão vossa!”E todo o povo respondeu: “Caia sobre nossas cabeças o seu sangue, e sobre nossos filhos!”” … 

Lavar as mãos, então, se lê também como ato de omissão consciente – como fez Pilatos. Ele sabia que sua omissão causaria dor e sofrimento, mas nada fez além de pedir uma bacia na qual a água em que lavou suas mãos as deixou sujas de sangue.

Sobre isso, aliás, me lembram os versos de Ivan Lins, em “Daquilo que eu sei”:

“Não fechei os olhos
Não tapei os ouvidos
Cheirei, toquei, provei
Ah! Eu usei todos os sentidos

Só não lavei as mãos
É por isso que eu me sinto
Cada vez mais limpo!”

Não fechar os olhos, não tapar os ouvidos, cheirar, tocar, prova, usar todos os sentidos na contramão da injustiça, da antidemocracia, dos abusos dos mais fortes contra os mais fracos é nunca lavar as mãos, é se sentir cada vez mais limpo.

Bem, e manter-se limpo é também trilhar um caminho de amor às pessoas, pelo qual podemos nos guiar através de outro texto da sabedoria cristã, o Sermão da Montanha, no qual Cristo, aquele em nome de quem tantos falam, propugna:

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados! Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra! Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados! Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia! Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus! Bem-aventurados os Defensores da Paz, porque serão chamados filhos de Deus! 

Por isso mesmo, entre Cristo, que lavou pés e não as mãos, e Pilatos, que lavando suas mãos as sujou de sangue, sempre parece mais adequado ficar com o primeiro.
 

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