1. Blogs
  2. Claudio Barros
  3. Lidar mal com estatística é quebrar a bússola para o sucesso das ações de governos
Publicidade

Lidar mal com estatística é quebrar a bússola para o sucesso das ações de governos

“Existem as mentiras, as mentiras sujas e as estatísticas”. A frase do estadista inglês Benjamin Disraeli (1804-1881) cabe como nunca no Brasil de hoje.

O estadista inglês Benjamin Disraeli: mentiras, mentiras sujas e estatísticas

Num país em que as estatísticas incomodam o governo, desde sempre, mais que as mentiras e as mentiras sujas, eis que a divulgação de dados se transforma em mecanismo de produção da desinformação, de meias verdades, que são mentiras inteiras.

O governo, no domingo, produziu dois números de mortos pela covid-19 em um espaço de 24 horas. No primeiro boletim, os óbitos informados somaram 1.382.

No segundo, divulgado duas horas depois do primeiro, o número caiu para 525. Não se sabe como, em tão curto período de tempo, entre a divulgação do primeiro e do segundo boletim, se conseguiu a proeza de esconder 857 cadáveres.

É improvável que tenham morrido menos pessoas que o primeiro número divulgado, razão pela qual, o que se pode dizer é que houve uma lambança estatística e de logística da informação.

Uma possibilidade é a de que o governo trabalhe com duas variáveis: a primeira poderia ser o número de mortes ocorridas pela doença em 24 horas e a segunda o número de mortes de pessoas com a confirmação da doença no mesmo período. Ou seja, o número de mortes em 24 horas pode, sim, ser menor do que o número de óbitos confirmados no mesmo período. Ninguém no governo parece conseguir chegar a essa equação.

Estamos diante de um problema que não é de estatística, mas de ação política de tentativa de tapar o sol com a peneira, é preciso buscar saídas contra a desmoralização a que o governo se submete toda vez que pratica o perigoso esporte do enxugamento de gelo. Isso porque os números que alimentam bancos de dados como o SIM – Sistema de Informações de Mortalidade – são repassados pelos municípios e pelos Estados. São eles fontes primárias da informação. A União (governo federal) não produz esses dados, apenas os organiza a partir do que recebe das fontes primárias e os lança em base de dados como o Datasus. 

Lidar mal com as estatísticas, para além das acusações de caracterização disso como um ato autoritário, cria problemas para planejar e executar políticas públicas. Se não temos dados confiáveis, que funcionam como bússolas para uma boa gestão, serão de menor rendimento os resultados das ações de governo e das políticas de estado.

Seria pedir muito que o governo agisse para garantir que não se torne verdade a frase de Disraeli?

“Existem as mentiras, as mentiras sujas e as estatísticas”. A frase do estadista inglês Benjamin Disraeli (1804-1881) cabe como nunca no Brasil de hoje.

O estadista inglês Benjamin Disraeli: mentiras, mentiras sujas e estatísticas

Num país em que as estatísticas incomodam o governo, desde sempre, mais que as mentiras e as mentiras sujas, eis que a divulgação de dados se transforma em mecanismo de produção da desinformação, de meias verdades, que são mentiras inteiras.

O governo, no domingo, produziu dois números de mortos pela covid-19 em um espaço de 24 horas. No primeiro boletim, os óbitos informados somaram 1.382.

No segundo, divulgado duas horas depois do primeiro, o número caiu para 525. Não se sabe como, em tão curto período de tempo, entre a divulgação do primeiro e do segundo boletim, se conseguiu a proeza de esconder 857 cadáveres.

É improvável que tenham morrido menos pessoas que o primeiro número divulgado, razão pela qual, o que se pode dizer é que houve uma lambança estatística e de logística da informação.

Uma possibilidade é a de que o governo trabalhe com duas variáveis: a primeira poderia ser o número de mortes ocorridas pela doença em 24 horas e a segunda o número de mortes de pessoas com a confirmação da doença no mesmo período. Ou seja, o número de mortes em 24 horas pode, sim, ser menor do que o número de óbitos confirmados no mesmo período. Ninguém no governo parece conseguir chegar a essa equação.

Estamos diante de um problema que não é de estatística, mas de ação política de tentativa de tapar o sol com a peneira, é preciso buscar saídas contra a desmoralização a que o governo se submete toda vez que pratica o perigoso esporte do enxugamento de gelo. Isso porque os números que alimentam bancos de dados como o SIM – Sistema de Informações de Mortalidade – são repassados pelos municípios e pelos Estados. São eles fontes primárias da informação. A União (governo federal) não produz esses dados, apenas os organiza a partir do que recebe das fontes primárias e os lança em base de dados como o Datasus. 

Lidar mal com as estatísticas, para além das acusações de caracterização disso como um ato autoritário, cria problemas para planejar e executar políticas públicas. Se não temos dados confiáveis, que funcionam como bússolas para uma boa gestão, serão de menor rendimento os resultados das ações de governo e das políticas de estado.

Seria pedir muito que o governo agisse para garantir que não se torne verdade a frase de Disraeli?

“Só não lavei as mãos e é por isso que eu me sinto cada vez mais limpo”