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Aventura golpista em Washington ‘autoriza’ eventos autoritários no resto do mundo

As cenas foram de um golpe de estado. É verdade que mais pareceram de gente delirante, mas o que aconteceu na capital dos Estados Unidos, na quarta-feira, com a invasão do prédio do Senado (Capitólio), foi um evento antidemocrático com um potencial enorme de dano às democracias – sobretudo na América Latina. 

Apoiador de Trump invade Congresso dos EUA — Foto: Reprodução/GloboNews

Nunca devemos nos esquecer que a destruição da democracia na Alemanha, na primeira metade do século XX, começou com o quase burlesco Putsch da Cervejaria ou Putsch de Munique, como ficou conhecida a tentativa frustrada de golpe de estado de Adolf Hitler e do Partido Nazista contra o governo da Baviera, em 9 de novembro de 1923.

Os responsáveis pela aventura golpista no país de Goethe foram presos, mas, favorecidos pelos acontecimentos históricos por suas ligações como o establishment germânico, foram, de eleição em eleição, angariando simpatias até golpear de morte a democracia na Alemanha, apenas 10 anos após a tentativa de golpe.

O caso estadunidense, evidentemente, não pode ser comparado à tentativa nazista de chegar ao poder pela força. Mas se traz à luz o Putsch da Cervejaria porque, apesar de separados quase um século, esses dois eventos históricos guardam em si algumas coisas que podem ser bem semelhantes, como haver uma parcela significativa da população nativa querendo achar um inimigo externo para seus problemas; um líder populista disposto a reforçar essa ideia e também capaz de criar organizações paramilitares de suporte à tomada de poder pela força.

No caso norte-americano, com uma diferença de 98 anos do golpe nazista de Munique, é preciso lembrar que os EUA asseguram o porte legal de armas pelos cidadãos – inclusive armas de alto poder letal. Assim, parece haver um facilitador institucional para os que se dispuserem a uma aventura golpista, com montagem de milícias, por exemplo. Mas felizmente existe a força das instituições do estado, que são sempre desencorajadoras das aventuras golpistas.

O mesmo não se pode esperar, infelizmente, de países como democracias mais jovens e em processo de consolidação.

Se os Estados Unidos podem refutar, pela força institucional, o golpismo de um presidente inconformado com uma derrota limpa, o mesmo não se pode dizer de mandatários latino-americanos, africanos, asiáticos ou do Leste Europeu. 

Uma vez que as urnas os despachem para fora do poder, muito mais que uma tentativa burlesca de golpe, esses líderes poderão usar as forças do próprio estado para enterrar a democracia. 

E se podem fazer isso tendo os Estados Unidos como um (mau) exemplo, frise-se que as democracias em plagas latino-americanas ou no Leste Europeu, Ásia ou África estarão em um déjà-vu perpétuo, numa repetição sem remorso da frase atribuída ao ditador nicaraguense Anastácio Somoza:  “Vocês ganharam a eleição, eu ganhei a apuração...”

As cenas foram de um golpe de estado. É verdade que mais pareceram de gente delirante, mas o que aconteceu na capital dos Estados Unidos, na quarta-feira, com a invasão do prédio do Senado (Capitólio), foi um evento antidemocrático com um potencial enorme de dano às democracias – sobretudo na América Latina. 

Apoiador de Trump invade Congresso dos EUA — Foto: Reprodução/GloboNews

Nunca devemos nos esquecer que a destruição da democracia na Alemanha, na primeira metade do século XX, começou com o quase burlesco Putsch da Cervejaria ou Putsch de Munique, como ficou conhecida a tentativa frustrada de golpe de estado de Adolf Hitler e do Partido Nazista contra o governo da Baviera, em 9 de novembro de 1923.

Os responsáveis pela aventura golpista no país de Goethe foram presos, mas, favorecidos pelos acontecimentos históricos por suas ligações como o establishment germânico, foram, de eleição em eleição, angariando simpatias até golpear de morte a democracia na Alemanha, apenas 10 anos após a tentativa de golpe.

O caso estadunidense, evidentemente, não pode ser comparado à tentativa nazista de chegar ao poder pela força. Mas se traz à luz o Putsch da Cervejaria porque, apesar de separados quase um século, esses dois eventos históricos guardam em si algumas coisas que podem ser bem semelhantes, como haver uma parcela significativa da população nativa querendo achar um inimigo externo para seus problemas; um líder populista disposto a reforçar essa ideia e também capaz de criar organizações paramilitares de suporte à tomada de poder pela força.

No caso norte-americano, com uma diferença de 98 anos do golpe nazista de Munique, é preciso lembrar que os EUA asseguram o porte legal de armas pelos cidadãos – inclusive armas de alto poder letal. Assim, parece haver um facilitador institucional para os que se dispuserem a uma aventura golpista, com montagem de milícias, por exemplo. Mas felizmente existe a força das instituições do estado, que são sempre desencorajadoras das aventuras golpistas.

O mesmo não se pode esperar, infelizmente, de países como democracias mais jovens e em processo de consolidação.

Se os Estados Unidos podem refutar, pela força institucional, o golpismo de um presidente inconformado com uma derrota limpa, o mesmo não se pode dizer de mandatários latino-americanos, africanos, asiáticos ou do Leste Europeu. 

Uma vez que as urnas os despachem para fora do poder, muito mais que uma tentativa burlesca de golpe, esses líderes poderão usar as forças do próprio estado para enterrar a democracia. 

E se podem fazer isso tendo os Estados Unidos como um (mau) exemplo, frise-se que as democracias em plagas latino-americanas ou no Leste Europeu, Ásia ou África estarão em um déjà-vu perpétuo, numa repetição sem remorso da frase atribuída ao ditador nicaraguense Anastácio Somoza:  “Vocês ganharam a eleição, eu ganhei a apuração...”

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