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Jornalista vê um Piauí perfeito com Wellington Dias no governo, mas essa perfeição só existe no lindo mundo da propaganda oficial

Em um texto de mil palavras, publicado no Jornal Meio Norte, edição de 14 de março, o jornalista Efrém Ribeiro diz ao distinto público pagante que “Wellington Dias é o melhor governador de toda a história do Piauí”. É uma posição dele, que pode achar muito bom o que é muito ruim. Por isso, cabe contestar.

Governador Wellington Dias (Foto: divulgação)

Não se vai dizer aqui se o governante de turno no Piauí, com quatro mandatos obtidos nas urnas, é o melhor ou pior de todos os tempos, mas é preciso ser franco sobre algo que salta os olhos: esse governador entregou bem menos do que prometeu e seu governo só é o melhor de todos os tempos no maravilhoso mundo da propaganda chapa-branca.

O texto de Efrém Ribeiro é mais elogio que constatação e mais chute que objetividade, a começar pelo uso de estatísticas.

Diz o jornalista do Meio Norte que “Wellington Dias tirou o Piauí da extrema miséria para o status de um estado remediado, mas digno.” Se assim for, o governador está devendo muito, porque o estado segue na lista dos que têm mais pessoas dependentes do Programa Bolsa Família (PBF), um programa federal de ajuda financeira (e não de transferência de renda, como gostam de dizer muitos), o qual denuncia muito mais a cronificação da pobreza que a sua redução.

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de 2019, assinado pelos pesquisadores Pedro H. G. Ferreira de Souza, Rafael Guerreiro, Osorio Luis Henrique Paiva e Sergei Soares diz que “graças à grande cobertura e à boa focalização nos mais pobres, o PBF tem contribuído para a redução da pobreza, em particular da pobreza extrema”. Ou seja, Wellington Dias e seus acólitos tomam para si ações, ideias e trabalhos de outros.

Um bom exemplo disso, aliás, está no texto de Efrém Ribeiro, que sem a menor cerimônia tira dos agricultores do Sudoeste do Piauí os louros pelas safras recordes. Na leitura de Efrém Ribeiro, que é a mesma da marquetagem chapa-branca do governo do Piauí, é vitória do governador atual  “a nossa safra agrícola é recorde com 5,239 milhões de toneladas de grãos”. O governo do Piauí relega à própria sorte, sem estradas, os agricultores de cultivam soja, milho e outros grãos nas lonjuras das regiões dos Tabuleiros do Alto Parnaíba e Chapada das Mangabeiras.

Outra apropriação indébita de ações de desenvolvimento podem ser percebidas. Segundo o texto chapa-branca de Efrém Ribeiro, “em vez de Wellington Dias estar trazendo [para o Piauí] pontes, estádios, estava trazendo linhões de energia elétrica que puderam sustentar a transmissão das energias solar e eólica para o sistema energético nacional”. 

Que coisa mais feia essa mentira sobre o governador “trazer linhões de energia elétrica”. Obras de transmissão de energia elétrica resultam de leilões feitos pelo governo federal e não de ações de governos locais, que podem, quando muito, dar incentivos fiscais na aquisição de equipamentos usadas nessas obras.

Aliás, é o que ocorre, por exemplo, com a implantação de grandes empreendimentos de geração de energias eólica e fotovoltaica: a instalação dessas plantas de geração de energia renovável no Piauí são uma decisão empresarial que se respalda nas condições favoráveis de vento e sol, mas também no refresco fiscal que o governo local oferece.

Esse tipo de informação (isenção fiscal para empresas multinacionais) o governo do Piauí não faz alarde. Faz muita propaganda do que não fez, do que não faz e do que diz que vai fazer, mas não fará. Mesmo assim, segundo o jornalista Efrém Ribeiro, “Wellington Dias é tão consciente de seu charme com os eleitores piauienses que não faz nem propaganda destes seus feitos heroicos.”

Na visão do jornalista Efrem Ribeiro, entre os “feitos heroicos” está o fato de que o destaque pessoal de piauienses é também uma obra de Wellington Dias. Se hoje há mais piauienses influentes, segundo o texto de Efrém, isso decorre de o petista estar sentado na cadeira de governador por quatro vezes nos últimos 20 anos.

O jornalista, num texto muito ufanista, diz que Wellington Dias “não é um governante iluminista, o que sabe o melhor caminho e vai em frente sem esperar os seus companheiros, mas um parceiro e líder de seu povo.” Ainda bem que não é iluminista, mas pelo controle que exerce sobre o Legislativo local, a mídia e talvez até sobre o Judiciário, sua excelência tem aquele jeitão de um déspota esclarecido do século XXI.

*Este artigo é de responsabilidade de Claudio Barros, não reflete, necessariamente, a opinião do Portal AZ.

Em um texto de mil palavras, publicado no Jornal Meio Norte, edição de 14 de março, o jornalista Efrém Ribeiro diz ao distinto público pagante que “Wellington Dias é o melhor governador de toda a história do Piauí”. É uma posição dele, que pode achar muito bom o que é muito ruim. Por isso, cabe contestar.

Governador Wellington Dias (Foto: divulgação)

Não se vai dizer aqui se o governante de turno no Piauí, com quatro mandatos obtidos nas urnas, é o melhor ou pior de todos os tempos, mas é preciso ser franco sobre algo que salta os olhos: esse governador entregou bem menos do que prometeu e seu governo só é o melhor de todos os tempos no maravilhoso mundo da propaganda chapa-branca.

O texto de Efrém Ribeiro é mais elogio que constatação e mais chute que objetividade, a começar pelo uso de estatísticas.

Diz o jornalista do Meio Norte que “Wellington Dias tirou o Piauí da extrema miséria para o status de um estado remediado, mas digno.” Se assim for, o governador está devendo muito, porque o estado segue na lista dos que têm mais pessoas dependentes do Programa Bolsa Família (PBF), um programa federal de ajuda financeira (e não de transferência de renda, como gostam de dizer muitos), o qual denuncia muito mais a cronificação da pobreza que a sua redução.

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de 2019, assinado pelos pesquisadores Pedro H. G. Ferreira de Souza, Rafael Guerreiro, Osorio Luis Henrique Paiva e Sergei Soares diz que “graças à grande cobertura e à boa focalização nos mais pobres, o PBF tem contribuído para a redução da pobreza, em particular da pobreza extrema”. Ou seja, Wellington Dias e seus acólitos tomam para si ações, ideias e trabalhos de outros.

Um bom exemplo disso, aliás, está no texto de Efrém Ribeiro, que sem a menor cerimônia tira dos agricultores do Sudoeste do Piauí os louros pelas safras recordes. Na leitura de Efrém Ribeiro, que é a mesma da marquetagem chapa-branca do governo do Piauí, é vitória do governador atual  “a nossa safra agrícola é recorde com 5,239 milhões de toneladas de grãos”. O governo do Piauí relega à própria sorte, sem estradas, os agricultores de cultivam soja, milho e outros grãos nas lonjuras das regiões dos Tabuleiros do Alto Parnaíba e Chapada das Mangabeiras.

Outra apropriação indébita de ações de desenvolvimento podem ser percebidas. Segundo o texto chapa-branca de Efrém Ribeiro, “em vez de Wellington Dias estar trazendo [para o Piauí] pontes, estádios, estava trazendo linhões de energia elétrica que puderam sustentar a transmissão das energias solar e eólica para o sistema energético nacional”. 

Que coisa mais feia essa mentira sobre o governador “trazer linhões de energia elétrica”. Obras de transmissão de energia elétrica resultam de leilões feitos pelo governo federal e não de ações de governos locais, que podem, quando muito, dar incentivos fiscais na aquisição de equipamentos usadas nessas obras.

Aliás, é o que ocorre, por exemplo, com a implantação de grandes empreendimentos de geração de energias eólica e fotovoltaica: a instalação dessas plantas de geração de energia renovável no Piauí são uma decisão empresarial que se respalda nas condições favoráveis de vento e sol, mas também no refresco fiscal que o governo local oferece.

Esse tipo de informação (isenção fiscal para empresas multinacionais) o governo do Piauí não faz alarde. Faz muita propaganda do que não fez, do que não faz e do que diz que vai fazer, mas não fará. Mesmo assim, segundo o jornalista Efrém Ribeiro, “Wellington Dias é tão consciente de seu charme com os eleitores piauienses que não faz nem propaganda destes seus feitos heroicos.”

Na visão do jornalista Efrem Ribeiro, entre os “feitos heroicos” está o fato de que o destaque pessoal de piauienses é também uma obra de Wellington Dias. Se hoje há mais piauienses influentes, segundo o texto de Efrém, isso decorre de o petista estar sentado na cadeira de governador por quatro vezes nos últimos 20 anos.

O jornalista, num texto muito ufanista, diz que Wellington Dias “não é um governante iluminista, o que sabe o melhor caminho e vai em frente sem esperar os seus companheiros, mas um parceiro e líder de seu povo.” Ainda bem que não é iluminista, mas pelo controle que exerce sobre o Legislativo local, a mídia e talvez até sobre o Judiciário, sua excelência tem aquele jeitão de um déspota esclarecido do século XXI.

*Este artigo é de responsabilidade de Claudio Barros, não reflete, necessariamente, a opinião do Portal AZ.

É preciso que a gente siga com ódio e nojo de qualquer ditadura O risco do investimento eleitoreiro