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A cidade é hostil para quem caminha por ela

Terça-feira fui à Ceasa, aquele entreposto de hortifrútis que o governo do Piauí vendeu para o setor privado e sobre o qual faz propaganda sobre a escolha do lugar pela ONU como melhor iniciativa público-privada do mundo. Levei um tombo ao tropeçar em um bloco de cimento colocado numa rampa de acesso a lojas de vendas de temperos. 

A cidade é hostil para quem caminha por ela (Foto: divulgação)

Tirante o fato de que a ONU cada vez mais faz escolhas ruins, ao menos sob o ponto de vista da propaganda quase sempre enganosa do governo do Piauí, a Ceasa é um local que replica uma realidade muito ruim de Teresina – e também de meia dúzia de cidades do mesmo porte nas quais já estive: há uma hostilidade arquitetônica ao caminhante.

Embora minha realidade esteja bastante circunscrita a Teresina, imagino que quem escolhe caminhar numa cidade brasileira possa estar sujeito a toda sorte de obstáculos, desde aqueles decorrentes do conceito de arquitetura hostil até uma situação não física, que é a de violência nas ruas – um impeditivo recorrente para o ir e vir das pessoas. Nada é mais ameaçador ao direito de livre circulação que a ausência de passeios públicos adequados (calçadas) e a presença constante da violência urbana.

Pego-me imaginando como serão mais duras as condições para mim, caminhante, em cinco anos. Tenho 55 anos e serei um sexagenário em meia década. Não tenho nem esperança de melhorias nas condições de caminhar pela cidade. Uma pena que assim seja, porque se o ato de caminhar é dificultado por barreiras arquitetônicas e violência para todos os estratos sociais, mais ainda o é para os brasileiros de 60 anos ou mais.

Cabe lembrar que em 2010, quando o Brasil ainda fazia um censo demográfico, em torno de 12% dos moradores do país eram pessoas com 60 anos ou mais. Não é um chute sem rumo indicar que o percentual de idosos na totalidade demográfica brasileira seja neste ano de 2021 aí por volta de 15%. Se forem consideradas essas taxas para uma cidade como Teresina, que em 2020 contava 870 mil moradores, a multidão de idosos teresinenses já soma 130 mil almas.

O envelhecimento populacional crescente torna um imperativo para gestores públicos de todas as cidades do país pensarem no uso dos espaços públicos para uso dos caminhantes. E pensar significa, por exemplo, ir para além do legal, o que consiste em tirar da lei os termos de uso de calçadas e áreas públicas para pedestres.

Temos um longo caminho a percorrer até que se conscientizem os gestores quanto a uma política urbana de transformação das cidades em áreas onde se valorizem menos os veículos motorizados sobre rodas e mais o pedestre e o ciclista. Isso representa muito mais compromisso e muito menos dinheiro público. Representa fazer com que as calçadas deixem de ser obstáculos para ser converterem em local de fluxo de pessoas. Não é algo simples nem fácil de ser feito, mas precisa ser feito, em nome do bem-estar da maioria das pessoas.

Antes de terminar, e para corroborar o que na pele a gente sente sendo caminhante em Teresina, informo que em 2019 a ONG Mobilize Brasil divulgou um relatório da Campanha Calçadas do Brasil, no qual a capital do Piauí aparece em sexto lugar num ranking de cidades com piores condições de uso e conservação destes espaços urbanos comuns.

Quem quiser ler o relatório pode clicar neste link. 

Terça-feira fui à Ceasa, aquele entreposto de hortifrútis que o governo do Piauí vendeu para o setor privado e sobre o qual faz propaganda sobre a escolha do lugar pela ONU como melhor iniciativa público-privada do mundo. Levei um tombo ao tropeçar em um bloco de cimento colocado numa rampa de acesso a lojas de vendas de temperos. 

A cidade é hostil para quem caminha por ela (Foto: divulgação)

Tirante o fato de que a ONU cada vez mais faz escolhas ruins, ao menos sob o ponto de vista da propaganda quase sempre enganosa do governo do Piauí, a Ceasa é um local que replica uma realidade muito ruim de Teresina – e também de meia dúzia de cidades do mesmo porte nas quais já estive: há uma hostilidade arquitetônica ao caminhante.

Embora minha realidade esteja bastante circunscrita a Teresina, imagino que quem escolhe caminhar numa cidade brasileira possa estar sujeito a toda sorte de obstáculos, desde aqueles decorrentes do conceito de arquitetura hostil até uma situação não física, que é a de violência nas ruas – um impeditivo recorrente para o ir e vir das pessoas. Nada é mais ameaçador ao direito de livre circulação que a ausência de passeios públicos adequados (calçadas) e a presença constante da violência urbana.

Pego-me imaginando como serão mais duras as condições para mim, caminhante, em cinco anos. Tenho 55 anos e serei um sexagenário em meia década. Não tenho nem esperança de melhorias nas condições de caminhar pela cidade. Uma pena que assim seja, porque se o ato de caminhar é dificultado por barreiras arquitetônicas e violência para todos os estratos sociais, mais ainda o é para os brasileiros de 60 anos ou mais.

Cabe lembrar que em 2010, quando o Brasil ainda fazia um censo demográfico, em torno de 12% dos moradores do país eram pessoas com 60 anos ou mais. Não é um chute sem rumo indicar que o percentual de idosos na totalidade demográfica brasileira seja neste ano de 2021 aí por volta de 15%. Se forem consideradas essas taxas para uma cidade como Teresina, que em 2020 contava 870 mil moradores, a multidão de idosos teresinenses já soma 130 mil almas.

O envelhecimento populacional crescente torna um imperativo para gestores públicos de todas as cidades do país pensarem no uso dos espaços públicos para uso dos caminhantes. E pensar significa, por exemplo, ir para além do legal, o que consiste em tirar da lei os termos de uso de calçadas e áreas públicas para pedestres.

Temos um longo caminho a percorrer até que se conscientizem os gestores quanto a uma política urbana de transformação das cidades em áreas onde se valorizem menos os veículos motorizados sobre rodas e mais o pedestre e o ciclista. Isso representa muito mais compromisso e muito menos dinheiro público. Representa fazer com que as calçadas deixem de ser obstáculos para ser converterem em local de fluxo de pessoas. Não é algo simples nem fácil de ser feito, mas precisa ser feito, em nome do bem-estar da maioria das pessoas.

Antes de terminar, e para corroborar o que na pele a gente sente sendo caminhante em Teresina, informo que em 2019 a ONG Mobilize Brasil divulgou um relatório da Campanha Calçadas do Brasil, no qual a capital do Piauí aparece em sexto lugar num ranking de cidades com piores condições de uso e conservação destes espaços urbanos comuns.

Quem quiser ler o relatório pode clicar neste link. 

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