1. Blogs
  2. Claudio Barros
  3. Patrimônio cultural material e imaterial, um tesouro que se esvai; é fundamental mantê-lo
Publicidade

Patrimônio cultural material e imaterial, um tesouro que se esvai; é fundamental mantê-lo

Há muitas riquezas que não podem nem devem ser mensuráveis de modo monetário – embora possam e devam ser tratadas como ativos para as comunidades. Trata-se aqui dos chamados patrimônios culturais materiais e imateriais, notadamente esses últimos, que vão se esvaindo nos desvãos dos tempos, perdendo-se como Tesouro que não se poderá recuperar se não os mantivermos.

Digo isso porque há tempos observo a recorrente perda de patrimônios culturais materiais e imateriais em nossa terra Piauí – e em outras terras brasileiras, onde quer que eu vá. Fico com o olhar mais próximo, no entanto.

As balas de café feitas por Dona Francisca, de Parnaíba: um luxo do nosso patrimônio imaterial

Os dois parágrafos introdutórios ganham um sabor, os das balas de café feitas em Parnaíba por Dona Francisca, mãe do estimado Paulo Curicaca, auditor fiscal do Trabalho que serviços e a vida me fizeram conhecer. Na segunda-feira, o Paulo veio de Parnaíba e me trouxe as balas de café. Um bocado na boca e minhas memórias afetivas afloraram aos montes. Imediatamente lembrei-me que em Parnaíba, balas de café eram feitas por uma senhora de nome Tomázia, numa rua no Bairro de Fátima, talvez, perto de uma churrascaria chamada Lourival, que durante anos foi o lugar em que se comia uma carne bem-feita na Parnaíba de Nossa Senhora da Graça.

Balas de café, de goiaba e de gema de ovo. Uma coisa sensacional. Havia ainda um doce de coco com rapadura, doce de raparilha, no dizer do Mauro Junior, colunista social nascido em Parnaíba. Um resultado de fazeres que são bens culturais imateriais – às vezes de uma comunidade, às vezes de uma família e nisso reside o que se começou a dizer: a perda desses modos de fazer as coisas é a perda de um tesouro.

Há pelo Piauí inteiro um sem-número de bens culturais materiais cuja preservação é mais fácil de ser defendida, posto que são físicos – e isso enche os olhos imediatamente. Mas há igualmente um incontável acervo de fazeres que precisam ser preservados como bens culturais imateriais. E isso não apenas como uma ação preservacionista de nossa cultura e modo de vida, mas como um mecanismo de sobrevivência e ganhos financeiros futuros.

Nossos patrimônios culturais devem ser percebidos como ativos econômicos, como mecanismos de inserção de pessoas e comunidade em um sistema econômico em que, de modo justo, adquiram elas a renda para viver com conforto e dignidade.

Nunca estive tão certo de que a preservação de nossos bens culturais – e, evidentemente, dos bens naturais – é um dos mais poderosos instrumentos para escapar de um destino enfadonho em uma economia estandardizada.

A salvação de nossa cultura como um ativo de uma economia criativa pode nos salvar como uma sociedade.

Há muitas riquezas que não podem nem devem ser mensuráveis de modo monetário – embora possam e devam ser tratadas como ativos para as comunidades. Trata-se aqui dos chamados patrimônios culturais materiais e imateriais, notadamente esses últimos, que vão se esvaindo nos desvãos dos tempos, perdendo-se como Tesouro que não se poderá recuperar se não os mantivermos.

Digo isso porque há tempos observo a recorrente perda de patrimônios culturais materiais e imateriais em nossa terra Piauí – e em outras terras brasileiras, onde quer que eu vá. Fico com o olhar mais próximo, no entanto.

As balas de café feitas por Dona Francisca, de Parnaíba: um luxo do nosso patrimônio imaterial

Os dois parágrafos introdutórios ganham um sabor, os das balas de café feitas em Parnaíba por Dona Francisca, mãe do estimado Paulo Curicaca, auditor fiscal do Trabalho que serviços e a vida me fizeram conhecer. Na segunda-feira, o Paulo veio de Parnaíba e me trouxe as balas de café. Um bocado na boca e minhas memórias afetivas afloraram aos montes. Imediatamente lembrei-me que em Parnaíba, balas de café eram feitas por uma senhora de nome Tomázia, numa rua no Bairro de Fátima, talvez, perto de uma churrascaria chamada Lourival, que durante anos foi o lugar em que se comia uma carne bem-feita na Parnaíba de Nossa Senhora da Graça.

Balas de café, de goiaba e de gema de ovo. Uma coisa sensacional. Havia ainda um doce de coco com rapadura, doce de raparilha, no dizer do Mauro Junior, colunista social nascido em Parnaíba. Um resultado de fazeres que são bens culturais imateriais – às vezes de uma comunidade, às vezes de uma família e nisso reside o que se começou a dizer: a perda desses modos de fazer as coisas é a perda de um tesouro.

Há pelo Piauí inteiro um sem-número de bens culturais materiais cuja preservação é mais fácil de ser defendida, posto que são físicos – e isso enche os olhos imediatamente. Mas há igualmente um incontável acervo de fazeres que precisam ser preservados como bens culturais imateriais. E isso não apenas como uma ação preservacionista de nossa cultura e modo de vida, mas como um mecanismo de sobrevivência e ganhos financeiros futuros.

Nossos patrimônios culturais devem ser percebidos como ativos econômicos, como mecanismos de inserção de pessoas e comunidade em um sistema econômico em que, de modo justo, adquiram elas a renda para viver com conforto e dignidade.

Nunca estive tão certo de que a preservação de nossos bens culturais – e, evidentemente, dos bens naturais – é um dos mais poderosos instrumentos para escapar de um destino enfadonho em uma economia estandardizada.

A salvação de nossa cultura como um ativo de uma economia criativa pode nos salvar como uma sociedade.

Cocal dos Alves tem 11 medalhas a mais que Teresina em Olimpíada de Matemática Decreto de Wellington Dias acaba festas patrocinadas pelo governo estadual