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Prêmio Nobel da Paz ou prisão?

Curiosamente, um dia depois que o jornalista Arimatéia Azevedo foi preso no Brasil sem apresentação de provas contundentes, dois jornalistas ganharam o Prêmio Nobel da Paz por defenderem a liberdade de imprensa. O Comitê Norueguês premiou Dmitry Muratov, da Rússia, e Maria Ressa, das Filipinas, justamente pela defesa da livre expressão e por confrontarem o autoritarismo e o abuso de poder. 

Os jornalistas Maria Ressa e Dmitry Muratov ganharam o Prêmio Nobel da Paz por "luta corajosa" em defesa da liberdade de expressão nas Filipinas e na Rússia, respectivamente (Foto: divulgação)

O Comitê Norueguês se referiu aos laureados como "representantes de todos os jornalistas que defendem este ideal em um mundo em que a democracia e a liberdade de imprensa enfrentam condições cada vez mais adversas". Enquanto isso, em Teresina, capital do Piauí, no Nordeste brasileiro, a luta em defesa da liberdade de expressão é “premiada” com uma prisão preventiva sem que o réu, de 68 anos, fosse ouvido durante as investigações. Nessas condições e sem provas de crime, parece legítimo considerar que a prisão ganha aspecto de arbitragem contra a liberdade de imprensa. 

Segundo o Comitê Norueguês do Nobel da Paz, a defesa da liberdade de expressão é uma pré-condição para a democracia e para uma paz duradoura. Na contramão, no lugar de um diploma e uma medalha de homenagem, um dos primeiros repórteres investigativos da história do Jornalismo Piauiense é presenteado com a restrição da sua liberdade. 

Arimatéia sempre cobriu pautas ligadas a denúncias, investigações, crimes e ao Judiciário. Enquanto muitos jornalistas do estado deixavam a profissão para seguirem outros ofícios ou atuarem como assessores de comunicação, Azevedo insistia na luta do seu ideal da busca da verdade. 

Como profissional humano, pode ter falhado algumas vezes, mas não deixava de ouvir o outro lado e dar voz ao contraditório. Polêmico, comprou inúmeras brigas com poderosos de diversas esferas da sociedade. Mais que corajoso, foi ousado, insistente, destemido e leal ao que mais acredita: a defesa do seu ideal no combate a injustiças e à corrupção. 

Arimatéia Azevedo está preso desde quinta (07) na penitenciária Irmão Guido (Foto: divulgação)

Foi com esse espírito e como subterfúgio à censura no jornalismo piauiense que o site www.arimateiaazevedo.com.br foi criado, mesmo com o jornalista Arimatéia Azevedo não entendendo nada de internet, como a maioria da imprensa na época. No dia primeiro de janeiro de 2001, aquele site amanheceu de cara nova, com novo nome, maior abrangência e reunindo, a princípio, jornalistas que se sentiam amordaçados nas principais redações dos jornais locais. Foi assim que surgiu o Portal AZ, o primeiro portal de notícias do Piauí. São mais de duas décadas prestando serviços de informação à sociedade. 

Desse modo, nesse momento, quando o jornalismo piauiense enfrenta uma condição bem adversa, cabe à sociedade cobrar que a justiça seja feita, sem arbitrariedades, sem abuso de poder, sem uso indevido do Direito. Que os leitores, filhos e netos de cidadãos piauienses estejam bem atentos. Afinal, sem vigilância e cobrança coletiva, esse tipo de Direito pode bater na porta de qualquer um.

E, nas proximidades do dia 12 de outubro: que nenhuma criança tenha seu pai ou avô privado da liberdade sem o devido processo legal, como promete a Constituição da República Federativa do Brasil.

Por Flávia Rocha
Jornalista e Doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB)

Clique aqui e entenda o que levou o jornalista Arimatéia Azevedo ser preso

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Homem que acusa Arimatéia Azevedo de extorsão nunca esteve com o jornalista

Processo não aponta ligação do jornalista Arimatéia Azevedo ao suposto crime de extorsão

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Os jornalistas Maria Ressa e Dmitry Muratov ganharam o Prêmio Nobel da Paz por "luta corajosa" em defesa da liberdade de expressão nas Filipinas e na Rússia, respectivamente (Foto: divulgação)

O Comitê Norueguês se referiu aos laureados como "representantes de todos os jornalistas que defendem este ideal em um mundo em que a democracia e a liberdade de imprensa enfrentam condições cada vez mais adversas". Enquanto isso, em Teresina, capital do Piauí, no Nordeste brasileiro, a luta em defesa da liberdade de expressão é “premiada” com uma prisão preventiva sem que o réu, de 68 anos, fosse ouvido durante as investigações. Nessas condições e sem provas de crime, parece legítimo considerar que a prisão ganha aspecto de arbitragem contra a liberdade de imprensa. 

Segundo o Comitê Norueguês do Nobel da Paz, a defesa da liberdade de expressão é uma pré-condição para a democracia e para uma paz duradoura. Na contramão, no lugar de um diploma e uma medalha de homenagem, um dos primeiros repórteres investigativos da história do Jornalismo Piauiense é presenteado com a restrição da sua liberdade. 

Arimatéia sempre cobriu pautas ligadas a denúncias, investigações, crimes e ao Judiciário. Enquanto muitos jornalistas do estado deixavam a profissão para seguirem outros ofícios ou atuarem como assessores de comunicação, Azevedo insistia na luta do seu ideal da busca da verdade. 

Como profissional humano, pode ter falhado algumas vezes, mas não deixava de ouvir o outro lado e dar voz ao contraditório. Polêmico, comprou inúmeras brigas com poderosos de diversas esferas da sociedade. Mais que corajoso, foi ousado, insistente, destemido e leal ao que mais acredita: a defesa do seu ideal no combate a injustiças e à corrupção. 

Arimatéia Azevedo está preso desde quinta (07) na penitenciária Irmão Guido (Foto: divulgação)

Foi com esse espírito e como subterfúgio à censura no jornalismo piauiense que o site www.arimateiaazevedo.com.br foi criado, mesmo com o jornalista Arimatéia Azevedo não entendendo nada de internet, como a maioria da imprensa na época. No dia primeiro de janeiro de 2001, aquele site amanheceu de cara nova, com novo nome, maior abrangência e reunindo, a princípio, jornalistas que se sentiam amordaçados nas principais redações dos jornais locais. Foi assim que surgiu o Portal AZ, o primeiro portal de notícias do Piauí. São mais de duas décadas prestando serviços de informação à sociedade. 

Desse modo, nesse momento, quando o jornalismo piauiense enfrenta uma condição bem adversa, cabe à sociedade cobrar que a justiça seja feita, sem arbitrariedades, sem abuso de poder, sem uso indevido do Direito. Que os leitores, filhos e netos de cidadãos piauienses estejam bem atentos. Afinal, sem vigilância e cobrança coletiva, esse tipo de Direito pode bater na porta de qualquer um.

E, nas proximidades do dia 12 de outubro: que nenhuma criança tenha seu pai ou avô privado da liberdade sem o devido processo legal, como promete a Constituição da República Federativa do Brasil.

Por Flávia Rocha
Jornalista e Doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB)

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