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O preço alto que meu pai paga por sua coragem; a história que poucos conhecem

Já pensei algumas vezes como conseguir expressar o que estou vivendo. Mas ao mesmo tempo, volto a pensar que nem por um segundo quero que alguém sinta por nenhuma fração de segundo o que eu e minha família estamos vivendo. 

O registro acima é de quando papai foi preso em junho de 2020 (Foto: arquivo pessoal)

Aprendi que “tempo” a gente perde e não volta atrás. E esse “tempo” é algo que me pega muito. E estou eu, há 43 dias com o meu pai preso. Preso? Sim, isso mesmo. Quando se fala em prisão, a gente pensa logo: - que crime cometeu? Crime, vamos lá pedir ajuda do dicionário para explicar: 

JURÍDICO (TERMO)
transgressão imputável da lei penal por dolo ou culpa, ação ou omissão; delito.

JURÍDICO (TERMO)
conforme o conceito analítico, ação típica e antijurídica, culpável e punível.

Certo, entendi. Crime é uma ação típica e antijurídica.  Que nesse caso específico não existe uma ação típica, mas para mim, existe a antijurídica. Por que tudo o que vem acontecendo, isso sim, não está em livro nenhum, apesar de nunca ter estudado direito, acredito que o Seu Saraiva, do Vade Mecum não aplique uma lei para que o meu pai continue preso. 

Papai nos criou com muita liberdade. É admirável ver como ele é a frente do tempo, em como sabíamos realmente o que estava acontecendo na família. Ele sempre nos ensinou a olhar e solucionar. A entender o que estava ocorrendo e a tomar atitudes. Muitas vezes a gente não concordava, por que ele nasceu com algo que eu nunca encontrei em outra pessoa. A coragem. Quando me refiro a coragem, me refiro a firmeza de espírito dele, ao equilíbrio emocional para passar por adversas situações. E isso ele sempre foi exemplo. 

Na minha sexta série, as ameaças contra a vida do meu pai e da família, ficaram sérias. Passamos a ir para a escola com segurança. Não podíamos ficar na calçada para comprar bombom, brincar na rua e por ai vai. Andávamos com o Jairo, um segurança de 2 metros de altura. Ele quem nos levava para a escola, e todos os afazeres que tínhamos que cumprir. Por alguns dias, a janela da nossa casa não foi aberta, para vizinhos não saberem da movimentação. Relembrar tudo isso, as vezes me confunde. Em pensar que moro em Teresina – PI, uma cidade aos olhos de qualquer outra pessoa que more em outra região, nos tem como uma cidade pacata e muitas vezes até sem asfalto. 

Mas foi em Teresina que papai escolheu ser jornalista. Foi de Altos que ele fugiu da roça para estudar e realizar seus sonhos aqui. Foi aqui, em que ele escolheu cobrar a justiça para o bem de todos e exercer sua árdua profissão. 

E é em Teresina, que ele se encontra sem poder exercer a sua profissão há 43 dias. Te convido a se desarmar, a tirar do ouvido ou do pensamento, qualquer coisa que você já ouviu do meu pai. Por aqui, quem está se manifestando é a sua filha caçula, em nome da sua família. Considere que você está falando com uma mulher de 33 anos, sem grande noção do direito. Com sede da justiça e de colocar os pingos nos “i”.

Onde se encontra o Governador, o Prefeito, o Secretário de Justiça, o Delegado Geral da nossa cidade?

Eu aprendi, ainda na escola, que o Governador é o cargo político que representa o poder da administração estadual sendo a representação do Estado em suas relações jurídicas. Essa última parte, me questiona muito; vamos repensar, suas atitudes tem a ver com o seu interesse. Verdade. 

O Prefeito chefia a administração municipal, e os cargos seguintes deu para relembrar ai na memória a função e o poder que cada um exerce. 

E é nessa cidade, em que meu pai exerce há 50 anos sua profissão com toda dedicação. Foi aqui que ele construiu sua família. Meu pai ama tanto essa cidade, que quase não deixa minha irmã Haidyne construir sua carreira fora do Brasil, por que a sua raiz é daqui. 

Fui criada de forma discreta, sem me abrir muito e contar para todos como vivíamos. Não por faltar amor, mas sim, por que muitas vezes pra explicar, sempre foi algo complexo o que eu e minha família passamos. 

A você que está lendo, te agradeço, do fundo do meu coração. E te peço encarecidamente, a questionar, a tentar entender e a cobrar soluções junto com a família. 

Meu pai merece uma resposta dos governantes. Essa Luta, faz muito tempo que não é só nossa.

Já pensei algumas vezes como conseguir expressar o que estou vivendo. Mas ao mesmo tempo, volto a pensar que nem por um segundo quero que alguém sinta por nenhuma fração de segundo o que eu e minha família estamos vivendo. 

O registro acima é de quando papai foi preso em junho de 2020 (Foto: arquivo pessoal)

Aprendi que “tempo” a gente perde e não volta atrás. E esse “tempo” é algo que me pega muito. E estou eu, há 43 dias com o meu pai preso. Preso? Sim, isso mesmo. Quando se fala em prisão, a gente pensa logo: - que crime cometeu? Crime, vamos lá pedir ajuda do dicionário para explicar: 

JURÍDICO (TERMO)
transgressão imputável da lei penal por dolo ou culpa, ação ou omissão; delito.

JURÍDICO (TERMO)
conforme o conceito analítico, ação típica e antijurídica, culpável e punível.

Certo, entendi. Crime é uma ação típica e antijurídica.  Que nesse caso específico não existe uma ação típica, mas para mim, existe a antijurídica. Por que tudo o que vem acontecendo, isso sim, não está em livro nenhum, apesar de nunca ter estudado direito, acredito que o Seu Saraiva, do Vade Mecum não aplique uma lei para que o meu pai continue preso. 

Papai nos criou com muita liberdade. É admirável ver como ele é a frente do tempo, em como sabíamos realmente o que estava acontecendo na família. Ele sempre nos ensinou a olhar e solucionar. A entender o que estava ocorrendo e a tomar atitudes. Muitas vezes a gente não concordava, por que ele nasceu com algo que eu nunca encontrei em outra pessoa. A coragem. Quando me refiro a coragem, me refiro a firmeza de espírito dele, ao equilíbrio emocional para passar por adversas situações. E isso ele sempre foi exemplo. 

Na minha sexta série, as ameaças contra a vida do meu pai e da família, ficaram sérias. Passamos a ir para a escola com segurança. Não podíamos ficar na calçada para comprar bombom, brincar na rua e por ai vai. Andávamos com o Jairo, um segurança de 2 metros de altura. Ele quem nos levava para a escola, e todos os afazeres que tínhamos que cumprir. Por alguns dias, a janela da nossa casa não foi aberta, para vizinhos não saberem da movimentação. Relembrar tudo isso, as vezes me confunde. Em pensar que moro em Teresina – PI, uma cidade aos olhos de qualquer outra pessoa que more em outra região, nos tem como uma cidade pacata e muitas vezes até sem asfalto. 

Mas foi em Teresina que papai escolheu ser jornalista. Foi de Altos que ele fugiu da roça para estudar e realizar seus sonhos aqui. Foi aqui, em que ele escolheu cobrar a justiça para o bem de todos e exercer sua árdua profissão. 

E é em Teresina, que ele se encontra sem poder exercer a sua profissão há 43 dias. Te convido a se desarmar, a tirar do ouvido ou do pensamento, qualquer coisa que você já ouviu do meu pai. Por aqui, quem está se manifestando é a sua filha caçula, em nome da sua família. Considere que você está falando com uma mulher de 33 anos, sem grande noção do direito. Com sede da justiça e de colocar os pingos nos “i”.

Onde se encontra o Governador, o Prefeito, o Secretário de Justiça, o Delegado Geral da nossa cidade?

Eu aprendi, ainda na escola, que o Governador é o cargo político que representa o poder da administração estadual sendo a representação do Estado em suas relações jurídicas. Essa última parte, me questiona muito; vamos repensar, suas atitudes tem a ver com o seu interesse. Verdade. 

O Prefeito chefia a administração municipal, e os cargos seguintes deu para relembrar ai na memória a função e o poder que cada um exerce. 

E é nessa cidade, em que meu pai exerce há 50 anos sua profissão com toda dedicação. Foi aqui que ele construiu sua família. Meu pai ama tanto essa cidade, que quase não deixa minha irmã Haidyne construir sua carreira fora do Brasil, por que a sua raiz é daqui. 

Fui criada de forma discreta, sem me abrir muito e contar para todos como vivíamos. Não por faltar amor, mas sim, por que muitas vezes pra explicar, sempre foi algo complexo o que eu e minha família passamos. 

A você que está lendo, te agradeço, do fundo do meu coração. E te peço encarecidamente, a questionar, a tentar entender e a cobrar soluções junto com a família. 

Meu pai merece uma resposta dos governantes. Essa Luta, faz muito tempo que não é só nossa.

Arimatéia Azevedo, um amigo querido e especial! De Franciely Moura para Arimatéia Azevedo: "um coração generoso e grandioso"