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O mercado das clínicas para dependentes

Não se sabe ao certo quantos dependentes químicos há no Brasil, mas pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz mostra que 3,563 milhões de brasileiros consumiram drogas ilícitas em período recente. Dos entrevistados, 208 mil disseram ter usado crack nos 30 dias anteriores ao levantament (estudo concluído em 2017).

Ainda segundo a pesquisa, 9,9% dos brasileiros relatam ter usado drogas ilícitas uma vez

Internação involuntária

Conforme a lei, a internação poderá ser voluntária ou não. A involuntária dependerá de pedido de familiar ou responsável legal ou, na falta deste, de servidor público da área de saúde, de assistência social ou de órgãos públicos integrantes do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad). Esta internação terá duração máxima de 90 dias, e dependerá de avaliação sobre o tipo de droga, o padrão de uso e a comprovação da impossibilidade de uso de outras alternativas terapêuticas.

Ainda não há um consenso sobre os benefícios, há quem diga que seja necessário, há quem diga que não faz diferença e há quem diga que uma internação desse tipo pode trazer danos mais graves ainda ao adictos

Anvisa

A Anvisa aprovou em 2011 uma norma que reforçar o apoio no tratamento das pessoas que tentam se livrar das drogas e precisam retornar ao convívio social. Foi publicada a Resolução RDC no 29, que trata das instituições que prestam serviços de atenção a pessoas com transtornos decorrentes do uso, abuso ou dependência de substâncias psicoativas.

Principais pontos da Norma:

  • As instituições abrangidas por esta Resolução deverão manter responsável técnico de nível superior legalmente habilitado, bem como um substituto com a mesma qualificação;
  • Cada residente das instituições abrangidas por esta Resolução deverá possuir ficha individual em que se registre periodicamente o atendimento dispensado;
  • Fica vedada a admissão de pessoas cuja situação requeira a prestação de serviços de saúde não disponibilizados pela instituição;
  • As instituições devem explicitar em suas normas e rotinas o tempo máximo de permanência do residente na instituição;
  • As instituições devem garantir respeito à pessoa e à família, independentemente da etnia, credo religioso, ideologia, nacionalidade, orientação sexual, antecedentes criminais ou situação financeira;
  • As instituições devem garantir a permanência voluntária;

Matéria no site da Exame

Clínica de Recuperação : como saber se é um tratamento confiável

O usuário deve ter acesso a um acompanhamento psicológico desde os primeiros momentos da internação em uma clínica especializada, pois dessa forma a readaptação poderá ocorrer da melhor maneira possível. Afinal, esse profissional poderá ajudá-lo a lidar melhor com as situações que fizeram com que ele utilizasse substâncias químicas como válvula de escape.

Além disso, o tratamento psicológico para dependentes químicos irá contribuir para que alguns dos distúrbios causados pela abstinência sejam aliviados. É válido ressaltar que tanto os psicólogos quanto os psiquiatras podem fazer esse tipo de acompanhamento, tudo depende do quadro clínico do usuário.

A intervenção desse profissional pode ocorrer de diversas maneiras, ela irá variar de acordo com as necessidades dos usuários. A técnica adotada só poderá ser definida depois da análise do caso pelo psicólogo ou psiquiatra, onde serão identificadas as causas da dependência e definida a forma de tratamento.

Profissionais: a clínica de Recuperação Grupo Casoto por exemplo conta com profissionais altamente qualificados, que prezam o bom ensino e aplicação do Programa Terapêutico, que deve alcançar resultados eficazes em todos as áreas do paciente.

Médicos Clínicos Gerais
Médicos Psiquiatras
Psicólogos
Enfermagem
Assistentes Sociais e Terapeutas
Terapeutas Ocupacionais
Consultores e Nutricionista
Terapeutas (Holístico e Cognitivo)
Coordenador e Conselheiros
Monitores e Cozinheira

A equipe de profissionais forma uma rede de apoio que estimula o paciente em busca de sua recuperação e o auxilia a desenvolver valores, tais como comportamentos e filosofias de vida que estruturarão sua nova maneira de encarar a vida.

Recebi depoimento de três mulheres denunciando maus tratos enquanto estiveram internadas em clínicas para reabilitação de dependentes químicos aqui em Teresina.

Para preservar a identidade delas,  vamos chama-las de Maria 1, Maria 2, Maria 3 e Maria 4.

Maria 1

Maria 1 tem 48 anos, nunca foi usuária de drogas e foi internada através de má fé de sua filha que estava interessa numa herança.

Maria 1 afirma que ela e outras pacientes sofreram torturas físicas e psicológicas, tiveram pertences furtados como lanches e remédios, fizeram trabalho forçado mesmo quando não tinham condições físicas para isso, casos de assédio cárcere privado e clima de constante opressão.

Veja trechos do depoimento que a Maria 1 fez a mim:

“...eu e todas as mulheres sofremos agressões físicas, psicológica.  Somem remédios, lanches, o primeiro telefonena a que temos direito é com vários funcionários ao redor para que não falemos mal da clínica, a primeira visita também... O motivo, fui assediada por um funcionário e por funcionárias mulheres... não temos direitos, somos trancadas em quartos 2 vezes por dia, a primeira depois do almoço, ficamos trancadas de meio dia as 3 da tarde, somos obrigadas a participar de cultos evangélicos se nós recusar recebemos "medida sócio educativa (que nada mais é que castigo)”.

“Quando chegamos lá somos dopadas com haldol  jogam a pessoa no chão e aplicam... Não podemos reclamar só obedecer cegamente, fui direto no MP e abri um outro processo, que atualmente não sabem onde se encontra. Lá não é clínica é cadeia!

 Atualmente faço tratamento psicológico e psiquiatrico sai de lá sem falar direito, não andava direito tenho problemas na coluna e trombose na perna e mesmo assim todas temos que limpar portas,  chão fazer almoço trabalhos domésticos e até braçais. Vim parar de chorar quando falo nesse assunto de dezembro pra cá entrei lá dia 30 de abril sai dia 21 de junho”.

Quando chega a noite eles trancam a gente nos quartos na hora que eles querem (é um depósito de gente) as vezes nem dão nossos medicamentos pq some lá. Assim como some produtos de higiene pessoal também.  O coordenador  também agride as pessoas verbalmente, somos lixo lá dentro, fui queimada com cigarro, agarrada no meio do mato e com certeza dopada, pq sai daqui de casa gritando, levada feito bicho por 3 homens, cheguei lá em uma terça,  minhas lembranças só começam a vir no domingo, um funcionário me disse seu tratamento começa dia 12 de junho, com outra funcionária ficou rindo.

No segundo telefonema consegui falar uma frase pra minha, mãe e ela entendeu que havia algo errado. Foi quando meu irmão obrigou minha filha me tirar, pedi medida protetiva ganhei.

Enfim, clínicas de tratamento aqui em Teresina é uma prisão e tem uma clínica pior que pessoas lá dentro tinham pavor desse , o meu processo tá em algum lugar no MP ou já deram fim o grupo é rico e nós sabemos como funciona. Infelizmente... Fui chamada no décimo primeiro distrito fui falei com delegado Y, prestei depoimento.

Lá só visam o lucro, jamais o bem estar de alguém, a humana pagava uns 5 mil reais, pra que a gente trabalhe e fique trancadas? Isso é tratamento? Chamadas de cadelas, ameaças todos os dias, humilhações dia e noite sem poder abrir a boca.

Perdi o dia das mães do ano passado, estava lá dentro não sei se avisaram, e minha filha não repassou ou se não repassaram. Mas acho que minha filha não repassou que iria ter confraternização com as mães, chorei horrores, ali dentro, entrei alí sem saber nada sobre drogas, lá é uma universidade... Aprendi como se usa drogas, onde compra, etc, pensei que skank era nome de banda lá dentro aprendi que é também nome de uma maconha feita em laboratório. O assunto lá é drogas. E somos obrigadas a participar de cultos evangélicos, gritar pular, dizer que o "Satã está em nós, ouvir louvores o dia inteiro, parece lavagem cerebral.

E se recusar a participar dos cultos somos punidas.

Não podemos ter nossa religião, e muito menos manifestar sobre ela, sou espírita kardecista. Lá é proibido falar de outra religião que não seja a deles. 

Hoje tenho bruxismo por causa de nervosos que passei lá dentro, começou lá. 

Só gostaria que as pessoas ali dentro fossem tratadas com dignidade e respeito. E fosse feito um tratamento real, não enfiar um monte de mulheres em um sítio escondido no meio de uma estrada pra serem torturadas, pq pra mim, o que acontece lá dentro é tortura, tenho até medo de ter falado, pq não tenho condições de pagar um advogado. E a corda sempre arrebenta do lado mais fraco (eles tem poder, são 3 clinicas, uma para mulheres e duas para homens)

As pessoas se calam, pq tem medo, quando falei com você eu tava tremendo. Eles são poderosos é uma clínica rica. Todas temos medo. Eu já fui no MP fiz a denúncia, ninguém que esteve lá comigo na época fez. Lá é o inferno, e ninguém quer mexer com o diabo Instituto volta a vida. 

Tem um quartinho CHAMADO UDC. Em que trancam as mulheres semi nuas jogam água e ligam o spilnt no máximo. Cham o quartinho de udc - Unidade de contenção. Todos eles aceitam. Não tem nem médico
próprios internos cuidam dos novatos sofredores

Todas são tratadas maus,  essas clínicas são presídios!

À noite eles colocam a gente pé dormir na hora que eles querem, no " estatuto" diz que é as 21 mas não é assim, o fulano X  colocava a gente pra dormir na hora que ele queria. As vezes sem a medicação, (as mediações muitas vezes sumia do nada) sumia também sabonete, desodorante, lanches, etc.

FulanoY humilhava as pessoas pressão psicológica também . . A "psicóloga" ( da clínica) que as vezes nem ajudava, me disse que saiu de lá por não concordar com muitas coisas que aconteciam lá. Hoje atende em um consultório perto da med imagem.
Uma moça foi humilhada diversas vezes inclusive por pela psicóloga".

Eles afastam os médicos que querem dar alta (alforia) pra gente  pois a clínica quer o dinheiro e não a recuperação de ninguém.

D. XY uma senhora com depressão e pânico também deixada lá por " filhas" quando.

Os homens ( pseudo enfermeiros) que derrubava as mulheres pra aplicarem haldol ia nos trancar essa senhora chorava, gritava de pavor... Eu tinha medo de alguém morrer lá dentro pq não tinha nenhuma estrutura
Esses lugares são depósitos de gente. Essa é a verdade. É como te falei, lá a gente se ajuda. 

Maria 2

Nossa segunda Maria relata que foi internada sem necessidade para tratar de ansiedade e depressão. Foi obrigada a fazer trabalhos forçados e de forma inapropriada, mesmo com seu plano de saúde repassando uma quantia bem considerável à clínica. Em seus 40 dias de internação, ela viveu algo parecido com o filme Bicho de 7 Cabeças.

Maria 2 também relata que passou agressões físicas e psicológicas, tratamento realizado por pessoas sem capacidade técnica e recebia punições semelhantes aos antigos manicômios que já foram abolidos no Brasil.

Há um ano atrás meus pais buscaram ajuda quando eu tive uma crise de ansiedade em casa. E nesta clínica disseram que era oferecido trabalho de tratamento para depressao e ansiedade. Vieram me buscar a força na minha casa. Fui medicada assim que cheguei lá com um calmante e fiquei sem manter contato com meu filho e minha família por 30 dias.

A clínica nao oferecia tratamento nem terapia para depressao nem ansiedade. Apenas medicação era dada por pessoas sem nenhuma capacidade profissional.

Fui humilhada diversas vezes inclusive agredida fisicamente por um rapaz que se dizia terapeuta chamado Marcelo. Fui medicada a força com medicacao injetavel como se fazia antigamente nos hospitais psiquiátricos quando me neguei a fazer coisas que eles ordenavam. Éramos obrigadas a ficar trancadas no quartos todos os dias após o almoço. 

Obrigadas a fazer limpeza da casa e lavar as roupas a mao sendo que na casa havia máquina de lavar e a clínica recebia mensalmente do meu plano de saúde a quantia de 6.000 reais. Fui acusada de usar drogas pela equipe que ali estava

Sai de lá abalada psicologicamente. Eles colocavam da ser monitores pessoas que eram ex usuários. Como se eles fossem enfermeiros. Tratavam a gente como se estivéssemos numa prisão, manicômio sei la. Quase nao perdoo minha familia. Tinha nada. 

E mesmo que tivesse eu acho q eles arrumam um jeito de enganar

Eles tbm cobram das familias 500 reais pra buscar as pessoas em casa

Depois eu soube q meus pais pagaram

E os monitores q vai buscar de carro dividem o dinheiro entre si.

Maria 3

8 meses parece mais de 8 anos

Tudo que eu dizia ou que eu falava era p fazer montin aos olhos da Terapeuta 

Uma pessoa cruel

Ela me torturou

Era ela quem fazia inferno em minha vida

8 meses parece mais de 8 anos

Tudo que eu dizia ou que eu falava era p fazer montinho

Uma pessoa cruel

Ela me torturou

Era ela quem fazia inferno em minha vida

Uma pessoa sem escrupulos

Se tem uma pessoa que deveria sim pagar muitas coisas ali dentro era ela

Ela falava com as enfermeiras 

E elas me deixarem babando

Eu digo isso pois uma delas hoje é muito minha amiga

E me disse barbaridades sabe

Ela entrava na minha vida de uma forma terrivel

E por varias vezes me disse que eu nao ia sair dali

Daquele inferno

Interferia nos meus medicamentos

Eu nunca vi isso na minha vida

Ela queria dizer qual medicamento eu deveria tomar

Eu vivia dopada de medicamentos 

Eu fiquei super lesada

Vc nao tem noçao do que ela fez comigo

Eu sofri muito

Desta forma,  esta jornalista quer mais uma vez alertar às famílias e os planos de saúde. Sobre essa barbárie. 

Quero elogiar e recomendar o CAPS. E cobrar mais uma vez ação do Ministério Público,pois há inferno.

Cobrar ação do Conselho Regional de Medicina

•Cobrar maior participação da ANVISA.

Dignidade é essencial para a saúde mental! 

O holocausto não é aqui, ou é aqui!

Colabore

Carol Jericó independente e independente e que tem sua coluna hospedada no Portal AZ. 

Ajude o jornalismo investigativo e independente. 

Pix 737.866.243-72

*Este artigo é de responsabilidade de Carol Jericó, não reflete, necessariamente, a opinião do Portal AZ.

Não se sabe ao certo quantos dependentes químicos há no Brasil, mas pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz mostra que 3,563 milhões de brasileiros consumiram drogas ilícitas em período recente. Dos entrevistados, 208 mil disseram ter usado crack nos 30 dias anteriores ao levantament (estudo concluído em 2017).

Ainda segundo a pesquisa, 9,9% dos brasileiros relatam ter usado drogas ilícitas uma vez

Internação involuntária

Conforme a lei, a internação poderá ser voluntária ou não. A involuntária dependerá de pedido de familiar ou responsável legal ou, na falta deste, de servidor público da área de saúde, de assistência social ou de órgãos públicos integrantes do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad). Esta internação terá duração máxima de 90 dias, e dependerá de avaliação sobre o tipo de droga, o padrão de uso e a comprovação da impossibilidade de uso de outras alternativas terapêuticas.

Ainda não há um consenso sobre os benefícios, há quem diga que seja necessário, há quem diga que não faz diferença e há quem diga que uma internação desse tipo pode trazer danos mais graves ainda ao adictos

Anvisa

A Anvisa aprovou em 2011 uma norma que reforçar o apoio no tratamento das pessoas que tentam se livrar das drogas e precisam retornar ao convívio social. Foi publicada a Resolução RDC no 29, que trata das instituições que prestam serviços de atenção a pessoas com transtornos decorrentes do uso, abuso ou dependência de substâncias psicoativas.

Principais pontos da Norma:

  • As instituições abrangidas por esta Resolução deverão manter responsável técnico de nível superior legalmente habilitado, bem como um substituto com a mesma qualificação;
  • Cada residente das instituições abrangidas por esta Resolução deverá possuir ficha individual em que se registre periodicamente o atendimento dispensado;
  • Fica vedada a admissão de pessoas cuja situação requeira a prestação de serviços de saúde não disponibilizados pela instituição;
  • As instituições devem explicitar em suas normas e rotinas o tempo máximo de permanência do residente na instituição;
  • As instituições devem garantir respeito à pessoa e à família, independentemente da etnia, credo religioso, ideologia, nacionalidade, orientação sexual, antecedentes criminais ou situação financeira;
  • As instituições devem garantir a permanência voluntária;

Matéria no site da Exame

Clínica de Recuperação : como saber se é um tratamento confiável

O usuário deve ter acesso a um acompanhamento psicológico desde os primeiros momentos da internação em uma clínica especializada, pois dessa forma a readaptação poderá ocorrer da melhor maneira possível. Afinal, esse profissional poderá ajudá-lo a lidar melhor com as situações que fizeram com que ele utilizasse substâncias químicas como válvula de escape.

Além disso, o tratamento psicológico para dependentes químicos irá contribuir para que alguns dos distúrbios causados pela abstinência sejam aliviados. É válido ressaltar que tanto os psicólogos quanto os psiquiatras podem fazer esse tipo de acompanhamento, tudo depende do quadro clínico do usuário.

A intervenção desse profissional pode ocorrer de diversas maneiras, ela irá variar de acordo com as necessidades dos usuários. A técnica adotada só poderá ser definida depois da análise do caso pelo psicólogo ou psiquiatra, onde serão identificadas as causas da dependência e definida a forma de tratamento.

Profissionais: a clínica de Recuperação Grupo Casoto por exemplo conta com profissionais altamente qualificados, que prezam o bom ensino e aplicação do Programa Terapêutico, que deve alcançar resultados eficazes em todos as áreas do paciente.

Médicos Clínicos Gerais
Médicos Psiquiatras
Psicólogos
Enfermagem
Assistentes Sociais e Terapeutas
Terapeutas Ocupacionais
Consultores e Nutricionista
Terapeutas (Holístico e Cognitivo)
Coordenador e Conselheiros
Monitores e Cozinheira

A equipe de profissionais forma uma rede de apoio que estimula o paciente em busca de sua recuperação e o auxilia a desenvolver valores, tais como comportamentos e filosofias de vida que estruturarão sua nova maneira de encarar a vida.

Recebi depoimento de três mulheres denunciando maus tratos enquanto estiveram internadas em clínicas para reabilitação de dependentes químicos aqui em Teresina.

Para preservar a identidade delas,  vamos chama-las de Maria 1, Maria 2, Maria 3 e Maria 4.

Maria 1

Maria 1 tem 48 anos, nunca foi usuária de drogas e foi internada através de má fé de sua filha que estava interessa numa herança.

Maria 1 afirma que ela e outras pacientes sofreram torturas físicas e psicológicas, tiveram pertences furtados como lanches e remédios, fizeram trabalho forçado mesmo quando não tinham condições físicas para isso, casos de assédio cárcere privado e clima de constante opressão.

Veja trechos do depoimento que a Maria 1 fez a mim:

“...eu e todas as mulheres sofremos agressões físicas, psicológica.  Somem remédios, lanches, o primeiro telefonena a que temos direito é com vários funcionários ao redor para que não falemos mal da clínica, a primeira visita também... O motivo, fui assediada por um funcionário e por funcionárias mulheres... não temos direitos, somos trancadas em quartos 2 vezes por dia, a primeira depois do almoço, ficamos trancadas de meio dia as 3 da tarde, somos obrigadas a participar de cultos evangélicos se nós recusar recebemos "medida sócio educativa (que nada mais é que castigo)”.

“Quando chegamos lá somos dopadas com haldol  jogam a pessoa no chão e aplicam... Não podemos reclamar só obedecer cegamente, fui direto no MP e abri um outro processo, que atualmente não sabem onde se encontra. Lá não é clínica é cadeia!

 Atualmente faço tratamento psicológico e psiquiatrico sai de lá sem falar direito, não andava direito tenho problemas na coluna e trombose na perna e mesmo assim todas temos que limpar portas,  chão fazer almoço trabalhos domésticos e até braçais. Vim parar de chorar quando falo nesse assunto de dezembro pra cá entrei lá dia 30 de abril sai dia 21 de junho”.

Quando chega a noite eles trancam a gente nos quartos na hora que eles querem (é um depósito de gente) as vezes nem dão nossos medicamentos pq some lá. Assim como some produtos de higiene pessoal também.  O coordenador  também agride as pessoas verbalmente, somos lixo lá dentro, fui queimada com cigarro, agarrada no meio do mato e com certeza dopada, pq sai daqui de casa gritando, levada feito bicho por 3 homens, cheguei lá em uma terça,  minhas lembranças só começam a vir no domingo, um funcionário me disse seu tratamento começa dia 12 de junho, com outra funcionária ficou rindo.

No segundo telefonema consegui falar uma frase pra minha, mãe e ela entendeu que havia algo errado. Foi quando meu irmão obrigou minha filha me tirar, pedi medida protetiva ganhei.

Enfim, clínicas de tratamento aqui em Teresina é uma prisão e tem uma clínica pior que pessoas lá dentro tinham pavor desse , o meu processo tá em algum lugar no MP ou já deram fim o grupo é rico e nós sabemos como funciona. Infelizmente... Fui chamada no décimo primeiro distrito fui falei com delegado Y, prestei depoimento.

Lá só visam o lucro, jamais o bem estar de alguém, a humana pagava uns 5 mil reais, pra que a gente trabalhe e fique trancadas? Isso é tratamento? Chamadas de cadelas, ameaças todos os dias, humilhações dia e noite sem poder abrir a boca.

Perdi o dia das mães do ano passado, estava lá dentro não sei se avisaram, e minha filha não repassou ou se não repassaram. Mas acho que minha filha não repassou que iria ter confraternização com as mães, chorei horrores, ali dentro, entrei alí sem saber nada sobre drogas, lá é uma universidade... Aprendi como se usa drogas, onde compra, etc, pensei que skank era nome de banda lá dentro aprendi que é também nome de uma maconha feita em laboratório. O assunto lá é drogas. E somos obrigadas a participar de cultos evangélicos, gritar pular, dizer que o "Satã está em nós, ouvir louvores o dia inteiro, parece lavagem cerebral.

E se recusar a participar dos cultos somos punidas.

Não podemos ter nossa religião, e muito menos manifestar sobre ela, sou espírita kardecista. Lá é proibido falar de outra religião que não seja a deles. 

Hoje tenho bruxismo por causa de nervosos que passei lá dentro, começou lá. 

Só gostaria que as pessoas ali dentro fossem tratadas com dignidade e respeito. E fosse feito um tratamento real, não enfiar um monte de mulheres em um sítio escondido no meio de uma estrada pra serem torturadas, pq pra mim, o que acontece lá dentro é tortura, tenho até medo de ter falado, pq não tenho condições de pagar um advogado. E a corda sempre arrebenta do lado mais fraco (eles tem poder, são 3 clinicas, uma para mulheres e duas para homens)

As pessoas se calam, pq tem medo, quando falei com você eu tava tremendo. Eles são poderosos é uma clínica rica. Todas temos medo. Eu já fui no MP fiz a denúncia, ninguém que esteve lá comigo na época fez. Lá é o inferno, e ninguém quer mexer com o diabo Instituto volta a vida. 

Tem um quartinho CHAMADO UDC. Em que trancam as mulheres semi nuas jogam água e ligam o spilnt no máximo. Cham o quartinho de udc - Unidade de contenção. Todos eles aceitam. Não tem nem médico
próprios internos cuidam dos novatos sofredores

Todas são tratadas maus,  essas clínicas são presídios!

À noite eles colocam a gente pé dormir na hora que eles querem, no " estatuto" diz que é as 21 mas não é assim, o fulano X  colocava a gente pra dormir na hora que ele queria. As vezes sem a medicação, (as mediações muitas vezes sumia do nada) sumia também sabonete, desodorante, lanches, etc.

FulanoY humilhava as pessoas pressão psicológica também . . A "psicóloga" ( da clínica) que as vezes nem ajudava, me disse que saiu de lá por não concordar com muitas coisas que aconteciam lá. Hoje atende em um consultório perto da med imagem.
Uma moça foi humilhada diversas vezes inclusive por pela psicóloga".

Eles afastam os médicos que querem dar alta (alforia) pra gente  pois a clínica quer o dinheiro e não a recuperação de ninguém.

D. XY uma senhora com depressão e pânico também deixada lá por " filhas" quando.

Os homens ( pseudo enfermeiros) que derrubava as mulheres pra aplicarem haldol ia nos trancar essa senhora chorava, gritava de pavor... Eu tinha medo de alguém morrer lá dentro pq não tinha nenhuma estrutura
Esses lugares são depósitos de gente. Essa é a verdade. É como te falei, lá a gente se ajuda. 

Maria 2

Nossa segunda Maria relata que foi internada sem necessidade para tratar de ansiedade e depressão. Foi obrigada a fazer trabalhos forçados e de forma inapropriada, mesmo com seu plano de saúde repassando uma quantia bem considerável à clínica. Em seus 40 dias de internação, ela viveu algo parecido com o filme Bicho de 7 Cabeças.

Maria 2 também relata que passou agressões físicas e psicológicas, tratamento realizado por pessoas sem capacidade técnica e recebia punições semelhantes aos antigos manicômios que já foram abolidos no Brasil.

Há um ano atrás meus pais buscaram ajuda quando eu tive uma crise de ansiedade em casa. E nesta clínica disseram que era oferecido trabalho de tratamento para depressao e ansiedade. Vieram me buscar a força na minha casa. Fui medicada assim que cheguei lá com um calmante e fiquei sem manter contato com meu filho e minha família por 30 dias.

A clínica nao oferecia tratamento nem terapia para depressao nem ansiedade. Apenas medicação era dada por pessoas sem nenhuma capacidade profissional.

Fui humilhada diversas vezes inclusive agredida fisicamente por um rapaz que se dizia terapeuta chamado Marcelo. Fui medicada a força com medicacao injetavel como se fazia antigamente nos hospitais psiquiátricos quando me neguei a fazer coisas que eles ordenavam. Éramos obrigadas a ficar trancadas no quartos todos os dias após o almoço. 

Obrigadas a fazer limpeza da casa e lavar as roupas a mao sendo que na casa havia máquina de lavar e a clínica recebia mensalmente do meu plano de saúde a quantia de 6.000 reais. Fui acusada de usar drogas pela equipe que ali estava

Sai de lá abalada psicologicamente. Eles colocavam da ser monitores pessoas que eram ex usuários. Como se eles fossem enfermeiros. Tratavam a gente como se estivéssemos numa prisão, manicômio sei la. Quase nao perdoo minha familia. Tinha nada. 

E mesmo que tivesse eu acho q eles arrumam um jeito de enganar

Eles tbm cobram das familias 500 reais pra buscar as pessoas em casa

Depois eu soube q meus pais pagaram

E os monitores q vai buscar de carro dividem o dinheiro entre si.

Maria 3

8 meses parece mais de 8 anos

Tudo que eu dizia ou que eu falava era p fazer montin aos olhos da Terapeuta 

Uma pessoa cruel

Ela me torturou

Era ela quem fazia inferno em minha vida

8 meses parece mais de 8 anos

Tudo que eu dizia ou que eu falava era p fazer montinho

Uma pessoa cruel

Ela me torturou

Era ela quem fazia inferno em minha vida

Uma pessoa sem escrupulos

Se tem uma pessoa que deveria sim pagar muitas coisas ali dentro era ela

Ela falava com as enfermeiras 

E elas me deixarem babando

Eu digo isso pois uma delas hoje é muito minha amiga

E me disse barbaridades sabe

Ela entrava na minha vida de uma forma terrivel

E por varias vezes me disse que eu nao ia sair dali

Daquele inferno

Interferia nos meus medicamentos

Eu nunca vi isso na minha vida

Ela queria dizer qual medicamento eu deveria tomar

Eu vivia dopada de medicamentos 

Eu fiquei super lesada

Vc nao tem noçao do que ela fez comigo

Eu sofri muito

Desta forma,  esta jornalista quer mais uma vez alertar às famílias e os planos de saúde. Sobre essa barbárie. 

Quero elogiar e recomendar o CAPS. E cobrar mais uma vez ação do Ministério Público,pois há inferno.

Cobrar ação do Conselho Regional de Medicina

•Cobrar maior participação da ANVISA.

Dignidade é essencial para a saúde mental! 

O holocausto não é aqui, ou é aqui!

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*Este artigo é de responsabilidade de Carol Jericó, não reflete, necessariamente, a opinião do Portal AZ.

Pra cima deles OAB! OAB é independente! Ou não? Delegados chapa branca! Do you know?