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Mulheres assumem protagonismo do Brasil na natação, e Daniel Dias pode reduzir provas em Tóquio

Maria Carolina Santiago encerra Mundial como principal medalhista do Brasil, que tem maior distribuição de pódios. Multicampeão sofre com reclassificação de adversários na classe S5

Para quem se acostumou aos multimedalhistas homens na natação paralímpica, o Mundial de Londres representou uma mudança significativa do perfil da delegação do Brasil. Com a maior representatividade feminina veio também a qualidade.

Pela primeira vez na história da competição as mulheres conquistaram mais pódios para o país. Foram nove medalhas, sendo três de ouro, contra oito dos homens. A 17ª medalha do país veio num revezamento misto, também com grande desempenho feminino.


Carol Santiago foi a principal medalhista do Brasil em Londres, com dois ouros e duas pratas — Foto: Ale Cabral/CPB

O Brasil chegou à Inglaterra com o dobro de mulheres em relação à última edição do Mundial, na Cidade do México. Aqui foram 12 representantes, e metade voltará para casa com ao menos uma medalha na bagagem. Maria Carolina Santiago termina o evento como a maior vencedora do país, com dois ouros e duas pratas em cinco eventos disputados.

Homens - sete medalhas

Wendell Bellarmino - 🥇 - 50m livre S11
Daniel Dias - 🥇 - 50m livre S5
Daniel Dias - 🥈 - 100m livre S5
Phelipe Rodrigues - 🥈 - 50m livre S10
Wendell Belarmino - 🥉 - 100m livre S11
Daniel Dias - 🥉 - 50m costas S5
Daniel Dias - 🥉 - 50m borboleta S5

Mulheres - nove medalhas

Maria Carolina Santiago - 🥇 - 100m livre S12
Maria Carolina Santiago - 🥇 - 50m livre S12
Edênia Garcia - 🥇 - 50m costas S3
Maria Carolina Santiago - 🥈 - 100m costas
Joana Neves - 🥈 - 50m borboleta S5
Cecília Araújo - 🥈 - 50m livre S8
Débora Carneiro - 🥉 - 100m peito SB14
Edênia Garcia - 🥉 100m livre - S3
Joana Neves - 🥉 - 50m livre S5

Revezamento misto - 🥈 - 100m livre 49pts

Lucilene Sousa, Maria Carolina Santiago, Carlos Farrenberg, Wendell Belarmino. Reservas: Matheus Rheine e Guilherme Silva


Edênia Garcia comemora o tetra mundial dos 50m costas no Mundial de natação paralímpica — Foto: Ale Cabral/CPB

Uma das veteranas do grupo, Edênia Garcia sagrou-se tetracampeã mundial dos 50m costas S3. Em seu sétimo Mundial, ela foi testemunha dessa mudança na delegação. Destaca não apenas a presença feminina, mas a maior distribuição de medalhas entre toda a delegação.

- O mais importante é que todo mundo sempre fala de aumentar o número de mulheres no esporte. Não só aumentou o número, mas a qualidade. É espetacular. A gente vê que estão distribuindo mais as medalhas, não está mais concentrado só em poucos atletas, no Daniel e no Andre. Isso mostra que a gente consegue melhorar cada vez mais, que tem uma geração nova de mulheres chegando. E de homens também. Acho que Tóquio vai ter um quê a mais de mulheres, de mais qualidade e mais resultados também.

Brasil cai para 11º no quadro de medalhas

O Brasil mostrou uma maior força coletiva nesta edição do Mundial, alcançando 57 finais, 15 a mais do que o Mundial de Glasgow – não usamos o Mundial de 2017 como referência porque a competição foi adiada em função de um terremoto e várias potências não estiveram presentes, como Grã-Bretanha e Rússia. Mas, depois de uma campanha histórica nos Jogos Parapan-Americanos de Lima, o evento em Londres foi um duro choque de realidade.

> Mundial de Natação de Glasgow 2015
4) Brasil - 11 🥇 8 🥈 4 🥉 - 23 no total

> Mundial de Natação de Londres 2019
11) Brasil - 5 🥇 6 🥈 6 🥉- 17 no total

A delegação brasileira cresceu nas provas para cegos (S11 a S13) e para deficientes intelectuais (S14). Mas não pôde contar com os tradicionais multimedalhistas e despencou no quadro de medalhas. Foi do 4º para o 11º lugar. A Itália, que nunca tinha ficado à frente do Brasil na classificação, surpreendeu e terminou na liderança do evento, com 50 medalhas, sendo 20 de ouro.

- Mais do que o fortalecimento da Itália são as medalhas que o Brasil perde. (Perdemos) pelo menos cinco medalhas de ouro aqui, porque o chinês (Lichao Wang) nadando livre, o Daniel não conquista mais nenhuma medalha de ouro pelos tempos que a gente viu aqui. Óbvio que o crescimento da Itália vai impactar, e o desafio se torna ainda maior pelas medalhas que o Brasil deixa de ganhar por conta do processo de classificação - disse Mizael Conrado, presidente do Comitê Paralímpico do Brasil (CPB).

Daniel Dias pode nadar menos em Tóquio

A baixa na equipe começou pela inelegibilidade de Andre Brasil, um dos maiores nomes da história da classe S10, para atletas com deficiência motora mínima. O CPB está recorrendo da decisão, mas no momento o carioca está impedido de competir no esporte paralímpico. Phelipe Rodrigues, maior medalhista do Parapan com sete pratas e um bronze, até fez bons tempos levando em consideração suas melhores marcas pessoais, mas deixou a Inglaterra com apenas um pódio.

Daniel Dias ainda se manteve entre os principais vencedores da competição, com pódios nas quatro provas individuais que disputou – o que não conseguiu nos dois revezamentos em que liderou a equipe.


Daniel Dias se despede do Mundial com bronze nos 50m costas  — Foto: Ale Cabral/CPB

Mas penou diante do aumento significativo de competitividade na classe S5, que recebeu vários atletas que até 2018 competiam na classe S6, para nadadores com menor comprometimento físico. O novo cenário pode, inclusive, fazê-lo rever o programa de provas para os Jogos de Tóquio 2020.

- Eu precisava ver como ia ser esse Mundial. Tem dois chineses que não apareceram e que, se seguir o padrão, vão baixar de classe. Isso vai tornar mais difícil ainda a disputa. Provavelmente eu vou ter que mudar sim, focar em determinadas provas para chegar lá e dar o tiro certo.

Para quem se acostumou aos multimedalhistas homens na natação paralímpica, o Mundial de Londres representou uma mudança significativa do perfil da delegação do Brasil. Com a maior representatividade feminina veio também a qualidade.

Pela primeira vez na história da competição as mulheres conquistaram mais pódios para o país. Foram nove medalhas, sendo três de ouro, contra oito dos homens. A 17ª medalha do país veio num revezamento misto, também com grande desempenho feminino.


Carol Santiago foi a principal medalhista do Brasil em Londres, com dois ouros e duas pratas — Foto: Ale Cabral/CPB

O Brasil chegou à Inglaterra com o dobro de mulheres em relação à última edição do Mundial, na Cidade do México. Aqui foram 12 representantes, e metade voltará para casa com ao menos uma medalha na bagagem. Maria Carolina Santiago termina o evento como a maior vencedora do país, com dois ouros e duas pratas em cinco eventos disputados.

Homens - sete medalhas

Wendell Bellarmino - 🥇 - 50m livre S11
Daniel Dias - 🥇 - 50m livre S5
Daniel Dias - 🥈 - 100m livre S5
Phelipe Rodrigues - 🥈 - 50m livre S10
Wendell Belarmino - 🥉 - 100m livre S11
Daniel Dias - 🥉 - 50m costas S5
Daniel Dias - 🥉 - 50m borboleta S5

Mulheres - nove medalhas

Maria Carolina Santiago - 🥇 - 100m livre S12
Maria Carolina Santiago - 🥇 - 50m livre S12
Edênia Garcia - 🥇 - 50m costas S3
Maria Carolina Santiago - 🥈 - 100m costas
Joana Neves - 🥈 - 50m borboleta S5
Cecília Araújo - 🥈 - 50m livre S8
Débora Carneiro - 🥉 - 100m peito SB14
Edênia Garcia - 🥉 100m livre - S3
Joana Neves - 🥉 - 50m livre S5

Revezamento misto - 🥈 - 100m livre 49pts

Lucilene Sousa, Maria Carolina Santiago, Carlos Farrenberg, Wendell Belarmino. Reservas: Matheus Rheine e Guilherme Silva


Edênia Garcia comemora o tetra mundial dos 50m costas no Mundial de natação paralímpica — Foto: Ale Cabral/CPB

Uma das veteranas do grupo, Edênia Garcia sagrou-se tetracampeã mundial dos 50m costas S3. Em seu sétimo Mundial, ela foi testemunha dessa mudança na delegação. Destaca não apenas a presença feminina, mas a maior distribuição de medalhas entre toda a delegação.

- O mais importante é que todo mundo sempre fala de aumentar o número de mulheres no esporte. Não só aumentou o número, mas a qualidade. É espetacular. A gente vê que estão distribuindo mais as medalhas, não está mais concentrado só em poucos atletas, no Daniel e no Andre. Isso mostra que a gente consegue melhorar cada vez mais, que tem uma geração nova de mulheres chegando. E de homens também. Acho que Tóquio vai ter um quê a mais de mulheres, de mais qualidade e mais resultados também.

Brasil cai para 11º no quadro de medalhas

O Brasil mostrou uma maior força coletiva nesta edição do Mundial, alcançando 57 finais, 15 a mais do que o Mundial de Glasgow – não usamos o Mundial de 2017 como referência porque a competição foi adiada em função de um terremoto e várias potências não estiveram presentes, como Grã-Bretanha e Rússia. Mas, depois de uma campanha histórica nos Jogos Parapan-Americanos de Lima, o evento em Londres foi um duro choque de realidade.

> Mundial de Natação de Glasgow 2015
4) Brasil - 11 🥇 8 🥈 4 🥉 - 23 no total

> Mundial de Natação de Londres 2019
11) Brasil - 5 🥇 6 🥈 6 🥉- 17 no total

A delegação brasileira cresceu nas provas para cegos (S11 a S13) e para deficientes intelectuais (S14). Mas não pôde contar com os tradicionais multimedalhistas e despencou no quadro de medalhas. Foi do 4º para o 11º lugar. A Itália, que nunca tinha ficado à frente do Brasil na classificação, surpreendeu e terminou na liderança do evento, com 50 medalhas, sendo 20 de ouro.

- Mais do que o fortalecimento da Itália são as medalhas que o Brasil perde. (Perdemos) pelo menos cinco medalhas de ouro aqui, porque o chinês (Lichao Wang) nadando livre, o Daniel não conquista mais nenhuma medalha de ouro pelos tempos que a gente viu aqui. Óbvio que o crescimento da Itália vai impactar, e o desafio se torna ainda maior pelas medalhas que o Brasil deixa de ganhar por conta do processo de classificação - disse Mizael Conrado, presidente do Comitê Paralímpico do Brasil (CPB).

Daniel Dias pode nadar menos em Tóquio

A baixa na equipe começou pela inelegibilidade de Andre Brasil, um dos maiores nomes da história da classe S10, para atletas com deficiência motora mínima. O CPB está recorrendo da decisão, mas no momento o carioca está impedido de competir no esporte paralímpico. Phelipe Rodrigues, maior medalhista do Parapan com sete pratas e um bronze, até fez bons tempos levando em consideração suas melhores marcas pessoais, mas deixou a Inglaterra com apenas um pódio.

Daniel Dias ainda se manteve entre os principais vencedores da competição, com pódios nas quatro provas individuais que disputou – o que não conseguiu nos dois revezamentos em que liderou a equipe.


Daniel Dias se despede do Mundial com bronze nos 50m costas  — Foto: Ale Cabral/CPB

Mas penou diante do aumento significativo de competitividade na classe S5, que recebeu vários atletas que até 2018 competiam na classe S6, para nadadores com menor comprometimento físico. O novo cenário pode, inclusive, fazê-lo rever o programa de provas para os Jogos de Tóquio 2020.

- Eu precisava ver como ia ser esse Mundial. Tem dois chineses que não apareceram e que, se seguir o padrão, vão baixar de classe. Isso vai tornar mais difícil ainda a disputa. Provavelmente eu vou ter que mudar sim, focar em determinadas provas para chegar lá e dar o tiro certo.