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Brasileiras relatam sobre a crise vivida na Europa, o epicentro da pandemia do coronavírus

Piauiense que mora há um ano em Barcelona detalhou sua nova rotina, após o vírus

Aos 26 anos, a arquiteta Flávia Lourenço saiu de São Paulo com destino à Itália. Há 15 anos, a administradora Janine Botelho saiu de Teresina, no Piauí, com destino a Portugal, França e há um ano mora em Barcelona, na Espanha. Hoje, as duas vivem uma realidade diferente da vida que construíram na Europa. Com a epidemia de Covid-19, as brasileiras narraram ao Portal AZ como é viver na região que é o epicentro da doença. 


Flávia Lourenço mora há 12 anos na Itália (Foto: arquivo pessoal)

Morando em Saronno, comuna italiana da região da Lombardia, há nove anos, Flávia diz não sair de casa desde o dia 8 de março. Com o marido e o filho de quatro anos, a brasileira vive o confinamento em um país que já teve mais de 59.000 casos confirmados e 5.476 mortes por Covid-19. 

“A minha rotina se reduziu a ficar no meu apartamento com meu marido e meu filho de 4 anos, que não vai à escola desde o dia 24 de fevereiro. No máximo, descemos no jardim do prédio para jogarmos bola ou tomarmos um ar, evitando cruzar com os vizinhos. Mudaram as relações, as pessoas não estão mais se vendo, nem os parentes mais próximos, nem meus sogros por exemplo, porque não sabemos mais quem pode ser positivo e passar o vírus ao outro. Os professores da escola dele (do filho) tem mandado atividades diariamente através de uma plataforma online. A gente fala normalmente sobre o vírus para ele, até pra tentar explicar toda a situação para ele e o porquê de estarmos presos assim em casa”.


Janine Botelho (Foto: reprodução)

Sem conhecer fronteiras, o novo vírus atingiu também outros países da Europa. Em Barcelona, na Espanha, a mais de 1.000 km de Saronno, na Itália, a piauiense Janine Botelho afirmou que o governo já vem intervindo na região com medidas de reclusão. Há nove dias, a piauiense está confinada em casa com a família e narra às adaptações feitas para viver a nova rotina. 

Assista ao vídeo:

“Nos últimos dois dias as autoridades sanitárias tem percebido que o contágio é bem mais grave do que se pensava. Nos primeiros dias foi um pouco complicado. Estávamos meio sem norte para poder estabelecer uma nova rotina. Então nos primeiros dias estávamos meio confusos, mas agora já nos organizamos. Aqui também houve um fenômeno, como na Itália, de esgotamento dos supermercados, de bens não perecíveis e perecíveis, mas agora já está voltando tudo ao normal. Não nos faltou nada em casa. Estão funcionando com entrega em casa ou indo ao supermercado. Todo dias às oito horas a população sai à janela para aplaudir os profissionais de saúde que estão trabalhando nos hospitais”.


Distância entre Saronno e Barcelona (Foto: Google Maps)

Com a mudança de hábitos do mundo, o relato das duas brasileiras vai de encontro às novas medidas de higienização. Há também nos dois países a conscientização por parte do governo de que o melhor tem sido ficar em casa para evitar que a linha de contágio aumente. 

“As orientações são que a gente saia somente por motivos de trabalho, por urgência ou necessidade. Existem alguns controles nas ruas. Um policial pode, por exemplo, parar uma pessoa para entender porque ela está na rua, e ela tem que mostrar uma auto certificação que ateste o real motivo dela estar na rua”, conta Flávia, da Itália.

“A população aqui está engajada para ficar em casa. De qualquer maneira é proibido sair e tem policia na rua para controlar quem sai. Essas medidas são muito extremas porque a situação é muito grave. O governo não para de ressaltar isso. Então o melhor que a gente pode fazer é ficar em casa mesmo. Eu, graças a Deus, não apresentei nenhum sintoma da doença até agora e nem ninguém da minha família, mas hoje já não é mais essa a questão. Toda população foi exposta a esse vírus nos últimos 14 dias então a única maneira de saber se você não está infectado pelo coronavírus é você ficar em quarentena por 14 dias sem ter contato com ninguém. Estamos assim há nove dias e até agora não tivemos nada. Graças a Deus”, afirmou Janine, da Espanha.

O painel online da Universidade de Johns Hopkins, localizada em Baltimore, nos Estados Unidos, traz dados atualizados na pandemia em todo o mundo. Nos dados da manhã desta segunda (23), a ferramenta, mostrou 15.328 mortes no mundo, sendo a maior parte delas na Itália. Além disso, 100.182 pessoas se recuperaram do vírus no mundo. 

No Brasil, a projeção é que no mês de abril o país viva o pico da doença. Com fronteiras fechadas, Flávia não pensa em voltar a São Paulo e acredita que logo a distância entre seus familiares não seja determinada por uma pandemia. 

Site mostra movimentação dos casos no mundo (Foto: reprodução)

“Em nenhum momento me passou pela cabeça voltar ao Brasil. Moro na Itália há 12 anos e sou casada com um advogado italiano, temos um filho. Nossa vida é aqui na Itália. Fico muito angustiada de estar longe da minha família do Brasil, mas tenho certeza que daqui a pouco estaremos nos abraçando como antes”

Já Janine teve que mudar os planos de retornar a Teresina. Com previsão de vir a capital do Piauí em maio, a piauiense acredita que o melhor agora seja esperar para ter o reencontro desejado.

 “Deveríamos ir ao Piauí agora em maio, mas acreditamos que a nossa ida esteja comprometida com toda essa situação. O governo aqui está falando em dois meses de confinamento. Os primeiros resultados do confinamento devem aparecer na próxima semana com a redução do numero de novos casos. Agora estou no ápice porque todas as pessoas que tiveram contágio ou contato com alguém ainda vão apresentar os sintomas”.

Em todo o mundo, a única forma de reduzir e dizimar a doença ao longo do tempo vem sendo o confinamento. Ficar em casa é uma campanha mundial que vem necessitando da solidariedade e conscientização da humanidade. Com isso, o relato final de Janine Botelho vem carregado de apelo. 

“Por favor, sejam solidários. Ainda dá tempo. Vão para casa. Fiquem em casa. Cada hora conta, cada dia a menos conta, cada mês a menos conta e cada vez que você não vai para rua tudo isso conta para suas saúde, a saúde de uma população inteira. Todo mundo está falando muito agora de medidas econômicas, que são muito importantes, mas a primeira coisa a ser feita agora é ir para casa. Então, por favor, sejam conscientes. É muito sério. Fiquem em casa”.

Aos 26 anos, a arquiteta Flávia Lourenço saiu de São Paulo com destino à Itália. Há 15 anos, a administradora Janine Botelho saiu de Teresina, no Piauí, com destino a Portugal, França e há um ano mora em Barcelona, na Espanha. Hoje, as duas vivem uma realidade diferente da vida que construíram na Europa. Com a epidemia de Covid-19, as brasileiras narraram ao Portal AZ como é viver na região que é o epicentro da doença. 


Flávia Lourenço mora há 12 anos na Itália (Foto: arquivo pessoal)

Morando em Saronno, comuna italiana da região da Lombardia, há nove anos, Flávia diz não sair de casa desde o dia 8 de março. Com o marido e o filho de quatro anos, a brasileira vive o confinamento em um país que já teve mais de 59.000 casos confirmados e 5.476 mortes por Covid-19. 

“A minha rotina se reduziu a ficar no meu apartamento com meu marido e meu filho de 4 anos, que não vai à escola desde o dia 24 de fevereiro. No máximo, descemos no jardim do prédio para jogarmos bola ou tomarmos um ar, evitando cruzar com os vizinhos. Mudaram as relações, as pessoas não estão mais se vendo, nem os parentes mais próximos, nem meus sogros por exemplo, porque não sabemos mais quem pode ser positivo e passar o vírus ao outro. Os professores da escola dele (do filho) tem mandado atividades diariamente através de uma plataforma online. A gente fala normalmente sobre o vírus para ele, até pra tentar explicar toda a situação para ele e o porquê de estarmos presos assim em casa”.


Janine Botelho (Foto: reprodução)

Sem conhecer fronteiras, o novo vírus atingiu também outros países da Europa. Em Barcelona, na Espanha, a mais de 1.000 km de Saronno, na Itália, a piauiense Janine Botelho afirmou que o governo já vem intervindo na região com medidas de reclusão. Há nove dias, a piauiense está confinada em casa com a família e narra às adaptações feitas para viver a nova rotina. 

Assista ao vídeo:

“Nos últimos dois dias as autoridades sanitárias tem percebido que o contágio é bem mais grave do que se pensava. Nos primeiros dias foi um pouco complicado. Estávamos meio sem norte para poder estabelecer uma nova rotina. Então nos primeiros dias estávamos meio confusos, mas agora já nos organizamos. Aqui também houve um fenômeno, como na Itália, de esgotamento dos supermercados, de bens não perecíveis e perecíveis, mas agora já está voltando tudo ao normal. Não nos faltou nada em casa. Estão funcionando com entrega em casa ou indo ao supermercado. Todo dias às oito horas a população sai à janela para aplaudir os profissionais de saúde que estão trabalhando nos hospitais”.


Distância entre Saronno e Barcelona (Foto: Google Maps)

Com a mudança de hábitos do mundo, o relato das duas brasileiras vai de encontro às novas medidas de higienização. Há também nos dois países a conscientização por parte do governo de que o melhor tem sido ficar em casa para evitar que a linha de contágio aumente. 

“As orientações são que a gente saia somente por motivos de trabalho, por urgência ou necessidade. Existem alguns controles nas ruas. Um policial pode, por exemplo, parar uma pessoa para entender porque ela está na rua, e ela tem que mostrar uma auto certificação que ateste o real motivo dela estar na rua”, conta Flávia, da Itália.

“A população aqui está engajada para ficar em casa. De qualquer maneira é proibido sair e tem policia na rua para controlar quem sai. Essas medidas são muito extremas porque a situação é muito grave. O governo não para de ressaltar isso. Então o melhor que a gente pode fazer é ficar em casa mesmo. Eu, graças a Deus, não apresentei nenhum sintoma da doença até agora e nem ninguém da minha família, mas hoje já não é mais essa a questão. Toda população foi exposta a esse vírus nos últimos 14 dias então a única maneira de saber se você não está infectado pelo coronavírus é você ficar em quarentena por 14 dias sem ter contato com ninguém. Estamos assim há nove dias e até agora não tivemos nada. Graças a Deus”, afirmou Janine, da Espanha.

O painel online da Universidade de Johns Hopkins, localizada em Baltimore, nos Estados Unidos, traz dados atualizados na pandemia em todo o mundo. Nos dados da manhã desta segunda (23), a ferramenta, mostrou 15.328 mortes no mundo, sendo a maior parte delas na Itália. Além disso, 100.182 pessoas se recuperaram do vírus no mundo. 

No Brasil, a projeção é que no mês de abril o país viva o pico da doença. Com fronteiras fechadas, Flávia não pensa em voltar a São Paulo e acredita que logo a distância entre seus familiares não seja determinada por uma pandemia. 

Site mostra movimentação dos casos no mundo (Foto: reprodução)

“Em nenhum momento me passou pela cabeça voltar ao Brasil. Moro na Itália há 12 anos e sou casada com um advogado italiano, temos um filho. Nossa vida é aqui na Itália. Fico muito angustiada de estar longe da minha família do Brasil, mas tenho certeza que daqui a pouco estaremos nos abraçando como antes”

Já Janine teve que mudar os planos de retornar a Teresina. Com previsão de vir a capital do Piauí em maio, a piauiense acredita que o melhor agora seja esperar para ter o reencontro desejado.

 “Deveríamos ir ao Piauí agora em maio, mas acreditamos que a nossa ida esteja comprometida com toda essa situação. O governo aqui está falando em dois meses de confinamento. Os primeiros resultados do confinamento devem aparecer na próxima semana com a redução do numero de novos casos. Agora estou no ápice porque todas as pessoas que tiveram contágio ou contato com alguém ainda vão apresentar os sintomas”.

Em todo o mundo, a única forma de reduzir e dizimar a doença ao longo do tempo vem sendo o confinamento. Ficar em casa é uma campanha mundial que vem necessitando da solidariedade e conscientização da humanidade. Com isso, o relato final de Janine Botelho vem carregado de apelo. 

“Por favor, sejam solidários. Ainda dá tempo. Vão para casa. Fiquem em casa. Cada hora conta, cada dia a menos conta, cada mês a menos conta e cada vez que você não vai para rua tudo isso conta para suas saúde, a saúde de uma população inteira. Todo mundo está falando muito agora de medidas econômicas, que são muito importantes, mas a primeira coisa a ser feita agora é ir para casa. Então, por favor, sejam conscientes. É muito sério. Fiquem em casa”.