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‘Não vou esperar f**** minha família’, disse Bolsonaro em reunião

Celso de Mello liberou divulgação da gravação do encontro citado por Moro

O presidente da República, Jair Bolsonaro, sinalizou que pode interferir “em todos os ministérios” e até trocar ministros para proteger sua família. O posicionamento consta do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril tornado público pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello nesta 6ª feira (22.mai.2020). Alguns trechos, entretanto, continuam sob sigilo.

Bolsonaro na reunião ministerial de 22 de abril (Foto: Marcos Corrêa / PR)

Bolsonaro criticou o sistema de inteligência brasileiro, bem como o que planeja a sua segurança. “Prefiro não ter informação do que ser desinformado por sistema de informações que eu tenho”.

O mandatário reclamou do que chamou de perseguição ao seus parentes por parte de veículos de comunicação. Citou episódio em que foi noticiado suposta expulsão de seu irmão de 1 açougue por tentar comprar carne sem utilizar máscara. Bolsonaro falou que foi comprovado que seu irmão nem sequer estava no ambiente citado por reportagem do jornal Folha de S. Paulo, e que, mesmo assim, o caso ficou “por isso mesmo”.

“Então, pessoal, muitos vão poder sair do Brasil, mas não quero sair e ver a minha irmã de Eldorado, outra de Cajati, o coitado do meu irmão capitão do Exército de … de … de … lá de Miracatu se foder, porra! Como é perseguido o tempo todo. Aí a bosta da Folha de São Paulo diz que meu irmão foi expulso dum açougue em Registro, que tava comprando carne sem máscara. Comprovou no papel, tava em São Paulo esse dia. O dono do … do restaurante do … do pa … de … do açougue falou que ele não tava lá. E fica por isso mesmo. Eu sei que é problema dele, né? Mas é a putaria o tempo todo pra me atingir, mexendo com a minha família”.

Assista ao vídeo na íntegra:

Na sequência, o presidente anuncia que já tentou trocar “gente da nossa segurança no Rio de Janeiro”, no que ele acrescenta: “Não vou esperar foder a minha família toda”.

“Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira”.

Interferência em Ministérios

Em determinado trecho da gravação, logo depois de reclamar sobre o caso do sigilo dos seus testes para covid-19, o presidente Jair Bolsonaro bradou que iria “interferir em todos ministérios, sem exceção”. O presidente também reclamou que a Polícia Federal não lhe dá informações.

“É 1 apelo que faço a todos, que se preocupem com política, pra não ser surpreendido. Eu não vou esperar o barco começar a afundar pra tirar água. Estou tirando água, e vou continuar tirando água de todos os ministérios no tocante a isso. A pessoa tem que entender. Se não quer entender, paciência, pô! E eu tenho o poder e vou interferir em todos os ministérios, sem exceção. Nos bancos eu falo com o Paulo Guedes, se tiver que interferir. Nunca tive problema com ele, zero problema com Paulo Guedes. Agora os demais, vou! Eu não posso ser surpreendido com notícias. Pô, eu tenho a PF que não me dá informações.”

O presidente da República continua, em momento que ele reclama da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e do que chamou de “aparelhamento” do Estado que estaria dificultando seu acesso às informações.

“Eu tenho as … as inteligências das Forças Armadas que não tenho informações. ABIN tem os seus problemas, tenho algumas informações. Só não tenho mais porque tá faltando, realmente, temos problemas, pô! Aparelhamento etc. Mas a gente num pode viver sem informação. Sem info … co … quem é que nunca ficou atrás do … da … da … da … da … da … da … da porta ouvindo o que seu filho ou sua filha tá … tá comentando. Tem que ver pra depois que e … depois que ela engravida, não adianta falar com ela mais. Tem que ver antes … depois que o moleque encheu os cornos de … de droga, já não adianta mais falar com ele, já era. E informação é assim. Eu tava vendo, estudando em fim de semana aqui como é que o serviço chinês, \secreto, trabalha nos Estados Unidos”.

Contradição sobre informações

Os delegados Cairo Costa Duarte e Rodrigo Morais Fernandes disseram em depoimento na 4ª feira (20.mai.2020) que deram informações suficientes ao presidente Jair Bolsonaro sobre o caso Adélio Bispo. Os policiais prestaram esclarecimentos no âmbito do inquérito que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal) para investigar suposta tentativa de interferência política na Polícia Federal.

Os policiais prestaram esclarecimentos no âmbito do inquérito que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal) para investigar suposta tentativa de interferência política na Polícia Federal.

Em pelo menos 2 momentos, as declarações dos policiais diferem das alegações do chefe do Executivo relacionadas à investigação sobre o atentado sofrido na campanha de 2018.

Duarte e Fernandes disseram que estiveram com Bolsonaro em duas ocasiões. Uma no 1º semestre de 2019 e outra na última semana, em 15 de maio. Segundo os depoentes, nos 2 encontros, o objetivo era apresentar o andamento das apurações e que o presidente, “aparentemente”, não manifestou qualquer incômodo com o andamento das apurações sobre o atentado.

Matérias relacionadas:

Em reunião, Bolsonaro diz: 'Não posso ser surpreendido com notícias. Pô, eu tenho a PF que não me dá informações'    
Leia a transcrição do vídeo da reunião que Moro diz provar a interferência de Bolsonaro na PF    

O presidente da República, Jair Bolsonaro, sinalizou que pode interferir “em todos os ministérios” e até trocar ministros para proteger sua família. O posicionamento consta do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril tornado público pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello nesta 6ª feira (22.mai.2020). Alguns trechos, entretanto, continuam sob sigilo.

Bolsonaro na reunião ministerial de 22 de abril (Foto: Marcos Corrêa / PR)

Bolsonaro criticou o sistema de inteligência brasileiro, bem como o que planeja a sua segurança. “Prefiro não ter informação do que ser desinformado por sistema de informações que eu tenho”.

O mandatário reclamou do que chamou de perseguição ao seus parentes por parte de veículos de comunicação. Citou episódio em que foi noticiado suposta expulsão de seu irmão de 1 açougue por tentar comprar carne sem utilizar máscara. Bolsonaro falou que foi comprovado que seu irmão nem sequer estava no ambiente citado por reportagem do jornal Folha de S. Paulo, e que, mesmo assim, o caso ficou “por isso mesmo”.

“Então, pessoal, muitos vão poder sair do Brasil, mas não quero sair e ver a minha irmã de Eldorado, outra de Cajati, o coitado do meu irmão capitão do Exército de … de … de … lá de Miracatu se foder, porra! Como é perseguido o tempo todo. Aí a bosta da Folha de São Paulo diz que meu irmão foi expulso dum açougue em Registro, que tava comprando carne sem máscara. Comprovou no papel, tava em São Paulo esse dia. O dono do … do restaurante do … do pa … de … do açougue falou que ele não tava lá. E fica por isso mesmo. Eu sei que é problema dele, né? Mas é a putaria o tempo todo pra me atingir, mexendo com a minha família”.

Assista ao vídeo na íntegra:

Na sequência, o presidente anuncia que já tentou trocar “gente da nossa segurança no Rio de Janeiro”, no que ele acrescenta: “Não vou esperar foder a minha família toda”.

“Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira”.

Interferência em Ministérios

Em determinado trecho da gravação, logo depois de reclamar sobre o caso do sigilo dos seus testes para covid-19, o presidente Jair Bolsonaro bradou que iria “interferir em todos ministérios, sem exceção”. O presidente também reclamou que a Polícia Federal não lhe dá informações.

“É 1 apelo que faço a todos, que se preocupem com política, pra não ser surpreendido. Eu não vou esperar o barco começar a afundar pra tirar água. Estou tirando água, e vou continuar tirando água de todos os ministérios no tocante a isso. A pessoa tem que entender. Se não quer entender, paciência, pô! E eu tenho o poder e vou interferir em todos os ministérios, sem exceção. Nos bancos eu falo com o Paulo Guedes, se tiver que interferir. Nunca tive problema com ele, zero problema com Paulo Guedes. Agora os demais, vou! Eu não posso ser surpreendido com notícias. Pô, eu tenho a PF que não me dá informações.”

O presidente da República continua, em momento que ele reclama da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e do que chamou de “aparelhamento” do Estado que estaria dificultando seu acesso às informações.

“Eu tenho as … as inteligências das Forças Armadas que não tenho informações. ABIN tem os seus problemas, tenho algumas informações. Só não tenho mais porque tá faltando, realmente, temos problemas, pô! Aparelhamento etc. Mas a gente num pode viver sem informação. Sem info … co … quem é que nunca ficou atrás do … da … da … da … da … da … da … da porta ouvindo o que seu filho ou sua filha tá … tá comentando. Tem que ver pra depois que e … depois que ela engravida, não adianta falar com ela mais. Tem que ver antes … depois que o moleque encheu os cornos de … de droga, já não adianta mais falar com ele, já era. E informação é assim. Eu tava vendo, estudando em fim de semana aqui como é que o serviço chinês, \secreto, trabalha nos Estados Unidos”.

Contradição sobre informações

Os delegados Cairo Costa Duarte e Rodrigo Morais Fernandes disseram em depoimento na 4ª feira (20.mai.2020) que deram informações suficientes ao presidente Jair Bolsonaro sobre o caso Adélio Bispo. Os policiais prestaram esclarecimentos no âmbito do inquérito que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal) para investigar suposta tentativa de interferência política na Polícia Federal.

Os policiais prestaram esclarecimentos no âmbito do inquérito que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal) para investigar suposta tentativa de interferência política na Polícia Federal.

Em pelo menos 2 momentos, as declarações dos policiais diferem das alegações do chefe do Executivo relacionadas à investigação sobre o atentado sofrido na campanha de 2018.

Duarte e Fernandes disseram que estiveram com Bolsonaro em duas ocasiões. Uma no 1º semestre de 2019 e outra na última semana, em 15 de maio. Segundo os depoentes, nos 2 encontros, o objetivo era apresentar o andamento das apurações e que o presidente, “aparentemente”, não manifestou qualquer incômodo com o andamento das apurações sobre o atentado.

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