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A cultura do voto

O que poderia ser apenas um ocasional ‘modus operandi’ dentro da ilegalidade, o que tem se tornado muito corriqueiro no Brasil, em muitos segmentos, a comercialização de votos durante os períodos eleitorais se transformou em cultura política, própria do comportamento eleitoral pela qual o eleitor, que vende, e os políticos que compram, acredita ser o certo. E, com isso, passam a construir uma carreira alicerçada na mentira, no engodo, enfim, na falsa realidade. Sem querer parafrasear Rui Barbosa – mas já o fazendo - toda essa patifaria com dinheiro público faz lembrar o caso em que, de tanto ver triunfar as nulidades, o homem chega a desanimar-se da virtude, rir-se da honra e ter vergonha de ser honesto. As nulidades, neste país, passaram a ser valoradas, em completa inversão de valores. Passa batido nas urnas, derrotado, o candidato de propostas voltadas para o bem estar da cidade e de seu povo. Ganha-o, aquele mais esperto, inescrupuloso, que acha que com o dinheiro resolve tudo. Ontem, em Teresina, se viu um escândalo de compra de votos com a suposta participação do presidente da Câmara de Vereadores, Jeová Alencar. Mas a polícia que o investiga, chega   lamentavelmente, dois anos atrasada. Tivesse a Policia Federal investigado a campanha eleitoral de 2018 teria evitado a eleição para o Senado de um dos eleitos, pois descobriria a farra de dinheiro derramado entre vereadores, mais de 20 dos 29, todos transformados em cabos eleitorais. Saiu vencedor um ‘líder’ de liderança opaca, Mas esse fenômeno da troca do voto inunda (e envergonha) o Brasil. Que se dá de todas as formas. Na cidade de Barras (71km ao norte de Teresina), o prefeito eleito Edilson Capote apelou para a compra do ‘chefe político’ e os batizou. Como a cidade está entre três rios, o dono de um bom ‘curral eleitoral’, foi batizado de ‘peixe de couro’, cujo valor variava entre R$ 80 mil a R$ 150 mil. Os ‘peixes nobres de escama’, variam de R$ 40 mil a R$ 60 mil e o chefe político certamente de poucos votos era batizado de ‘piaba do rabo seco’, cujos votos eram pagos (ou seriam) a preços entre R$ 25 mil a R$ 35 mil. Capote, eleito para mais um mandato, deve ter inaugurado essa forma de compra tão valorosa porque é um rico comerciante no ramo de veículos no Distrito Federal. Como Jeová, de Teresina, seu mandato pode lhe custar alguns carros de sua loja e, por fim, perdê-lo definitivamente, chamado tecnicamente de captação ilícita de sufrágio que resulta na cassação do registro ou diploma do candidato (e multa), capitulados no artigo 41-A da lei 0.504/1997. Então, que bom que, para mudar esse péssimo hábito que grassa em toda eleição a polícia pegasse os tubarões e os peixes grande. Não só as piabas do rabo seco.

Em postagem nas redes sociais, senador Ciro Nogueira festejou a prisão deste jornalista (Foto: Lucas Sousa / Portal AZ)

Coisa do Piauí!

Decididamente, a justiça que manda prender não é a mesma que solta. Principalmente quando envolve este jornalista.
Para prender, em junho passado, o juiz da Central de Inquéritos, Valdemir dos Santos, parece ter feito mágicas.
O tempo do pedido feito pelo Greco para a decisão da prisão foi relâmpago.
Assim, the flash.

Coisa do Piauí 2!

O STJ decidiu pela liberdade deste jornalista na tarde de terça-feira.
Até ontem, final da tarde, se não fosse a certidão da decisão da 6ª turma, este jornalista ainda estaria aguardando o oficial de justiça.
Quem sabe, ele deve aparecer no final da próxima semana.

Agora, quando é contra...

No início deste mês, para fazer a intimação deste jornalista para audiência, na terça-feira, de um poderoso desafeto – de interesse dele – o zeloso oficial de justiça bateu à minha casa num sábado a tarde.
A desculpa do cara limpa foi: “eu estava sem fazer nada...”.

Espelho, espelho meu!

O senador Ciro Nogueira (PP) chegou a comemorar em suas redes sociais a prisão deste jornalista, em junho passado. Passou inclusive, a falar do que, para ele, significa o mau jornalismo.
Então, ele comemorou a prisão de quem, há quase meio século, denuncia desmandos, desvios de conduta dos agentes públicos, enfim, denuncia todo tipo de corrupção.
Como as que envolvem o senador, por exemplo.

Enfim...

Para aqueles que, como o senador Ciro Nogueira festejaram – incluindo a deputada Margarete Coelho – fica a lição de que eles é que devem se precaver pelas falcatruas que praticam imaginando que ninguém sabe ou ficará sabendo.
Epa, a Polícia meteu a deputada Coelho na Topique?

Papel relevante

O papel da coluna e do Portal AZ é simplesmente o de denunciar. Não comemorar.
E se vai aqui praticando esse ‘mau jornalismo’ de que fala o senador Ciro, que é o de denunciar os corruptos.

Eleições

Impressionante, analisando as circunstâncias da minha prisão, que durou mais de 160 dias, privado de tudo, inclusive proibido de escrever, já não se pode negar que eles também me queriam longe da campanha eleitoral deste ano.
Em 50 anos, esta é a primeira vez que não cubro uma eleição. O que eles temiam?

Eleição em Sampa

Se apoio político plural for suficiente para ganhar eleição, Guilherme Boulos pode encomendar a camisa da posse. De Ciro Gomes a Lula, de Marina Silva a Flavio Dino, são adesões de líderes nacionais tentando empurrar o candidato do PSOL para a vitória.

Eleição em Sampa 2

Mas as pesquisas mais recentes demonstram que Bruno Covas, o candidato tucano, tem uma folga que varia entre 5 e 10 pontos, na média. Mas isto não é definitivo.

Eleição em Sampa 3

Em São Paulo, essa vantagem, se colocada nas urnas, leva a uma maioria  acima de 200.000 votos, mas o risco de virada ainda pode acontecer. O voto nulo pode descer o muro contra o tucano e fazer a vitória da esquerda na principal capital do País.

Ping-Pong
Olho gordo, literalmente!

Quem conta é Sebastião Nery: Delfim Netto ia para os Estados Unidos na primeira classe. Chega o comissário do bordo com um carrinho de aperitivos cheio de gusoleimas: patês, queijos, salmão, caviar. Delfim ficou olhando, a papada gorda, os olhos mais gordos ainda.

O comissário: “Um pouco de alguma coisa, ministro?”
Delfim: “Não. Bastante de tudo”.

Expressas

Em decreto assinado ontem, o prefeito Firmino Filho liberou o funcionamento dos espaços de lazer e recreação infantil em Teresina. 

O documento estabelece que esses locais deverão manter os protocolos de higiene e segurança para evitar a disseminação da Covid-19 na capital.

O Hospital Getúlio Vargas (HGV) atendeu 73,85% a mais de pacientes regulados de outras unidades em relação ao ano de 2019. 

O que poderia ser apenas um ocasional ‘modus operandi’ dentro da ilegalidade, o que tem se tornado muito corriqueiro no Brasil, em muitos segmentos, a comercialização de votos durante os períodos eleitorais se transformou em cultura política, própria do comportamento eleitoral pela qual o eleitor, que vende, e os políticos que compram, acredita ser o certo. E, com isso, passam a construir uma carreira alicerçada na mentira, no engodo, enfim, na falsa realidade. Sem querer parafrasear Rui Barbosa – mas já o fazendo - toda essa patifaria com dinheiro público faz lembrar o caso em que, de tanto ver triunfar as nulidades, o homem chega a desanimar-se da virtude, rir-se da honra e ter vergonha de ser honesto. As nulidades, neste país, passaram a ser valoradas, em completa inversão de valores. Passa batido nas urnas, derrotado, o candidato de propostas voltadas para o bem estar da cidade e de seu povo. Ganha-o, aquele mais esperto, inescrupuloso, que acha que com o dinheiro resolve tudo. Ontem, em Teresina, se viu um escândalo de compra de votos com a suposta participação do presidente da Câmara de Vereadores, Jeová Alencar. Mas a polícia que o investiga, chega   lamentavelmente, dois anos atrasada. Tivesse a Policia Federal investigado a campanha eleitoral de 2018 teria evitado a eleição para o Senado de um dos eleitos, pois descobriria a farra de dinheiro derramado entre vereadores, mais de 20 dos 29, todos transformados em cabos eleitorais. Saiu vencedor um ‘líder’ de liderança opaca, Mas esse fenômeno da troca do voto inunda (e envergonha) o Brasil. Que se dá de todas as formas. Na cidade de Barras (71km ao norte de Teresina), o prefeito eleito Edilson Capote apelou para a compra do ‘chefe político’ e os batizou. Como a cidade está entre três rios, o dono de um bom ‘curral eleitoral’, foi batizado de ‘peixe de couro’, cujo valor variava entre R$ 80 mil a R$ 150 mil. Os ‘peixes nobres de escama’, variam de R$ 40 mil a R$ 60 mil e o chefe político certamente de poucos votos era batizado de ‘piaba do rabo seco’, cujos votos eram pagos (ou seriam) a preços entre R$ 25 mil a R$ 35 mil. Capote, eleito para mais um mandato, deve ter inaugurado essa forma de compra tão valorosa porque é um rico comerciante no ramo de veículos no Distrito Federal. Como Jeová, de Teresina, seu mandato pode lhe custar alguns carros de sua loja e, por fim, perdê-lo definitivamente, chamado tecnicamente de captação ilícita de sufrágio que resulta na cassação do registro ou diploma do candidato (e multa), capitulados no artigo 41-A da lei 0.504/1997. Então, que bom que, para mudar esse péssimo hábito que grassa em toda eleição a polícia pegasse os tubarões e os peixes grande. Não só as piabas do rabo seco.

Em postagem nas redes sociais, senador Ciro Nogueira festejou a prisão deste jornalista (Foto: Lucas Sousa / Portal AZ)

Coisa do Piauí!

Decididamente, a justiça que manda prender não é a mesma que solta. Principalmente quando envolve este jornalista.
Para prender, em junho passado, o juiz da Central de Inquéritos, Valdemir dos Santos, parece ter feito mágicas.
O tempo do pedido feito pelo Greco para a decisão da prisão foi relâmpago.
Assim, the flash.

Coisa do Piauí 2!

O STJ decidiu pela liberdade deste jornalista na tarde de terça-feira.
Até ontem, final da tarde, se não fosse a certidão da decisão da 6ª turma, este jornalista ainda estaria aguardando o oficial de justiça.
Quem sabe, ele deve aparecer no final da próxima semana.

Agora, quando é contra...

No início deste mês, para fazer a intimação deste jornalista para audiência, na terça-feira, de um poderoso desafeto – de interesse dele – o zeloso oficial de justiça bateu à minha casa num sábado a tarde.
A desculpa do cara limpa foi: “eu estava sem fazer nada...”.

Espelho, espelho meu!

O senador Ciro Nogueira (PP) chegou a comemorar em suas redes sociais a prisão deste jornalista, em junho passado. Passou inclusive, a falar do que, para ele, significa o mau jornalismo.
Então, ele comemorou a prisão de quem, há quase meio século, denuncia desmandos, desvios de conduta dos agentes públicos, enfim, denuncia todo tipo de corrupção.
Como as que envolvem o senador, por exemplo.

Enfim...

Para aqueles que, como o senador Ciro Nogueira festejaram – incluindo a deputada Margarete Coelho – fica a lição de que eles é que devem se precaver pelas falcatruas que praticam imaginando que ninguém sabe ou ficará sabendo.
Epa, a Polícia meteu a deputada Coelho na Topique?

Papel relevante

O papel da coluna e do Portal AZ é simplesmente o de denunciar. Não comemorar.
E se vai aqui praticando esse ‘mau jornalismo’ de que fala o senador Ciro, que é o de denunciar os corruptos.

Eleições

Impressionante, analisando as circunstâncias da minha prisão, que durou mais de 160 dias, privado de tudo, inclusive proibido de escrever, já não se pode negar que eles também me queriam longe da campanha eleitoral deste ano.
Em 50 anos, esta é a primeira vez que não cubro uma eleição. O que eles temiam?

Eleição em Sampa

Se apoio político plural for suficiente para ganhar eleição, Guilherme Boulos pode encomendar a camisa da posse. De Ciro Gomes a Lula, de Marina Silva a Flavio Dino, são adesões de líderes nacionais tentando empurrar o candidato do PSOL para a vitória.

Eleição em Sampa 2

Mas as pesquisas mais recentes demonstram que Bruno Covas, o candidato tucano, tem uma folga que varia entre 5 e 10 pontos, na média. Mas isto não é definitivo.

Eleição em Sampa 3

Em São Paulo, essa vantagem, se colocada nas urnas, leva a uma maioria  acima de 200.000 votos, mas o risco de virada ainda pode acontecer. O voto nulo pode descer o muro contra o tucano e fazer a vitória da esquerda na principal capital do País.

Ping-Pong
Olho gordo, literalmente!

Quem conta é Sebastião Nery: Delfim Netto ia para os Estados Unidos na primeira classe. Chega o comissário do bordo com um carrinho de aperitivos cheio de gusoleimas: patês, queijos, salmão, caviar. Delfim ficou olhando, a papada gorda, os olhos mais gordos ainda.

O comissário: “Um pouco de alguma coisa, ministro?”
Delfim: “Não. Bastante de tudo”.

Expressas

Em decreto assinado ontem, o prefeito Firmino Filho liberou o funcionamento dos espaços de lazer e recreação infantil em Teresina. 

O documento estabelece que esses locais deverão manter os protocolos de higiene e segurança para evitar a disseminação da Covid-19 na capital.

O Hospital Getúlio Vargas (HGV) atendeu 73,85% a mais de pacientes regulados de outras unidades em relação ao ano de 2019. 

Números mágicos A extorsão suplicada