Vazamento de chaves Pix preocupa especialistas em segurança digital

Exposição de dados na dark web aumenta riscos de golpes e fraudes financeiras

Por Dominic Ferreira,

Os vazamentos de chaves Pix estão entre os principais incidentes de segurança cibernética que marcaram o Brasil em 2024. De acordo com um relatório anual da empresa de segurança Apura, o número de ocorrências registradas pelo Banco Central (BC) chegou a 12, afetando instituições financeiras distintas e expondo informações vinculadas a mais de 260 mil chaves Pix.

Foto: Reprodução | Marcelo Casal Jr | Agência BrasilMais de 260 mil chaves Pix estão relacionadas a 12 ocorrências reportadas pelo BC em 2024.
Mais de 260 mil chaves Pix estão relacionadas a 12 ocorrências reportadas pelo BC em 2024.

Embora o BC e as instituições financeiras envolvidas afirmem que nenhum dado sensível tenha sido comprometido, especialistas alertam que a exposição de dados cadastrais pode facilitar golpes de phishing e outros ataques de engenharia social. Segundo Anchises Moraes, analista de Threat Intelligence da Apura, criminosos utilizam essas informações para se passarem por instituições financeiras, obtendo credenciais bancárias das vítimas ou convencendo-as a instalar vírus em seus dispositivos.

O primeiro vazamento de 2025 foi registrado há duas semanas, quando 25.349 chaves Pix sob guarda da QI Sociedade de Crédito Direto S.A. foram expostas. Assim como nos casos anteriores, o BC atribuiu o incidente a "falhas pontuais em sistemas", o que levanta preocupações sobre a fragilidade estrutural de algumas instituições financeiras. Rafael Federici, especialista em direito digital, destaca que dados vazados frequentemente acabam sendo comercializados na dark web, aumentando os riscos para os usuários.

Para mitigar o problema, o BC anunciou novas normas de segurança para o Pix, incluindo a exclusão de chaves de pessoas físicas e jurídicas cuja situação cadastral esteja irregular na Receita Federal. Cerca de 8 milhões de chaves poderão ser removidas, reduzindo brechas para fraudes. Além disso, informações vinculadas a chaves aleatórias não poderão mais ser alteradas, sendo necessário excluí-las e criar novas para qualquer atualização.

Fonte: Correio Braziliense

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