Cálculo das tarifas “recíprocas” de Trump ignora dados reais e pode gerar crise

Administração usa fórmula vaga para justificar tarifas e países reagem com desconfiança

Por Dominic Ferreira,

Apesar de alegar que suas novas tarifas comerciais seriam “recíprocas”, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou um método simplificado e controverso para definir os percentuais que aplicará sobre dezenas de parceiros comerciais. Em vez de basear-se nas tarifas que os países cobram dos EUA, a Casa Branca criou um cálculo próprio que divide o déficit comercial de um país com os EUA por suas exportações, multiplicando o resultado por 1/2 — um modelo que ignora dados tarifários reais e introduz distorções preocupantes.

Foto: Foto: EFE/ Lukas CochDonald Trump
Donald Trump

O governo afirma que considerou também fatores como investimento estrangeiro, barreiras regulatórias e manipulação cambial, o que torna o processo ainda menos transparente. Especialistas afirmam que esse tipo de metodologia transforma os déficits comerciais em bodes expiatórios para medidas unilaterais, o que pode afetar seriamente empresas e setores econômicos que mantêm relação com os EUA.“Não parece ter havido nenhuma tarifa usada no cálculo da taxa”, afirmou Mike O’Rourke, da Jones Trading, destacando o caráter político da decisão.

Países como Vietnã e União Europeia, por exemplo, viram suas tarifas inflacionadas artificialmente por supostas barreiras não comerciais, como subsídios internos ou regras alfandegárias complexas. A estratégia, segundo analistas, parece uma forma improvisada de punir nações com grandes superávits comerciais. Joe Brusuelas, da RSM, afirma que as medidas não têm base técnica sólida:  “Pareceu-me um esforço improvisado para punir países por terem grandes superávits comerciais com os Estados Unidos.”

Apesar da retórica do governo Trump, déficits comerciais não são necessariamente negativos. Economistas lembram que eles refletem hábitos de consumo e poupança, e não desequilíbrios nocivos por si só. Usar tarifas como resposta a esses déficits pode gerar retaliações em cadeia e desestabilizar o comércio global. John Dove, da Troy University, alerta: “poderiam muito rapidamente acabar em uma situação em que teriam 25% da economia mundial contra os outros 75%”, disse ele, “e posso dizer quem sairá na frente nisso”.

Fonte: CNN Money

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