Impasse entre ICMBio e empresa do Rio Grande do Norte bloqueia pagamento na Serra da Capivara
Dezenas de guariteiras e vigilantes estão com salários atrasados
Hoje, sexta-feira, dia 31 de janeiro, último dia do primeiro mês de 2020, os funcionários terceirizados do Parque Nacional Serra da Capivara, na região de São Raimundo Nonato (525 km de Teresina), enfrentam as privações inerentes a três salários sem pagamentos. Estão em aberto os meses de dezembro 2019, o décimo terceiro do ano passado e, agora, o pagamento de janeiro.
- Participe do nosso grupo de WhatsApp
- Participe do nosso grupo de Telegram
- Confira os jogos e classificação dos principais campeonatos
Impasse entre ICMBio e empresa do Rio Grande do Norte bloqueia pagamento na Serra da Capivara (Foto: divulgação)
Os servidores do parque alegam dificuldades inclusive para se deslocar ao trabalho. Muitos, não dispõe de recursos para pagar o combustível necessário para o transporte até as guaritas, algumas delas ficam distantes até 70 quilômetros da zona urbana do município, o que, nesse caso, totaliza 140 km entre ida e volta. Em casa problemas como contas atrasadas e falta de alimentos afligem as famílias.
Um impasse entre a empresa FP Global do Rio Grande do Norte e o ICMBio, em Brasília, travou o pagamento dos funcionários. A empresa informa através de um representante que o órgão ambiental está com três faturas em aberto e, sem receber esses recursos, não consegue pagar a folha dos seus empregados.
O problema começou a se agravar no ano de 2018 quando o ICMBio deixou de fazer o repasse financeiro diretamente para a Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM), pagar as mulheres que trabalham nas guaritas do parque. O órgão preferiu fazer licitações nacionais, a última delas ganha pela FP Global. Nesse período a empresa vencedora já mudou duas vezes.
Retrocesso
Nos últimos dias o Portal AZ vem publicando uma série de reportagens que destacam as polêmicas envolvendo a atual gerência da unidade de conservação. Os temas mostram retrocessos em várias questões caras ao parque nacional. O pouco diálogo com os condutores de visitantes, o descontrole da caça de animais silvestres, os atrasos nos pagamentos dos seus funcionários, os riscos inerentes a visitação sem condutores, entre outras questões comprovam esse quadro.
A iniciativa de contratação exclusiva de mulheres para ocupar postos de trabalhos diurnos nas guaritas do parque, que de tão importante, inovadora e inclusiva, pode até ser vista como uma questão humanitária, é um exemplo dos diferentes legados da pesquisadora Niéde Guidon, 86 anos.
Infelizmente, atualmente prevalece a insegurança, o medo e incerteza do dia de amanhã. A última informação do ICMBio, repassada ontem à noite pela coordenação da CR5 com base em Parnaíba, afirma que ainda hoje deve se posicionar sobre o caso. (AP).
Nesta sexta-feira, a coordenação do ICMBio - CR5, enviou a cópia de uma Ata (ainda não assinada), datada de agosto de 2019, com duas linhas afirmando que por 14 votos foi aprovada a abertura do BPF sem a presença de condutores de visitantes.