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Empresa de energia solar da Itália causa grandes danos ambientais no Piauí

Rompimento das Bacias de Contenção da Enel causou impactos irreparáveis no interior

Pela terceira vez em um ano, a bacia de contenção do Parque Solar São Gonçalo, na região do município de São Gonçalo do Gurguéia (798 km de Teresina), da multinacional Green Power,  rompeu provocando muita destruição no caminho das águas. 

O último desastre ocorreu no sábado (29) fevereiro aterrando nascentes, riachos, brejos, além de derrubar uma ponte, assorear estradas, plantações e vegetação nativa, atingindo o Rio Gurguéia, sustentáculo da população do município, um dos mais pobres do Piauí.

Empresa de energia solar da Itália causa grandes danos ambientais no Piauí ( Tânia Martins/PortalAZ )

Os atingidos acusam a Enel, Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Piauí (SEMAR), assim como Ministério Público de negligenciarem desde o primeiro rompimento em fevereiro de 2019. 

Segundo eles, nenhuma medida foi tomada para solucionar o problema, o que levou ao terceiro rompimento. O secretário de Meio Ambiente de São Gonçalo, Edilberto Gonçalves, confirma que encaminhou ofícios aos órgãos de controle e a empresa, mas nada aconteceu. 

Rompimento das Bacias de Contenção da Enel causou impactos irreparáveis no interior ( Tânia Martins/PortalAZ )

Ele explicou que essas pequenas bacias foram construídas para amortecer a velocidade da água que é canalizada através de canais de concreto, “são dissipadoras, jogam água para o Cerrado e canalizam para as nascentes, basta chover um pouco além da média para que elas transbordem, pois a água não infiltra”, afirma. 

Segundo ele, o solo ali é muito poroso e acredita na possibilidade de erro de engenharia, “o certo seria construir bacias maiores para conter grandes volumes d´água”, avalia.

Leida Gonçalves Lima, bióloga da Prefeitura narra que os prejuízos ambientais são imensuráveis. “Um rico buritizal (mata de buritis) foi soterrado por sedimentos e areia causando a morte de animais. Já no Riacho dos Macacos, o estrago foi maior, soterrou tudo, destruiu plantações, roças, aliás, toda drenagem da água desapareceu, porém, nossa maior preocupação é com o Rio Gurguéia, o sustentáculo de toda essa região. Com a morte das nascentes, aterramento de riachos essa areia vai com certeza, assorear o Gurgueia”, afirma e diz que nem em dez anos a área será recuperada.

Prejuízos ambientais são imensuráveis, diz bióloga ( Tânia Martins/PortalAZ )

O presidente da ONG Fundação Rio Parnaíba, Vitor Aguiar, também critica a falta de ação dos órgãos, ele diz que ainda em setembro protocolou ofícios na Semar, no Ministério Público e que esteve pessoalmente no escritório da Enel em Teresina. “Ninguém se manifestou para resolver o problema da bacia de contenção, tanto é que aconteceu novo rompimento com maiores impactos ao meio ambiente e as pessoas na região”.

Já o promotor responsável pela Comarca, José Sérvio de Deus, alegou que na época não respondia por São Gonçalo e acredita que deve ter sido instaurado algum procedimento, mas não sabia dizer qual, e que agora vai aguardar o relatório de fiscalização da Semar para agir.  

O que diz a empresa

Tommaso Quadrini, Diretor de Gestão de Projetos da Enel Green Power, informou que a empresa desde sempre agiu com responsabilidade socioambiental, cumprindo as leis ambientais existentes e que farão o que for possível para mitigar os impactos causados com o rompimento das bacias. 

Ele nega não ter havido providências desde o primeiro acidente. “Contratamos empresas para avaliar os impactos, recuperar as estruturas, as nascentes, monitorar a qualidade da água, nossa politica de trabalho é voltada para a sustentabilidade social, ambiental e econômica da região”, diz, atribuindo o acidente as fortes chuvas na região. 

Para o diretor não houve erros de engenharia, “as estruturas das bacias foram que não resistiram as fortes chuvas”, resumiu. Ele fez questão de ressaltar a importância do empreendimento na região e a geração de empregos.

O que diz a SEMAR

A secretária de Meio Ambiente do Estado do Piauí, Sádia Castro, informou que tão logo tomou conhecimento do desastre enviou para o local uma equipe de fiscais, auditores e engenheiros para avaliar os impactos. “Temos todo interesse em apurar o que aconteceu até porque existe um plano de contingenciamento da Enel que era para ter sido cumprido, mas, somente após o relatório da equipe em campo é que teremos conhecimento sobre o que ocorreu”. 

Ela não soube explicar o que aconteceu quando do primeiro rompimento porque ainda não estava na Semar, disse ainda que na próxima semana haverá uma reunião com os representantes da Enel para tratar sobre o assunto.

Impactos com chegada da Enel  

“No princípio tudo foi só alegria e contentamento, os recursos arrecadados com o ICMS ajudou a melhorar a infraestrutura da cidade, depois, com a chegada dos forasteiros, tudo se transformou”, informou uma moradora da cidade que pediu sigilo do nome embora tenha feito questão de narrar à situação em que se encontra hoje a pequena São Gonçalo, município com menos de cinco mil moradores.

Segundo ela, como a cidade não dispõe de mão de obra qualificada para o trabalho que exige o parque da Enel Green Power, chegaram muitos trabalhadores de outras regiões e essa gente não se comporta com respeito promovendo arruaças, bebedeiras, consumo de drogas, engravidando adolescentes. Para ela, o certo seria a empresa promover treinamentos de boa conduta dos que ali chegam para trabalhar.

Sobre o assunto, a empresa informou que reconhece o aumento do fluxo de pessoas e que instalou canais de comunicação com a comunidade para relato de eventuais problemas de comportamento de pessoas envolvidas na obra e que são realizadas reuniões da Comissão de Acompanhamento do Empreendimento onde se discute temas relevantes as comunidades.

Pela terceira vez em um ano, a bacia de contenção do Parque Solar São Gonçalo, na região do município de São Gonçalo do Gurguéia (798 km de Teresina), da multinacional Green Power,  rompeu provocando muita destruição no caminho das águas. 

O último desastre ocorreu no sábado (29) fevereiro aterrando nascentes, riachos, brejos, além de derrubar uma ponte, assorear estradas, plantações e vegetação nativa, atingindo o Rio Gurguéia, sustentáculo da população do município, um dos mais pobres do Piauí.

Empresa de energia solar da Itália causa grandes danos ambientais no Piauí ( Tânia Martins/PortalAZ )

Os atingidos acusam a Enel, Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Piauí (SEMAR), assim como Ministério Público de negligenciarem desde o primeiro rompimento em fevereiro de 2019. 

Segundo eles, nenhuma medida foi tomada para solucionar o problema, o que levou ao terceiro rompimento. O secretário de Meio Ambiente de São Gonçalo, Edilberto Gonçalves, confirma que encaminhou ofícios aos órgãos de controle e a empresa, mas nada aconteceu. 

Rompimento das Bacias de Contenção da Enel causou impactos irreparáveis no interior ( Tânia Martins/PortalAZ )

Ele explicou que essas pequenas bacias foram construídas para amortecer a velocidade da água que é canalizada através de canais de concreto, “são dissipadoras, jogam água para o Cerrado e canalizam para as nascentes, basta chover um pouco além da média para que elas transbordem, pois a água não infiltra”, afirma. 

Segundo ele, o solo ali é muito poroso e acredita na possibilidade de erro de engenharia, “o certo seria construir bacias maiores para conter grandes volumes d´água”, avalia.

Leida Gonçalves Lima, bióloga da Prefeitura narra que os prejuízos ambientais são imensuráveis. “Um rico buritizal (mata de buritis) foi soterrado por sedimentos e areia causando a morte de animais. Já no Riacho dos Macacos, o estrago foi maior, soterrou tudo, destruiu plantações, roças, aliás, toda drenagem da água desapareceu, porém, nossa maior preocupação é com o Rio Gurguéia, o sustentáculo de toda essa região. Com a morte das nascentes, aterramento de riachos essa areia vai com certeza, assorear o Gurgueia”, afirma e diz que nem em dez anos a área será recuperada.

Prejuízos ambientais são imensuráveis, diz bióloga ( Tânia Martins/PortalAZ )

O presidente da ONG Fundação Rio Parnaíba, Vitor Aguiar, também critica a falta de ação dos órgãos, ele diz que ainda em setembro protocolou ofícios na Semar, no Ministério Público e que esteve pessoalmente no escritório da Enel em Teresina. “Ninguém se manifestou para resolver o problema da bacia de contenção, tanto é que aconteceu novo rompimento com maiores impactos ao meio ambiente e as pessoas na região”.

Já o promotor responsável pela Comarca, José Sérvio de Deus, alegou que na época não respondia por São Gonçalo e acredita que deve ter sido instaurado algum procedimento, mas não sabia dizer qual, e que agora vai aguardar o relatório de fiscalização da Semar para agir.  

O que diz a empresa

Tommaso Quadrini, Diretor de Gestão de Projetos da Enel Green Power, informou que a empresa desde sempre agiu com responsabilidade socioambiental, cumprindo as leis ambientais existentes e que farão o que for possível para mitigar os impactos causados com o rompimento das bacias. 

Ele nega não ter havido providências desde o primeiro acidente. “Contratamos empresas para avaliar os impactos, recuperar as estruturas, as nascentes, monitorar a qualidade da água, nossa politica de trabalho é voltada para a sustentabilidade social, ambiental e econômica da região”, diz, atribuindo o acidente as fortes chuvas na região. 

Para o diretor não houve erros de engenharia, “as estruturas das bacias foram que não resistiram as fortes chuvas”, resumiu. Ele fez questão de ressaltar a importância do empreendimento na região e a geração de empregos.

O que diz a SEMAR

A secretária de Meio Ambiente do Estado do Piauí, Sádia Castro, informou que tão logo tomou conhecimento do desastre enviou para o local uma equipe de fiscais, auditores e engenheiros para avaliar os impactos. “Temos todo interesse em apurar o que aconteceu até porque existe um plano de contingenciamento da Enel que era para ter sido cumprido, mas, somente após o relatório da equipe em campo é que teremos conhecimento sobre o que ocorreu”. 

Ela não soube explicar o que aconteceu quando do primeiro rompimento porque ainda não estava na Semar, disse ainda que na próxima semana haverá uma reunião com os representantes da Enel para tratar sobre o assunto.

Impactos com chegada da Enel  

“No princípio tudo foi só alegria e contentamento, os recursos arrecadados com o ICMS ajudou a melhorar a infraestrutura da cidade, depois, com a chegada dos forasteiros, tudo se transformou”, informou uma moradora da cidade que pediu sigilo do nome embora tenha feito questão de narrar à situação em que se encontra hoje a pequena São Gonçalo, município com menos de cinco mil moradores.

Segundo ela, como a cidade não dispõe de mão de obra qualificada para o trabalho que exige o parque da Enel Green Power, chegaram muitos trabalhadores de outras regiões e essa gente não se comporta com respeito promovendo arruaças, bebedeiras, consumo de drogas, engravidando adolescentes. Para ela, o certo seria a empresa promover treinamentos de boa conduta dos que ali chegam para trabalhar.

Sobre o assunto, a empresa informou que reconhece o aumento do fluxo de pessoas e que instalou canais de comunicação com a comunidade para relato de eventuais problemas de comportamento de pessoas envolvidas na obra e que são realizadas reuniões da Comissão de Acompanhamento do Empreendimento onde se discute temas relevantes as comunidades.