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Denúncia contra a caça de animais silvestres na Serra da Capivara ganha destaque nacional

Maior ONG de defesa da vida selvagem no Brasil repercute escândalo no Piauí

A Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), uma das maiores ONGs de defesa da vida selvagem no Brasil, com repercussão internacional, republicou matéria exclusiva veiculada em primeira mão pelo Portal AZ denunciando o descontrole na caça de animais silvestres no Parque Nacional da Serra da Capivara, sertão do Piauí.

Denúncia contra a caça de animais silvestres na Serra da Capivara ganha destaque nacional

A reportagem foi republicada na íntegra no site da Renctas que,  além de atuar em todo o território nacional, mantém parcerias com uma série de instituições do exterior. A matéria que após alguns dias da sua publicação original ganhou repercussão ainda maior com a divulgação de um áudio do analista ambiental do ICMBio, Marco Freitas, comprovando as denúncias, virou escândalo nacional.

No entanto, apesar da polêmica e seriedade do caso, a direção nacional do ICMBio, em Brasília, sequer se pronunciou sobre o assunto. A Coordenação Regional do ICMBio e a chefia da Capivara também se calaram. O único que falou e, de forma agressiva, quase ameaçadora, foi o coordenador da Companhia de Policiamento Ambiental do 11* Batalhão da Polícia Militar, que sequer tinha sido citado na reportagem, mas sofreu acusações do fiscal do ICMBio no áudio divulgado. 

Ao invés de responder às acusações do funcionário do próprio ICMBio, o capitão Odair Paes Landim Ribeiro, emitiu nota tentando cercear o trabalho da imprensa, em especial deste repórter. Em relação as denúncias, ele nada falou. Ao contrário, fez foi uma defesa enfática da chefe do parque, papel que caberia mais a um advogado de defesa.

Por outro lado, os protagonistas do áudio que veio a público, provavelmente pressionados, gravaram mensagens tentando desdizer o que fora veiculado. “Foi publicada informações minhas. Informações técnicas, pessoais. Opiniões pessoais a respeito da conservação do parque, né?... dando opinião pessoal e técnica. Lembrando que uma opinião pessoal e técnica, é uma opinião pessoal e técnica, pessoal. Não significa que seja a verdade.... Uma coisa é uma opinião pessoal, outra coisa é aquilo ser verdade...” sic, tentou se justificar Freitas depois da enorme repercussão. 

Maior ONG de defesa da vida selvagem no Brasil repercute escândalo no Piauí

Não adiantou, o leite já estava derramado. Sem poder contestar a origem do áudio e a sua participação direta, Marco Freitas, que é analista Ambiental concursado do próprio ICMBio e um dos fiscais responsáveis pelas operações de repressão à caça nos parques do Piauí, deu o aval oficial que amplificou, ainda mais, a gravidade da denúncia.

Claro que após as diversas pressões que ele sofreu, supostamente do próprio órgão, em especial da gerente da CR5 do ICMBio, Ana Célia, o fiscal tentou amenizar o escândalo alegando, conforme visto acima, tratar-se de uma opinião pessoal. 

O problema é que Marco Freitas, constrangido e aparentemente sem argumentos, tentou afirmar que o áudio era de 2019, logo após uma operação que ele protagonizou na Serra da Capivara com a prisão de vários caçadores, armas e muitos, muitos animais abatidos. 

Freitas pode até alegar problemas de memória, mas, na verdade, o áudio é bem mais recente. Foi enviado pelo próprio analista ambiental do ICMBio no final do mês de janeiro de 2020, para o vigilante João Leite, logo após a publicação da matéria da caça no PortalAZ, no dia 29 janeiro. Mais. Nesse mesmo dia, Marco Freitas gravou outro áudio elogiando o conteúdo da reportagem e afirmando: “Meu amigo, excelente matéria. Eu adorei. Vocês citaram... muito rica a matéria em detalhes. Tomara que eles tomem alguma providência, né?... pra resolver esse problema aí. Parabéns pela matéria. Muito bem feita mesmo. Eu vi que partiu de vocês a matéria. Tem um monte de fotos minhas, né?... Bacana!”, afirmou ele se dirigindo ao vigilante João Leite, sem nenhum constrangimento. 

Ferramentas usadas pelos caçadores

Leite também teve que correr para gravar um áudio negando tudo. Colocou por água abaixo mais de duas décadas de combate aos caçadores na Serra da Capivara, carregando em seu corpo, inclusive, a cicatriz de um ferimento à bala durante uma ocorrência na reserva e que levou à morte um dos vigilantes. Disse, entre outras abobrinhas, que não existe nenhum vestígio de caça na Serra da Capivara. Virou piada entre os amigos, informantes e fontes. Mas, aparentemente conseguiu evitar uma demissão. 

No caso do Marco Freitas é mais grave. Como funcionário público federal, seu depoimento tem peso e deve ser levado em conta pelas autoridades. Afinal, ele não é mais uma criança e tem total responsabilidade sobre as suas palavras. Cabe a ele provar que o áudio é ilegal ou que a voz não é dele. Como sabe que não pode fazer isso, trata-se de informação de interesse público, Freitas entrou em desespero e começou a ameaçar o autor da reportagem
de sofrer um processo, coisa que ela sabe ser inviável, afinal o áudio foi gravado e compartilhado por livre e espontânea vontade dele. Agora, se ele admite que tudo que falou são bravatas, mentiras, que ele assuma os seus erros.

Estranho é num dia ele elogiar a reportagem e, logo depois, contestar. Para relembrar aos leitores a gravidade dos depoimentos, vamos reproduzir outra vez o áudio do analista ambiental na íntegra. Você, leitor, tire as suas próprias conclusões!

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Caça de animais no Parque Serra da Capivara foge do controle    

A Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), uma das maiores ONGs de defesa da vida selvagem no Brasil, com repercussão internacional, republicou matéria exclusiva veiculada em primeira mão pelo Portal AZ denunciando o descontrole na caça de animais silvestres no Parque Nacional da Serra da Capivara, sertão do Piauí.

Denúncia contra a caça de animais silvestres na Serra da Capivara ganha destaque nacional

A reportagem foi republicada na íntegra no site da Renctas que,  além de atuar em todo o território nacional, mantém parcerias com uma série de instituições do exterior. A matéria que após alguns dias da sua publicação original ganhou repercussão ainda maior com a divulgação de um áudio do analista ambiental do ICMBio, Marco Freitas, comprovando as denúncias, virou escândalo nacional.

No entanto, apesar da polêmica e seriedade do caso, a direção nacional do ICMBio, em Brasília, sequer se pronunciou sobre o assunto. A Coordenação Regional do ICMBio e a chefia da Capivara também se calaram. O único que falou e, de forma agressiva, quase ameaçadora, foi o coordenador da Companhia de Policiamento Ambiental do 11* Batalhão da Polícia Militar, que sequer tinha sido citado na reportagem, mas sofreu acusações do fiscal do ICMBio no áudio divulgado. 

Ao invés de responder às acusações do funcionário do próprio ICMBio, o capitão Odair Paes Landim Ribeiro, emitiu nota tentando cercear o trabalho da imprensa, em especial deste repórter. Em relação as denúncias, ele nada falou. Ao contrário, fez foi uma defesa enfática da chefe do parque, papel que caberia mais a um advogado de defesa.

Por outro lado, os protagonistas do áudio que veio a público, provavelmente pressionados, gravaram mensagens tentando desdizer o que fora veiculado. “Foi publicada informações minhas. Informações técnicas, pessoais. Opiniões pessoais a respeito da conservação do parque, né?... dando opinião pessoal e técnica. Lembrando que uma opinião pessoal e técnica, é uma opinião pessoal e técnica, pessoal. Não significa que seja a verdade.... Uma coisa é uma opinião pessoal, outra coisa é aquilo ser verdade...” sic, tentou se justificar Freitas depois da enorme repercussão. 

Maior ONG de defesa da vida selvagem no Brasil repercute escândalo no Piauí

Não adiantou, o leite já estava derramado. Sem poder contestar a origem do áudio e a sua participação direta, Marco Freitas, que é analista Ambiental concursado do próprio ICMBio e um dos fiscais responsáveis pelas operações de repressão à caça nos parques do Piauí, deu o aval oficial que amplificou, ainda mais, a gravidade da denúncia.

Claro que após as diversas pressões que ele sofreu, supostamente do próprio órgão, em especial da gerente da CR5 do ICMBio, Ana Célia, o fiscal tentou amenizar o escândalo alegando, conforme visto acima, tratar-se de uma opinião pessoal. 

O problema é que Marco Freitas, constrangido e aparentemente sem argumentos, tentou afirmar que o áudio era de 2019, logo após uma operação que ele protagonizou na Serra da Capivara com a prisão de vários caçadores, armas e muitos, muitos animais abatidos. 

Freitas pode até alegar problemas de memória, mas, na verdade, o áudio é bem mais recente. Foi enviado pelo próprio analista ambiental do ICMBio no final do mês de janeiro de 2020, para o vigilante João Leite, logo após a publicação da matéria da caça no PortalAZ, no dia 29 janeiro. Mais. Nesse mesmo dia, Marco Freitas gravou outro áudio elogiando o conteúdo da reportagem e afirmando: “Meu amigo, excelente matéria. Eu adorei. Vocês citaram... muito rica a matéria em detalhes. Tomara que eles tomem alguma providência, né?... pra resolver esse problema aí. Parabéns pela matéria. Muito bem feita mesmo. Eu vi que partiu de vocês a matéria. Tem um monte de fotos minhas, né?... Bacana!”, afirmou ele se dirigindo ao vigilante João Leite, sem nenhum constrangimento. 

Ferramentas usadas pelos caçadores

Leite também teve que correr para gravar um áudio negando tudo. Colocou por água abaixo mais de duas décadas de combate aos caçadores na Serra da Capivara, carregando em seu corpo, inclusive, a cicatriz de um ferimento à bala durante uma ocorrência na reserva e que levou à morte um dos vigilantes. Disse, entre outras abobrinhas, que não existe nenhum vestígio de caça na Serra da Capivara. Virou piada entre os amigos, informantes e fontes. Mas, aparentemente conseguiu evitar uma demissão. 

No caso do Marco Freitas é mais grave. Como funcionário público federal, seu depoimento tem peso e deve ser levado em conta pelas autoridades. Afinal, ele não é mais uma criança e tem total responsabilidade sobre as suas palavras. Cabe a ele provar que o áudio é ilegal ou que a voz não é dele. Como sabe que não pode fazer isso, trata-se de informação de interesse público, Freitas entrou em desespero e começou a ameaçar o autor da reportagem
de sofrer um processo, coisa que ela sabe ser inviável, afinal o áudio foi gravado e compartilhado por livre e espontânea vontade dele. Agora, se ele admite que tudo que falou são bravatas, mentiras, que ele assuma os seus erros.

Estranho é num dia ele elogiar a reportagem e, logo depois, contestar. Para relembrar aos leitores a gravidade dos depoimentos, vamos reproduzir outra vez o áudio do analista ambiental na íntegra. Você, leitor, tire as suas próprias conclusões!

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