Partido de Putin obtém maioria recorde em eleição parlamentar na Rússia

Rússia Unida alcança 57,83% dos votos com mais de 95% das urnas apuradas

Por Viviane Setragni,

O partido Rússia Unida, ligado ao presidente Vladimir Putin, venceu as eleições parlamentares realizadas na Rússia entre sexta-feira (18) e domingo (20). Com mais de 95% dos votos apurados, a legenda recebeu 57,83% dos votos e deve ocupar 355 das 450 cadeiras da Duma Estatal, a Câmara Baixa do Parlamento russo, segundo a Comissão Eleitoral Central.

O resultado garante ao partido uma maioria constitucional na Duma. A votação deste ano foi a primeira eleição parlamentar realizada no país desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

O Rússia Unida já havia vencido as eleições parlamentares anteriores. Em 2021, a legenda recebeu 49,8% dos votos e conquistou 324 cadeiras. O número projetado para a nova legislatura, de 355 deputados, supera o recorde anterior de 343 cadeiras obtido pelo partido em 2016.

O Partido Comunista da Federação Russa aparece em segundo lugar na votação proporcional, com cerca de 13,8% dos votos, seguido pelo Partido Liberal Democrático da Rússia, com aproximadamente 9%, e pelo Novas Pessoas, com quase 8%. As demais legendas que participaram da disputa tiveram desempenho inferior.

A eleição ocorreu em um ambiente de forte controle político. O partido Yabloko, que se posiciona contra a guerra na Ucrânia, foi impedido de disputar a eleição nacional após uma decisão do Supremo Tribunal russo. A legenda havia defendido cessar-fogo e negociações diplomáticas para o conflito.

Foto: AP/Pool Sputnik KremlinOK

Durante a votação, o Yabloko também relatou problemas envolvendo seus observadores. Segundo o partido, um de seus representantes perdeu a consciência após ser detido pela polícia em São Petersburgo, enquanto outros observadores teriam enfrentado restrições para acessar locais de votação.

Organizações e autoridades estrangeiras também questionaram as condições do processo eleitoral. A eleição não contou com a participação da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) como observadora, e grupos de oposição relataram irregularidades. A Rússia, por outro lado, classificou o processo como legítimo.

Além das disputas políticas, a eleição foi realizada em meio à intensificação dos ataques entre Rússia e Ucrânia. Moscou informou ter sido alvo de uma grande ofensiva de drones durante o fim de semana, incluindo ataques direcionados à região da capital.

O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, afirmou que as defesas aéreas russas derrubaram centenas de drones durante o período eleitoral e que cerca de 450 deles tinham como destino a capital. Segundo ele, alguns equipamentos atingiram áreas da refinaria de petróleo de Moscou e um edifício residencial.

O governador da região de Moscou, Andrei Vorobyov, informou que duas pessoas morreram em ataques registrados em outras áreas da região. As autoridades russas acusaram a Ucrânia de tentar interferir na votação.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou que forças ucranianas realizaram ataques contra alvos na região de Moscou. Segundo ele, uma instalação considerada estratégica da indústria petrolífera e uma estrutura logística foram atingidas.

A Comissão Eleitoral Central russa também informou que a infraestrutura utilizada durante a votação sofreu mais de mil tentativas de ataques de negação de serviço distribuída, conhecidos como DDoS. A presidente da comissão, Ella Pamfilova, classificou os ataques como de alto nível e afirmou que teriam sido realizados por grupos coordenados e com ferramentas de inteligência artificial.

Ataques DDoS consistem no envio de grandes volumes de tráfego a uma rede ou serviço para provocar sobrecarga e dificultar seu funcionamento. As autoridades russas não apresentaram, no material divulgado, uma atribuição independente dos ataques a um responsável específico.

A votação também ocorreu em territórios ucranianos ocupados pela Rússia, incluindo regiões que Moscou declarou ter anexado. A Ucrânia e a maior parte da comunidade internacional não reconhecem essas áreas como parte do território russo.

Fonte: Euronews

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