Centrão defende voto distrital misto e articula mudança no sistema eleitoral
Proposta em debate na Câmara prevê transição a partir de 2030 e adoção integral em 2034
Partidos do Centrão na Câmara dos Deputados retomaram as articulações para mudar o sistema eleitoral brasileiro após as eleições de 2026. A proposta prevê substituir o atual modelo proporcional pelo voto distrital misto, com o objetivo de reduzir a influência dos chamados “puxadores de votos” e ampliar o peso da representação territorial. A intenção das lideranças é construir e discutir uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ainda neste ano, com implementação gradual do novo formato.
A articulação ganhou força após o resultado das urnas, que ampliou a bancada do PL e reduziu o espaço de partidos do Centrão na Câmara. No sistema proporcional atualmente utilizado para eleger deputados federais, estaduais e distritais, além de vereadores, a distribuição das vagas considera o desempenho eleitoral dos partidos e federações. Dessa forma, candidatos com votações expressivas podem contribuir para eleger outros integrantes da mesma legenda, mesmo que esses recebam menos votos individualmente.
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No modelo distrital misto, metade das cadeiras seria preenchida por candidatos eleitos diretamente nos distritos eleitorais, enquanto a outra metade seria distribuída conforme o desempenho dos partidos e listas partidárias. A proposta em discussão prevê uma etapa de transição em 2030, com o chamado “distritão misto”, antes da adoção integral do sistema em 2034. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que pretende buscar apoio de outras legendas e dialogar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para viabilizar a tramitação da mudança.
Especialistas avaliam que o voto distrital misto pode aproximar eleitores e representantes, facilitando a identificação dos parlamentares responsáveis por cada região e a cobrança por resultados. Por outro lado, alertam para o risco de concentração de poder nas cúpulas partidárias, especialmente na definição das listas de candidatos, o que pode prejudicar a diversidade e a representatividade política. Ainda precisam ser definidos pontos como os critérios de transição, a organização das listas partidárias e a delimitação dos distritos, cuja divisão deverá considerar critérios técnicos para evitar favorecimentos políticos.
Fonte: Correio Braziliense