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A visão e missão de Arimatéia Azevedo

Eu tive a oportunidade de conhecer o Arimatéia Azevedo há 27 anos. Na verdade, eu poderia até acrescentar alguns anos a mais, porque antes de conhecê-lo pessoalmente e nos tornarmos amigos, eu já o conhecia de “ouvir falar” e era íntima do que ele escrevia, já que fui (sou) sua leitora assídua e isso me tornava quase da família, porque é assim que a gente sente quando acompanha alguém que nos conquista com a sua arte. 

Arimatéia Azevedo encontra-se preso há mais de 20 dias por crime que não cometeu (Foto: Portal AZ)

Eu estive bem perto do Arimatéia Azevedo, antes de conhecê-lo. Foi quando trabalhamos no mesmo grupo de comunicação – o Sistema Meio Norte, quando ele foi editor do Jornal Meio Norte e eu trabalhava na TV Meio Norte. Como eram prédios diferentes, não tivemos muito contato. Nos bastidores, as pessoas comentavam sobre ele e seu trabalho relevante. E assim, eu construí a imagem do jornalista. Tudo o que eu ouvia, lia e via, me fascinava. Então, antes de ser sua amiga, virei fã. 

Eu queria ter sido, antes de ser publicitária, jornalista. Arimatéia é para mim uma referência do jornalismo investigativo, combativo e relevante para o jornalismo e sociedade. 

Quando o vi pela primeira vez, me surpreendi. Vi um homem de estatura pequena, frágil, diferente da imagem que fazia, pois construí  a sua imagem física baseada à altura do seu trabalho. Então, percebi que a força dele estava na sua capacidade de comunicar e mover o mundo. E isso é bem significativo. O Arimatéia preenche qualquer espaço físico com o simples ato de pensar e transmitir com uma linguagem direta, o que pensa e essa linguagem simples, chega mais longe. 

No ano de 2004 fiz uma pesquisa sobre a história da propaganda e da publicidade no Piauí. Esta pesquisa foi publicada em 2005. Fui pessoalmente entrevistar o Arimatéia sobre a sua iniciativa em instalar o primeiro portal de notícia do Piauí – o Portal AZ. Era um grande feito, já que o acesso à internet era para poucos e a forma de fazer comunicação online ainda uma incógnita. Nessa época, ele já havia se desligado do Grupo MN e criou, em 1999, o portal www.arimateiaazevedo.com.br, com o intuito de vencer as barreiras da censura que os tradicionais veículos de comunicação do Piauí, na sua maioria, impunham por interesse político. Quem é do meio sabe exatamente como funciona. 

Com o crescente número de acesso ao seu portal, o jornalista resolveu que tinha chegado a hora de expandi-lo, e mudar de nome, e assim nasceu o Portal AZ, em 2001.  Segundo Arimatéia Azevedo, ele foi censurado em todos os jornais por onde passou e viu na internet a agilidade para tornar o Portal AZ uma referência no jornalismo online. Quanto ao nome do Portal, em tom de brincadeira, afirma que havia se inspirado na Xuxa: “Se a Xuxa pode ter um Portal X, eu também posso ter com as letras do meu nome AZ”. E o slogan – Notícias de A a Z.

O Portal AZ surgiu no Piauí quando a internet no Brasil já tinha 2,2 milhões de usuários e o governo brasileiro lançou o programa Sociedade da Informação para combater a exclusão digital.

Nessa época, o piauiense não contava ainda com notícias do seu Estado em tempo real, tinha que esperar os jornais impressos para saber dos “últimos” acontecimentos, já que as emissoras de TV em sua maioria, destinam, até hoje, pouco espaço para o jornalismo informativo e as principais FM´s não incluíam na sua grade de programação, notícias. Desde sua implantação, o Portal AZ, ocupa entre as primeiras posições nas pesquisas de audiência. 

Durante esses anos, o AZ passou por diversas mudanças nos quesitos marca, tecnologia e layout, com o intuito de facilitar a navegação, obter maior interatividade, objetivando acompanhar o comportamento do público-alvo e manter a sua liderança. 

Em 2009 o Portal AZ necessitava se reposicionar, fortalecer a sua marca e a Plug Propaganda, onde eu trabalhava na época, foi contratada para isto. Fizemos um estudo de Branding e elaboramos um conjunto de ações alinhadas ao posicionamento, propósito e valores da marca. As reuniões sempre aconteciam no Portal AZ. 

A primeira marca do Portal AZ (Foto: reprodução)

Marca feita pela Plug Propaganda em 2009 e usada até hoje (Foto: reprodução)

Na parede da recepção do Portal AZ que ficava localizado no centro da cidade, no bairro Ilhotas, havia alguns quadros expostos de matérias emolduradas sobre o trabalho do Ari contra o crime organizado. Esses quadros me chamavam a atenção e era minha leitura certa quando eu estava lá o aguardando para reunião e minha inspiração para escrever sua biografia no futuro. 

Foi em 1988, no programa Cidade Livre da Rádio Difusora de Teresina, que Azevedo denunciou pela primeira vez o chefe do crime organizado no Estado, o coronel José Viriato Correia Lima, que veio a ser preso em 1999 numa operação da Polícia Federal. Por conta dessas denúncias, sofreu diversos atentados. Um deles foi inclusive noticiado na Rede Globo, pelo Fantástico, quando teve seu cão chamado Strick, da raça Pastor Alemão, atingido por bala, em uma das patas.

Em 2013 foi descoberto um plano de Correia Lima (mesmo preso), para matar o jornalista Arimatéia Azevedo.  

Esse espírito de rebeldia e irreverência é o traço diferencial do jornalismo de Arimatéia Azevedo, com doses de coragem incomum que marca a sua personalidade. E por conta disso, ao longo da sua trajetória, sofreu perseguição e ameaças de morte.  Mesmo com tantos anos no jornalismo e hoje aos 68 anos de idade, ainda conserva o mesmo entusiasmo profissional de um jovem repórter, apaixonado pelo que faz. 

Estamos todos na torcida para que, em breve, possamos voltar a ler a coluna do Arimatéia Azevedo escrita por ele mesmo. Hoje, nesse espaço nobre, a mim concedido para falar do jornalista, do seu trabalho e sua importância para a comunicação no Piauí, eu quis trazer um pouco do Arimatéia que conheço, com o olhar não só de uma admiradora, amiga, mas também de pesquisadora. É impossível falar de comunicação e jornalismo no Piauí e não mirar o olhar para o trabalho relevante deste jornalista há mais 4 décadas.  No momento, há no jornalismo piauiense, uma grande lacuna. 

Ari tem agora a missão urgente de mais uma vez provar a sua inocência e continuar fazendo história na comunicação do Piauí. 

Por Sâmia de Brito Cardoso Vernieri
Publicitária, Administradora, professora universitária, mestre em comunicação social.

Eu tive a oportunidade de conhecer o Arimatéia Azevedo há 27 anos. Na verdade, eu poderia até acrescentar alguns anos a mais, porque antes de conhecê-lo pessoalmente e nos tornarmos amigos, eu já o conhecia de “ouvir falar” e era íntima do que ele escrevia, já que fui (sou) sua leitora assídua e isso me tornava quase da família, porque é assim que a gente sente quando acompanha alguém que nos conquista com a sua arte. 

Arimatéia Azevedo encontra-se preso há mais de 20 dias por crime que não cometeu (Foto: Portal AZ)

Eu estive bem perto do Arimatéia Azevedo, antes de conhecê-lo. Foi quando trabalhamos no mesmo grupo de comunicação – o Sistema Meio Norte, quando ele foi editor do Jornal Meio Norte e eu trabalhava na TV Meio Norte. Como eram prédios diferentes, não tivemos muito contato. Nos bastidores, as pessoas comentavam sobre ele e seu trabalho relevante. E assim, eu construí a imagem do jornalista. Tudo o que eu ouvia, lia e via, me fascinava. Então, antes de ser sua amiga, virei fã. 

Eu queria ter sido, antes de ser publicitária, jornalista. Arimatéia é para mim uma referência do jornalismo investigativo, combativo e relevante para o jornalismo e sociedade. 

Quando o vi pela primeira vez, me surpreendi. Vi um homem de estatura pequena, frágil, diferente da imagem que fazia, pois construí  a sua imagem física baseada à altura do seu trabalho. Então, percebi que a força dele estava na sua capacidade de comunicar e mover o mundo. E isso é bem significativo. O Arimatéia preenche qualquer espaço físico com o simples ato de pensar e transmitir com uma linguagem direta, o que pensa e essa linguagem simples, chega mais longe. 

No ano de 2004 fiz uma pesquisa sobre a história da propaganda e da publicidade no Piauí. Esta pesquisa foi publicada em 2005. Fui pessoalmente entrevistar o Arimatéia sobre a sua iniciativa em instalar o primeiro portal de notícia do Piauí – o Portal AZ. Era um grande feito, já que o acesso à internet era para poucos e a forma de fazer comunicação online ainda uma incógnita. Nessa época, ele já havia se desligado do Grupo MN e criou, em 1999, o portal www.arimateiaazevedo.com.br, com o intuito de vencer as barreiras da censura que os tradicionais veículos de comunicação do Piauí, na sua maioria, impunham por interesse político. Quem é do meio sabe exatamente como funciona. 

Com o crescente número de acesso ao seu portal, o jornalista resolveu que tinha chegado a hora de expandi-lo, e mudar de nome, e assim nasceu o Portal AZ, em 2001.  Segundo Arimatéia Azevedo, ele foi censurado em todos os jornais por onde passou e viu na internet a agilidade para tornar o Portal AZ uma referência no jornalismo online. Quanto ao nome do Portal, em tom de brincadeira, afirma que havia se inspirado na Xuxa: “Se a Xuxa pode ter um Portal X, eu também posso ter com as letras do meu nome AZ”. E o slogan – Notícias de A a Z.

O Portal AZ surgiu no Piauí quando a internet no Brasil já tinha 2,2 milhões de usuários e o governo brasileiro lançou o programa Sociedade da Informação para combater a exclusão digital.

Nessa época, o piauiense não contava ainda com notícias do seu Estado em tempo real, tinha que esperar os jornais impressos para saber dos “últimos” acontecimentos, já que as emissoras de TV em sua maioria, destinam, até hoje, pouco espaço para o jornalismo informativo e as principais FM´s não incluíam na sua grade de programação, notícias. Desde sua implantação, o Portal AZ, ocupa entre as primeiras posições nas pesquisas de audiência. 

Durante esses anos, o AZ passou por diversas mudanças nos quesitos marca, tecnologia e layout, com o intuito de facilitar a navegação, obter maior interatividade, objetivando acompanhar o comportamento do público-alvo e manter a sua liderança. 

Em 2009 o Portal AZ necessitava se reposicionar, fortalecer a sua marca e a Plug Propaganda, onde eu trabalhava na época, foi contratada para isto. Fizemos um estudo de Branding e elaboramos um conjunto de ações alinhadas ao posicionamento, propósito e valores da marca. As reuniões sempre aconteciam no Portal AZ. 

A primeira marca do Portal AZ (Foto: reprodução)

Marca feita pela Plug Propaganda em 2009 e usada até hoje (Foto: reprodução)

Na parede da recepção do Portal AZ que ficava localizado no centro da cidade, no bairro Ilhotas, havia alguns quadros expostos de matérias emolduradas sobre o trabalho do Ari contra o crime organizado. Esses quadros me chamavam a atenção e era minha leitura certa quando eu estava lá o aguardando para reunião e minha inspiração para escrever sua biografia no futuro. 

Foi em 1988, no programa Cidade Livre da Rádio Difusora de Teresina, que Azevedo denunciou pela primeira vez o chefe do crime organizado no Estado, o coronel José Viriato Correia Lima, que veio a ser preso em 1999 numa operação da Polícia Federal. Por conta dessas denúncias, sofreu diversos atentados. Um deles foi inclusive noticiado na Rede Globo, pelo Fantástico, quando teve seu cão chamado Strick, da raça Pastor Alemão, atingido por bala, em uma das patas.

Em 2013 foi descoberto um plano de Correia Lima (mesmo preso), para matar o jornalista Arimatéia Azevedo.  

Esse espírito de rebeldia e irreverência é o traço diferencial do jornalismo de Arimatéia Azevedo, com doses de coragem incomum que marca a sua personalidade. E por conta disso, ao longo da sua trajetória, sofreu perseguição e ameaças de morte.  Mesmo com tantos anos no jornalismo e hoje aos 68 anos de idade, ainda conserva o mesmo entusiasmo profissional de um jovem repórter, apaixonado pelo que faz. 

Estamos todos na torcida para que, em breve, possamos voltar a ler a coluna do Arimatéia Azevedo escrita por ele mesmo. Hoje, nesse espaço nobre, a mim concedido para falar do jornalista, do seu trabalho e sua importância para a comunicação no Piauí, eu quis trazer um pouco do Arimatéia que conheço, com o olhar não só de uma admiradora, amiga, mas também de pesquisadora. É impossível falar de comunicação e jornalismo no Piauí e não mirar o olhar para o trabalho relevante deste jornalista há mais 4 décadas.  No momento, há no jornalismo piauiense, uma grande lacuna. 

Ari tem agora a missão urgente de mais uma vez provar a sua inocência e continuar fazendo história na comunicação do Piauí. 

Por Sâmia de Brito Cardoso Vernieri
Publicitária, Administradora, professora universitária, mestre em comunicação social.

Arimatéia Azevedo, um amigo querido e especial! A acusação aos acusadores, uma possibilidade!