BC alerta que contas públicas podem limitar novos cortes de juros
Copom cita dívida e risco fiscal como fatores que podem exigir juros mais altos
O Banco Central alertou que o enfraquecimento da disciplina fiscal e as incertezas sobre a trajetória da dívida pública podem dificultar novos cortes nos juros. A avaliação consta da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano na semana passada.
Segundo o documento divulgado nesta terça-feira (22), a política fiscal pode afetar a inflação tanto no curto quanto no longo prazo. O aumento dos gastos públicos tende a estimular o consumo e a atividade econômica, enquanto dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida podem elevar a percepção de risco dos investidores.
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Na avaliação do Copom, esses fatores também podem aumentar a chamada taxa de juros neutra — nível considerado capaz de manter a economia sem estimular nem frear a atividade. Se essa taxa subir, pode ser necessária uma política monetária mais restritiva para conter a inflação.
A ata reforça a necessidade de coordenação entre as políticas fiscal e monetária. Para o BC, medidas fiscais que ajudem a reduzir o risco associado às contas públicas podem contribuir para a convergência da inflação à meta e diminuir a necessidade de juros elevados.
BC mantém cautela sobre próximos cortes
Apesar de reconhecer que a política monetária restritiva já contribui para desacelerar a economia e reduzir a inflação, o Banco Central afirma que a demanda ainda exerce pressão sobre os preços.
A Selic está em 13,75% ao ano após cinco cortes consecutivos desde março. O Copom, porém, não sinalizou compromisso com novas reduções e afirmou que continuará avaliando os dados econômicos antes de definir os próximos passos.
A decisão sobre a taxa, segundo a ata, dependerá da evolução do cenário e da necessidade de manter o grau de restrição monetária considerado adequado para levar a inflação à meta.
Fonte: SBT News