Maduro e Cilia Flores negam envolvimento em plano de tortura de opositores
Justiça dos EUA acrescentou novas acusações ao processo contra o casal; julgamento foi adiado para junho de 2027
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O ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, declararam-se inocentes nesta quinta-feira (15) de novas acusações apresentadas pela Justiça dos Estados Unidos, que apontam participação em uma conspiração para torturar opositores políticos. A audiência ocorreu em um tribunal federal de Manhattan, em Nova York.
A nova denúncia amplia o processo criminal contra o casal, que já respondia a acusações relacionadas ao tráfico de cocaína para os Estados Unidos. Maduro contestou o documento apresentado pelos promotores, enquanto Flores afirmou ser completamente inocente.
Segundo a acusação, Maduro teria ordenado que autoridades venezuelanas sequestrassem e torturassem integrantes da oposição e militares suspeitos de conspirar contra seu governo. Flores é apontada como participante das articulações. Os dois, porém, não são acusados de executar pessoalmente os atos de tortura.
Um dos episódios descritos pelos promotores teria ocorrido em fevereiro de 2014. Conforme a denúncia, Maduro ordenou o sequestro de militares para obter informações sobre possíveis dissidentes e orientou os responsáveis a intensificar a pressão sobre aqueles que resistissem.
A acusação afirma que Flores concordou com o plano apresentado durante uma reunião e rejeitou uma alternativa que previa infiltrar agentes entre os suspeitos.
Os promotores sustentam que as ações tinham como objetivo reprimir adversários políticos, silenciar dissidentes e preservar o poder do grupo ligado ao então presidente venezuelano. As alegações ainda precisam ser examinadas no processo judicial.
Se condenados por todas as acusações, Maduro e Flores poderão enfrentar pena mínima obrigatória de 50 anos de prisão, segundo a denúncia apresentada nos Estados Unidos.
Julgamento fica para 2027
O juiz federal Alvin Hellerstein adiou o início do julgamento para 14 de junho de 2027, em razão da inclusão das novas acusações. O processo também envolve questionamentos da defesa sobre a legalidade da jurisdição americana e a imunidade que o casal alega possuir.
Maduro e Flores foram capturados por militares dos Estados Unidos em uma operação realizada em Caracas, em 3 de janeiro de 2026, por ordem do presidente Donald Trump. Desde então, estão detidos em Nova York.
A captura provocou uma mudança na condução política da Venezuela. A então vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu a liderança do país e ampliou a cooperação com Washington.
O governo americano sustenta que a operação e os processos judiciais fazem parte de seus esforços contra o narcotráfico e outras violações. Maduro, por sua vez, historicamente acusava os Estados Unidos de tentar derrubá-lo para obter influência sobre os recursos naturais venezuelanos.
Fonte: Portal AZ