Chefe de cartório de Piripiri perde função após post contra eleitores do PT

O caso também será submetido à apuração da Corregedoria Regional Eleitoral

Por Redação do Portal AZ,

Lucimeire Barroso do Carmo foi retirada da chefia do Cartório da 11ª Zona Eleitoral, em Piripiri, após compartilhar uma publicação que defendia demissões de trabalhadores e boicote a estabelecimentos por alinhamento político. O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), desembargador José Wilson Ferreira, confirmou a medida nesta quarta-feira (28). O caso também será submetido à apuração da Corregedoria Regional Eleitoral.

Foto: ReproduçãoLucimeire Barroso
Lucimeire Barroso 

A repercussão começou com o compartilhamento de uma postagem da influenciadora Amanda Valatti que incentivava represálias a funcionários e empresários identificados com o PT. Ao reproduzir o conteúdo nas redes sociais, Lucimeire acrescentou a frase “Não dou nem água”. O Diretório Municipal do PT e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Piripiri divulgaram manifestações de repúdio.

O presidente do TRE considerou a manifestação incompatível com a neutralidade exigida no exercício da função. A saída da chefia não representa uma conclusão sobre a responsabilidade disciplinar da servidora, que poderá apresentar defesa durante a apuração.

A retirada da função de confiança também não equivale à demissão do serviço público. Na relação de pessoal disponível no portal de transparência do TRE-PI, Lucimeire aparece como técnica judiciária e ocupante da função de chefe de cartório, identificada como FC-06, na 11ª Zona Eleitoral. São vínculos distintos, e a informação divulgada sobre a medida se refere à chefia.

Em entrevista ao IPiauí, reproduzida pelo OitoMeia antes da notícia sobre sua saída da função, Lucimeire reconheceu o compartilhamento e afirmou ter exercido seu direito de opinião. Ela também contestou as críticas dirigidas a seu nome e disse que eventuais questionamentos sobre sua permanência na chefia deveriam ser encaminhados à Corregedoria.

O episódio ocorre em meio a um alerta do Ministério Público do Trabalho no Piauí sobre possíveis retaliações após as eleições. Em comunicado publicado na terça-feira (27), o órgão informou que continuará apurando ameaças e demissões motivadas pelas escolhas políticas dos trabalhadores. Segundo o procurador Edno Moura, dispensas por discriminação política podem resultar em responsabilização do empregador, inclusive com indenizações por danos morais individuais e coletivos, conforme as circunstâncias.

Fonte: Portal AZ

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