Suspeito de abastecer o CV é preso após dois anos escondido em Maceió

Segundo a polícia, Laércio Nascimento usava documentos falsos e trocava celulares semanalmente.

Por Viviane Setragni,

Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, de 42 anos, conhecido como Boyzão ou Boss, foi preso na última segunda-feira durante uma operação integrada das polícias civis do Rio de Janeiro e de Alagoas. Segundo as investigações, ele passou cerca de dois anos vivendo com a companheira em uma cobertura de luxo no bairro de Jatiúca, em Maceió, enquanto comandava à distância um esquema de fornecimento de drogas para comunidades dominadas pelo Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro.

Foto: ReproduçãoOK

O imóvel fica em um prédio onde os apartamentos são avaliados em cerca de R$ 3 milhões e tem vista para a praia. De acordo com a Polícia Civil, Laércio evitava qualquer envolvimento com atividades criminosas em Alagoas e mantinha os negócios concentrados no Rio de Janeiro, em São Paulo e em outros estados.

“Ele tomava muito cuidado para não aparecer. Inclusive, não atuava em nenhum tipo de crime aqui no estado. Todos os negócios dele eram no Rio, em São Paulo e em outros estados. E, como usava documentos falsos, ninguém sabia que ele era procurado pela Justiça”, afirmou o delegado Igor Diego Vilela Costa, da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado de Alagoas.

Segundo as investigações, o esquema movimentou cerca de R$ 70 milhões em menos de dois anos. Para esconder a identidade e dificultar o trabalho das autoridades, Laércio teria utilizado documentos falsificados e recorrido a outras pessoas para movimentar e ocultar o dinheiro obtido com o tráfico de drogas.

A Polícia Civil afirma que, entre os documentos fraudulentos, estavam identidade, passaporte e Carteira de Identidade Nacional (CIN). Conforme a investigação, a CIN utilizada pelo suspeito teria sido emitida por órgãos oficiais de maneira fraudulenta, em nome de outra pessoa e com informações de filiação diferentes das verdadeiras.

Com os documentos, segundo a polícia, Laércio conseguia viajar de avião entre diferentes estados e até deixar o país sem levantar suspeitas. Outra estratégia utilizada para dificultar o rastreamento era a troca frequente de celulares. De acordo com os investigadores, o suspeito substituía os aparelhos semanalmente.

Quando os agentes chegaram à residência, encontraram sete caixas de iPhones fechadas, três celulares em uso e seis passaportes. Também foram apreendidos uma bolsa com dinheiro, cartões, joias e outros itens de luxo.

A atuação de Laércio no crime teria começado há mais de dez anos. Ele possui passagens e processos relacionados a estelionato e fraude. Uma denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais aponta o suspeito como um dos chefes de uma organização criminosa que, em 2016, teria retirado R$ 225 mil de contas bancárias por meio de fraudes.

Segundo a denúncia, o grupo contratava hackers para obter dados sigilosos e senhas de clientes, além de produzir cartões bancários clonados utilizados para retirar dinheiro das contas. Ainda conforme o Ministério Público, Laércio seria um dos líderes da organização e teria como função recrutar pessoas para realizar os saques e orientá-las durante a execução dos crimes. Os delitos ocorreram em Belo Horizonte, e a denúncia foi apresentada em 2023.

Na época, Laércio ainda morava no Rio de Janeiro. Segundo as investigações da Polícia Civil, foi por meio dos crimes de estelionato que ele teria se aproximado de integrantes do Comando Vermelho.

“Ele foi se conectando com pessoas do Comando Vermelho e passou a atuar fornecendo pequenas quantidades de drogas. Só que, por ser um cara articulado, foi crescendo no ramo e expandiu sua atuação. Fez viagens para Mato Grosso e Amazonas, por onde entra droga vinda de outros países, entendeu a dinâmica e passou a vender no atacado para o CV”, afirmou o delegado Alexandre Capote, corregedor-geral da Polícia Civil do Rio de Janeiro e um dos responsáveis pela investigação.

Depois de estruturar o fornecimento de drogas, Laércio teria passado a trazer entorpecentes de São Paulo e a atuar com autorização logística do Primeiro Comando da Capital (PCC) para transportar as drogas pelo território paulista. Segundo a Polícia Civil, ele também teria utilizado empresas para movimentar e ocultar recursos obtidos de forma ilícita.

Em menos de dois anos, o esquema teria movimentado cerca de R$ 70 milhões. Segundo o delegado Alexandre Capote, Laércio também planejava começar a fornecer armas para organizações criminosas, utilizando a mesma estrutura desenvolvida para o tráfico de drogas.

“Pelas conversas obtidas na investigação, vimos que ele falava com chefões do PCC e estava se expandindo para atuar da mesma forma para eles. Aqui no Rio, o Boss tinha muita intimidade com chefes do CV e era um fornecedor de grandes quantidades de drogas, que geralmente fornecia no atacado de emergência. Sempre que uma carga era perdida ou apreendida, os traficantes procuravam por ele”, afirmou o delegado.

Segundo a Polícia Civil, a investigação aponta que Laércio mantinha contatos com integrantes do PCC e do Comando Vermelho e pretendia ampliar sua atuação no fornecimento de drogas e armas para organizações criminosas.

Fonte: O globo

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