Meta reconhece erro na contagem de visualizações no Instagram
Falha na plataforma ocorre durante a campanha eleitoral e gera questionamentos sobre o alcance dos vídeos
A Meta, empresa responsável pelo Instagram e pelo Facebook, reconheceu na quinta-feira (8) a existência de uma falha técnica no sistema de contagem de visualizações de vídeos publicados na plataforma. O problema veio à tona durante a campanha para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, em meio a questionamentos sobre o alcance das publicações dos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Em resposta ao Correio Braziliense, a empresa afirmou que identificou uma instabilidade que afeta algumas métricas de vídeos e que trabalha para solucionar a situação. A Meta, porém, não detalhou a dimensão da falha nem informou quais publicações foram antigas.
A suspeita ganhou repercussão após relatos de usuários apontarem que o número de visualizações de determinados vídeos deixava de aumentar mesmo quando as publicações continuavam circulando nas redes. A reportagem também identificou uma inconsistência em pelo menos um vídeo publicado por Lula no Instagram, no qual a quantidade de curtidas era superior à de visualizações. O comportamento chamou a atenção porque a contagem de visualizações é um dos indicadores utilizados para acompanhar o desempenho de conteúdos digitais. Até o momento, contudo, não há comprovação de que a falha técnica tenha sido provocada deliberadamente para limitar o alcance de publicações de um candidato ou favorecer o adversário.
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O caso ocorre enquanto a coligação Brasil Pronto pra Mais, formada por PT, PV e PCdoB, questiona o funcionamento dos algoritmos da Meta durante a disputa eleitoral. Um relatório interno da Secretaria Nacional de Comunicação do PT apontou diferenças no engajamento das páginas dos dois candidatos e levantou a hipótese de que conteúdos ligados a Flávio Bolsonaro estariam obtendo vantagem na plataforma. Segundo o documento citado, a página do senador apresentava média de engajamento 2,96 vezes maior que a de Lula, apesar de ter 17,2% menos seguidores. Esses números, no entanto, não comprovam isoladamente favorecimento algorítmico, e a falha reconhecida pela empresa não estabelece, por si só, uma relação entre a contagem de visualizações e a distribuição dos conteúdos políticos.
A situação amplia o debate sobre a transparência das plataformas digitais e seu papel durante as eleições, período em que redes sociais são utilizadas intensamente para divulgação de propostas, mobilização de apoiadores e disputa pela atenção dos eleitores. A campanha de Lula tem investido em vídeos curtos e gravações no formato selfie para ampliar sua presença digital, enquanto a diferença de desempenho entre publicações passou a ser analisada por integrantes do partido. Até a divulgação das informações, a Meta não havia esclarecido quais métricas foram afetadas, quantos conteúdos registraram inconsistências ou se o problema interferiu no alcance das postagens. A apuração sobre eventuais irregularidades eleitorais permanece distinta da falha técnica admitida pela empresa.
Fonte: Correio Braziliense