Rafael Fonteles ganha projeção nacional com investimentos e desafio fiscal no PI

Governador é cotado para a Fazenda após ampliar receitas e investimentos, mas busca recuperar o equilíbrio das contas estaduais

Por Redação,

O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), passou a ser apontado como possível nome para comandar o Ministério da Fazenda em um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Matemático formado com láurea acadêmica aos 19 anos e mestre em Economia Matemática pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), Fonteles construiu uma trajetória ligada à gestão fiscal antes de assumir o governo estadual. Ele foi secretário da Fazenda do Piauí entre 2015 e 2022 e conquistou a reeleição em 2026 com 70,9% dos votos válidos no primeiro turno, maior percentual registrado no país. Apesar da projeção nacional, o governador afirmou, em entrevista ao Jornal da Globo, que nunca tratou com Lula sobre a possibilidade de assumir um ministério.

Foto: ReproduçãoRafael Fonteles
Rafael Fonteles

À frente do estado, Fonteles ampliou significativamente a arrecadação e os investimentos públicos. As receitas totais do Piauí passaram de R$ 15,9 bilhões em 2022 para R$ 30,2 bilhões em 2025, enquanto a arrecadação própria cresceu de R$ 8,2 bilhões para R$ 19,49 bilhões no mesmo período. Segundo análise do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef), o avanço está relacionado, entre outros fatores, à expansão da atividade agropecuária na região do Matopiba, que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O crescimento das receitas também permitiu ampliar os investimentos em infraestrutura e logística, considerados estratégicos para a competitividade econômica do estado.

Entre as principais iniciativas da gestão está o programa Pro Piauí, anunciado no primeiro ano de mandato, com previsão de R$ 110 bilhões em investimentos entre 2023 e 2026. As ações incluem obras rodoviárias, como a Transcerrados, a estruturação do porto de Luís Correia, a expansão do metrô de Teresina e a concessão dos serviços de saneamento básico. De acordo com dados fiscais citados no levantamento, a participação dos investimentos na receita total estadual passou de 8% em 2017 para 15% em 2026. No entanto, a expansão das despesas também pressionou as contas públicas: os gastos totais aumentaram de R$ 17,6 bilhões em 2022 para R$ 30,6 bilhões em 2025, ano que terminou com déficit fiscal de R$ 1,25 bilhão. Para tentar recuperar o equilíbrio, o governo adotou em 2026 uma regra que limita o crescimento das despesas a 70% da variação da receita ou a 2,5% ao ano acima da inflação, prevalecendo o menor limite.

Outro desafio é o aumento do endividamento estadual. Dados do Tesouro Nacional indicam que o Piauí contratou R$ 15,2 bilhões em empréstimos com garantia da União desde 2023, parte deles relacionada à reestruturação de passivos anteriores. A dívida consolidada líquida chegou a R$ 13,6 bilhões, equivalente a 63% da Receita Corrente Líquida, ante R$ 6,89 bilhões e 51% no fim de 2022. Apesar da elevação, o indicador permanece abaixo do limite legal de endividamento. A Secretaria de Planejamento estima que as contas estaduais voltem a apresentar superávit em 2029. Enquanto busca reequilibrar as finanças, Fonteles também destaca iniciativas de digitalização dos serviços públicos, ampliação do ensino médio em tempo integral e combate ao furto de celulares, fatores que integram o perfil de gestão pelo qual ganhou visibilidade no cenário nacional.

Fonte: Portal AZ

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