Direto da Redação: no Piauí, a chamada “turma do Vorcaro” é extensa
Do jeito que as coisas andam, vão revelar nomes na lista de Vorcaro que surpreendem
A turma de Vorcaro
Ainda tem muita gente do Piauí que pode aparecer nesse escândalo do Vorcaro.
Já falaram em MV, e seus muitos milhões, mas tem outro advogado, o cantor que se mudou de Teresina, impecável no terno e gravata, em transação direta com o filho K, e aquele outro, o ex-genro da desembargadora… deixa pra lá.
- Participe do nosso grupo de WhatsApp
- Participe do nosso grupo de Telegram
- Confira os jogos e classificação dos principais campeonatos
Apareceu o advogado do filho
Um cantor muito conhecido na noite teresinense (e mais recentemente nas noites de Brasília) aparece como agenciador influente de clientes para o advogado Kevin Marques.
Clientes que não são poucos, todos abastados e com negócios pendentes na esfera federal.
Quem é ele?
Esse dublê de cantor e agenciador de grandes negócios esteve em Teresina estes dias. Discreto, mas ousado, o jovem só anda em jatinhos Brasil afora, mas agora precisa mergulhar um pouco, para não ser visto ou lembrado, em tempo de identificação de quem são os integrantes da turma do KN.
Os adesivos de Flávio…
Em política, coincidência existe. Mas, quando começa a se repetir em lugares diferentes e sempre envolvendo os mesmos grupos, passa a merecer atenção.
É o que começa a acontecer em municípios comandados por prefeitos e prefeitas historicamente próximos do senador Ciro Nogueira, mas que, nesta eleição, declararam apoio à reeleição do governador Rafael Fonteles.
Pedro II é um bom laboratório desse movimento.
A prefeita Betinha Brandão e seu grupo assumiram publicamente o apoio a Rafael Fonteles. Ao mesmo tempo, o deputado Wilson Brandão, marido da prefeita e principal liderança política do grupo, deixou igualmente claro que seus candidatos ao Senado são Ciro Nogueira e Marcelo Castro. Ou seja: a composição sempre foi conhecida e assumida — Rafael para o Governo; Ciro e Marcelo para o Senado.
O fato novo está em outro lugar.
Nos últimos dias, chamou atenção nos bastidores políticos de Pedro II o aparecimento de adesivos de Flávio Bolsonaro em carros e manifestações de pessoas identificadas localmente como próximas ao grupo da prefeita, inclusive comissionados. Não há, até aqui, elemento público que permita afirmar que exista uma orientação de Betinha Brandão nesse sentido. Mas, politicamente, o movimento chama atenção.
É espontâneo? É apenas coincidência? Ou alguma coisa começa a se mexer silenciosamente nas bases ligadas a Ciro Nogueira?
Eleição diferente
A pergunta ganha importância porque Ciro trava uma eleição muito diferente daquela que se imaginava meses atrás.
O Datafolha divulgado em 17 de setembro mostrou Ciro Nogueira e Marcelo Castro com 17% cada e Júlio César com 15%. Com margem de erro de três pontos percentuais, os três estão tecnicamente empatados na disputa pelas duas vagas do Piauí no Senado.
Nesse cenário, cada movimento importa.
Ciro precisa administrar uma equação especialmente delicada: manter sua identidade política nacional sem perder o eleitor que vota em Rafael Fonteles e, sobretudo, o eleitor lulista que aceita votar nele para o Senado.
Essa preocupação não é mera especulação. A Folha de S.Paulo revelou que Ciro trabalhou pela neutralidade do PP na eleição presidencial e que havia expectativa de uma espécie de pacto de não agressão com Lula justamente em razão da disputa apertada pelo Senado no Piauí. Nesta quinta-feira, 24 de setembro, o jornal informou ainda que Flávio Bolsonaro procurou a federação União-PP e que, segundo aliados, teria evitado ir ao Piauí antes do primeiro turno para não expor demasiadamente ao eleitorado piauiense sua relação política com Ciro.
É aí que os adesivos de Pedro II deixam de ser apenas adesivos.
Quanto mais a candidatura de Flávio Bolsonaro aparecer dentro das bases municipais que trabalham pela reeleição de Ciro, mais fácil será para seus adversários tentar transformar a disputa pelo Senado numa extensão da eleição presidencial.
E essa talvez seja a pergunta mais importante para Ciro nesta reta final:
até onde interessa ao senador ser identificado, no Piauí, como “o candidato ao Senado de Flávio Bolsonaro” ou, por consequência política, como “o candidato contra Lula”?
Risco político
Não se trata de afirmar que essa associação necessariamente retirará votos de Ciro. Trata-se de reconhecer o risco político de permitir que uma eleição para o Senado, hoje tecnicamente empatada entre três candidatos, seja nacionalizada.
A marca de Rafael
Rafael Fonteles aparece com 55% no Datafolha e Lula mantém no Piauí uma base eleitoral historicamente expressiva. Ao mesmo tempo, Ciro precisa justamente transitar por parcelas desse eleitorado para preservar competitividade numa disputa em que poucos pontos podem separar os eleitos do terceiro colocado.
Por isso, vale observar Pedro II.
Pode ser apenas uma movimentação espontânea de apoiadores de Flávio Bolsonaro.
Pode ser coincidência.
Mas, se movimentos semelhantes começarem a aparecer em outras prefeituras comandadas por aliados de Ciro que também estão com Rafael Fonteles, talvez a pergunta deixe de ser se existe um movimento e passe a ser até onde Ciro pretende deixá-lo crescer antes do primeiro turno.
Numa eleição embolada como a do Senado piauiense, às vezes um simples adesivo diz muito mais do que parece.