Flávio impõe condições para abrir sigilos e Lula aceita, diz campanha

Exigências incluem dados de ex-assessor e do Instituto Lula, além de registros do Planalto

Por Redação do Portal AZ,

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (21) que aceita as condições apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para a abertura de sigilos na disputa presidencial. Segundo o porta-voz Camilo Santana, a concordância inclui os dados do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. A nova autorização deverá ser protocolada na quinta-feira (22), informou a Folha de S.Paulo.

Foto: ReproduçãoLula e Flavio Bolsonaro
Lula e Flavio Bolsonaro

A manifestação responde à petição encaminhada por Flávio ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quarta. No documento, o candidato do PL autorizou o levantamento de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, condicionado à ampliação das informações oferecidas pelo adversário. Entre as exigências estão dados de Marcola, de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula, e registros de entrada da empresária Roberta Luchsinger no Palácio do Planalto.

O pedido de Flávio também inclui informações do Instituto Lula, de empresas vinculadas aos filhos e a outros familiares do presidente, da agenda da primeira-dama Janja anterior a fevereiro de 2025 e das listas de passageiros de voos da Força Aérea Brasileira. A campanha solicitou ainda registros de encontros de Lula com Daniel Vorcaro e dos acessos do banqueiro e do ex-ministro Guido Mantega aos palácios do governo.

A iniciativa original de Lula foi apresentada ao TSE na terça-feira (20). O presidente ofereceu os dados dos últimos oito anos, abrangendo a primeira-dama e seus cinco filhos, desde que Flávio adotasse a mesma medida. A proposta alcança também empresas das quais os candidatos sejam sócios ou administradores e contas em que apareçam como responsáveis financeiros.

Como contrapartida, Lula pediu a abertura dos dados de Flávio, da mulher do senador, Fernanda, dos pais, Jair e Rogéria Bolsonaro, e dos irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan. O documento apresentado pelo petista menciona uma empresa vinculada a ele e outras cinco que teriam ligação com o adversário, incluindo uma offshore, empresa constituída no exterior.

Apesar de aceitar a ampliação, a campanha petista questionou o alcance da resposta de Flávio. Camilo criticou a ausência da Alcazar Holdings entre as empresas contempladas na manifestação do senador. A cobrança indica que as equipes ainda discutem quais pessoas e empresas terão informações disponibilizadas.

Flávio, por sua vez, contestou o caminho escolhido pelo presidente. O senador classificou o pedido como uma “verdadeira aberração jurídica” e argumentou que Lula poderia divulgar seus extratos sem levar a questão ao tribunal. As duas petições foram encaminhadas ao ministro André Mendonça, relator do caso no TSE. A concordância anunciada pelas campanhas não equivale à divulgação dos registros solicitados.

O confronto sobre os sigilos começou no debate da Band, no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a apresentar informações financeiras e telefônicas para consulta dos eleitores. Desde então, a proposta passou a envolver familiares, auxiliares e empresas dos dois lados, a poucos dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Fonte: Com informações do Correio Braziliense

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