IA é identificada em 25% de imagens ofensivas contra candidatas
Levantamento analisou conteúdos publicados no X durante as eleições de 2026
Um levantamento do MonitorA identificou indícios de uso de inteligência artificial em 25% das imagens ofensivas direcionadas a candidatas nas eleições de 2026 no X, antigo Twitter. A pesquisa analisou 9.888 imagens publicadas em comentários de perfis de 132 candidatas e classificou 660 delas como ataques ou insultos. Desse total, 165 apresentaram sinais de terem sido produzidas ou modificadas com IA. Os dados foram coletados em 9.393 postagens publicadas entre 16 e 24 de agosto e entre 2 e 11 de setembro.
O estudo também avaliou 1.249 imagens no TikTok, mas não identificou conteúdo ofensivo na amostra analisada. Segundo Catharina Vilela, coordenadora do InternetLab, a inteligência artificial facilita a produção de montagens, charges, cartoons e ilustrações utilizadas para atacar mulheres na política. Entre as candidatas mais atingidas estão Marina Silva, Sâmia Bomfim e Erika Hilton, todas de São Paulo. Os conteúdos identificados incluem alterações de características físicas, gordofobia, transfobia, racismo e outras formas de ofensa.
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O levantamento registrou diferentes padrões de ataques de acordo com as candidatas. No caso de Sâmia Bomfim, 70,6% das 111 imagens ofensivas identificadas tinham conteúdo gordofóbico. Erika Hilton foi alvo de materiais com referências transfóbicas e racistas, enquanto Marina Silva apareceu em montagens que alteravam suas características físicas e a representavam como personagens e animais. A pesquisa também registrou aumento de conteúdos ofensivos contra Júlia Zanatta, que passaram de quatro para 72 imagens entre as duas semanas analisadas, além de conteúdos classificados como racistas direcionados a Vanessa Silva.
O MonitorA também apontou mudança no conteúdo das imagens ao longo do período observado. Na primeira semana, 0,99% das publicações faziam referência ao Supremo Tribunal Federal ou a seus ministros, percentual que chegou a 24,4% na segunda semana. Parte desse material foi produzida com inteligência artificial e associava candidatas como Marina Silva e Simone Tebet ao ministro Alexandre de Moraes e ao STF. Para os pesquisadores, os dados mostram como ferramentas de IA passaram a integrar diferentes formas de ataques direcionados a mulheres na política durante o período eleitoral.
Fonte: Correio Braziliense